Os mesmos relatos apontam que o papel vinha perdendo força desde a divulgação dos resultados de 2025, no fim de março. Os motivos citados foram dois: o aumento persistente nos preços de memória, que pressiona o negócio de smartphones, e entregas de veículos mais fracas do que o esperado no 1º trimestre, em meio a um período de transição de modelos .
O HSBC também teria elevado em 1% sua projeção de lucro líquido ajustado para o ano . É um sinal positivo, mas pequeno. Na prática, a tese de investimento continua dependente de duas perguntas: a Xiaomi consegue proteger a rentabilidade dos celulares enquanto os componentes ficam mais caros? E consegue escalar o negócio de veículos elétricos sem sacrificar margens?
O CEO da Xiaomi, Lei Jun, teria dito que a série YU7 GT será lançada oficialmente no fim de maio . Um relatório descreveu o modelo como um SUV elétrico de 990 hp, posicionando-o como uma versão de alto desempenho dentro da linha de veículos elétricos da empresa
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O YU7 GT importa porque o lançamento mais amplo do YU7 já mostrou como a demanda por carros elétricos pode mexer com a percepção dos investidores. A Fortune informou que o SUV YU7 recebeu 289 mil pedidos na primeira hora, com preço inicial de 253.500 yuans, e que as ações da Xiaomi subiram 8% para uma máxima histórica após o lançamento .
Mas há uma diferença crucial entre entusiasmo de lançamento e resultado financeiro. Pedidos iniciais ajudam a validar demanda; lucro em 2026 dependerá de entregas efetivas, preço, eficiência de produção e margem bruta. A Fortune também observou que o YU7 entrou em um mercado chinês de veículos elétricos bastante concorrido, o que torna a execução tão importante quanto o produto em si .
O YU7 GT pode fortalecer a tese de crescimento da Xiaomi em 2026 por três caminhos principais.
Se o GT ampliar o público potencial da Xiaomi — em vez de apenas deslocar compradores de outros modelos da própria marca — ele pode apoiar a aceleração do negócio automotivo. Um relatório afirmou que a Xiaomi entregou mais de 30 mil veículos elétricos em abril, depois de cerca de 21.400 em março, e citou uma meta da administração de chegar a 550 mil veículos até o fim de 2026 .
Por isso, os dados pós-lançamento serão mais relevantes do que números chamativos de reservas. Um bom lançamento só vira catalisador real se a produção e a conversão de pedidos em entregas acompanharem a demanda.
Um SUV de performance também pode reforçar a estratégia de premiumização da Xiaomi. A CMBI afirmou que o lucro ajustado da Xiaomi no 1T25 chegou a RMB 10,7 bilhões, alta de 64% na comparação anual e de 28% frente ao trimestre anterior, ajudado por vendas fortes e melhora de margem bruta graças a um mix melhor em smartphones, preços médios mais altos em IoT e avanço da margem bruta em veículos elétricos inteligentes .
Esse ponto da margem nos carros é central. Um resumo anterior do HSBC informou que o preço médio de venda dos veículos elétricos da Xiaomi subiu de RMB 238.300 no 1T25 para RMB 253.700 no 2T25, enquanto a margem bruta do segmento avançou de 23,2% para 26,4%, beneficiada pela otimização de mix com as entregas do SU7 Ultra . Se o YU7 GT gerar efeito parecido, a história deixa de ser apenas sobre volume e passa a ser também sobre qualidade de receita.
A CMBI também se mostrou positiva em relação à expansão do ecossistema “Human x Car x Home” da Xiaomi e à estratégia de premiumização em smartphones e veículos elétricos . Uma boa escalada do YU7 GT reforçaria o argumento de que automóveis estão se tornando uma parte duradoura do ecossistema de hardware de consumo da Xiaomi, e não apenas um pico de crescimento concentrado em um modelo.
A principal cautela é que 2026 ainda pode ser um ano de pressão sobre lucros. Uma análise separada descreveu 2026 como um ano de “platô” para a Xiaomi: no segmento de smartphones, a empresa terá de equilibrar volume e preços diante da alta dos custos de memória; em veículos elétricos, o negócio passará de uma fase limitada por oferta para uma fase mais guiada pela demanda .
As expectativas de consenso também ajudam a explicar por que crescer receita pode não bastar. Um resumo de estimativas de analistas afirmou que 36 analistas projetavam receita de CN¥500,4 bilhões em 2026, alta de 9,4% sobre os 12 meses anteriores, enquanto o lucro estatutário por ação deveria cair 30%, para CN¥1,13 .
Essa combinação — receita maior, mas lucro por ação menor — coloca a qualidade do lucro no centro da discussão. O YU7 GT pode melhorar a narrativa se impulsionar entregas e margens. Mas pode decepcionar se concorrência, descontos, gargalos de produção ou pressão de custos nos smartphones anularem parte do benefício.
O YU7 GT só se torna um catalisador concreto para 2026 quando os dados confirmarem a tese. Os principais indicadores serão:
O preço-alvo de HK$54 e a recomendação Buy do HSBC mantêm viva a tese de valorização da Xiaomi, mas o YU7 GT será um dos próximos pontos de prova . Um lançamento forte pode reforçar a história de crescimento em veículos elétricos para 2026, sobretudo se melhorar o mix premium e acelerar entregas. O teste mais difícil, porém, será converter demanda em lucro sustentável em um momento em que os smartphones sofrem com custos de memória mais altos e o mercado chinês de veículos elétricos segue altamente competitivo
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