O Celo chama atenção pela atividade reportada em stablecoins. A cobertura do lançamento descreveu a rede como tendo 1,3 bilhão de transações totais, mais de US$ 65 bilhões em volume de stablecoins desde março de 2025 e 25 ativos nativos de stablecoin . O mesmo relatório afirma que o foco do Celo em stablecoins vem desde seu lançamento, em 2020
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Esses números ajudam a explicar por que a rede interessa a uma empresa de pagamentos em busca de trilhos ativos para stablecoins. Mas eles precisam ser lidos com cuidado. Volume elevado mostra que valor está circulando on-chain; não prova, por si só, que consumidores estejam usando stablecoins no checkout do varejo cotidiano.
O sinal estratégico mais forte, portanto, não é apenas a atividade do Celo. É o fato de a Bridge, controlada pela Stripe, levar esse acesso para dentro de fluxos de pagamento voltados a empresas .
A integração com o Celo se encaixa em uma pilha de stablecoins que a Stripe vem montando em quatro camadas.
A primeira é emissão. A Fortune informou que a oferta Open Issuance da Stripe permitiria que empresas lançassem e gerenciassem suas próprias stablecoins . Isso indica que a Stripe vê stablecoins não só como ativos a serem aceitos, mas também como produtos financeiros que empresas podem querer criar e operar.
A segunda é movimentação. A Bridge fornece a camada de API para onramps, offramps e transferências de stablecoins entre redes, agora com suporte ao Celo . É essa camada que pode fazer diferentes blockchains parecerem menos sistemas separados e mais rotas dentro de uma plataforma de pagamentos.
A terceira é repasse. No Sessions 2026, evento da Stripe, a empresa disse ter apresentado uma prévia de trilhos de stablecoin que permitiriam a marketplaces usando o Connect transferir fundos instantaneamente para vendedores em mais 100 países . É um caso de uso prático: o usuário final pode perceber um repasse mais rápido ou disponível em mais mercados, enquanto as stablecoins cuidam de parte da movimentação por baixo.
A quarta é gasto. Visa e Bridge anunciaram planos para levar cartões vinculados a stablecoins a mais de 100 países, com a Bridge permitindo que empresas e desenvolvedores fintech ofereçam cartões Visa lastreados em stablecoins . Isso conecta saldos em stablecoins a um produto de cartão que consumidores e lojistas já entendem.
Visto em conjunto, o movimento da Stripe parece menos uma aposta em uma blockchain específica e mais uma estratégia de abstração. Stablecoins podem ficar por trás de ferramentas de emissão, APIs de transferência, repasses para marketplaces e programas de cartão, enquanto as empresas interagem com produtos financeiros conhecidos .
A mudança importante na adoção não é imaginar que todo checkout passará a exibir um botão chamativo de pagar com carteira cripto. O caminho mais provável é a liquidação on-chain ser incorporada a produtos que as pessoas já usam: saldos de marketplace, repasses a vendedores, cartões e APIs de desenvolvedor .
A própria Stripe, no Sessions 2026, enquadrou stablecoins e cripto como ferramentas para movimentar dinheiro de forma mais rápida e acessível ao redor do mundo, e vinculou especificamente esses trilhos a repasses do Connect para vendedores em mais 100 países . A parceria entre Visa e Bridge aponta na mesma direção pelo lado do gasto: cartões ligados a stablecoins podem conectar saldos digitais à aceitação tradicional de cartões
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Essa é uma rota pragmática para adoção. Stablecoins podem se tornar mais relevantes não porque usuários queiram ver uma marca cripto no pagamento, mas porque empresas de pagamentos conseguem usá-las como trilhos de liquidação em produtos que já têm distribuição.
Um artigo da Stripe sobre tendências de stablecoins afirma que o volume de transferências desses ativos chegou a US$ 27,6 trilhões em 2024, superando o volume combinado de transações da Visa e da Mastercard . O número mostra a escala da movimentação on-chain, mas não deve ser interpretado como prova de que stablecoins substituíram cartões ou pagamentos bancários no checkout.
Volume de transferência e adoção em pagamentos de consumo medem coisas diferentes. Uma rede pode processar grandes movimentações de ativos sem se tornar uma rede dominante para compras no varejo. Essa distinção é essencial para interpretar o lançamento no Celo: a atividade reportada da rede ajuda a explicar o suporte da Bridge, mas a integração do produto da Stripe é o sinal mais relevante de adoção .
A chegada da Bridge ao Celo diz mais sobre a estratégia da Stripe para stablecoins do que sobre uma blockchain específica. A empresa parece estar construindo uma pilha de pagamentos em que stablecoins podem ser emitidas, movimentadas, repassadas e gastas por meio de APIs e produtos financeiros familiares .
Se esse modelo avançar, pagamentos on-chain podem chegar primeiro como infraestrutura invisível — não como uma experiência cripto explícita no checkout. Para o usuário, o benefício pode aparecer como repasse mais rápido, alcance geográfico maior ou gasto mais simples. A blockchain, nesse cenário, fica majoritariamente nos bastidores.