O Kin A/Helga não é um caso totalmente isolado. O Ocean Thunder, carregado com cerca de 1 milhão de barris de petróleo Basrah Heavy, do Iraque, foi visto passando por Hormuz perto da costa iraniana um dia depois de o Irã dizer que o Iraque estava isento de restrições de trânsito pela rota . A OilPrice, citando a Bloomberg e a Petronas, também descreveu um petroleiro operado pela estatal malaia com petróleo iraquiano atravessando Hormuz como sinal de uma retomada modesta dos fluxos pelo ponto de estrangulamento
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Isso sustenta uma conclusão estreita, mas relevante: Hormuz não virou uma parede fechada para o Iraque. Alguns carregamentos iraquianos ainda podem passar quando se enquadram em uma exceção, recebem aprovação ou são considerados aceitáveis dentro do quadro de segurança atual .
Se a rota estivesse voltando ao normal, o sinal principal seria volume, regularidade e previsibilidade. Não é o que os relatos mostram. A CBS News descreveu o tráfego por Hormuz como drasticamente reduzido, com a passagem de petroleiros e outros navios comerciais praticamente paralisada no início da crise . A ChemAnalyst chegou a registrar um dia sem nenhum petroleiro cruzando o estreito
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Outras fontes apontam na mesma direção. A Rudaw informou que o fluxo pelo Estreito de Hormuz caiu ao menor nível diário em cinco anos e que o número de navios transportando petróleo iraquiano dos portos de Basra e Umm Qasr pelo estreito recuou para cerca de um terço do normal . A gCaptain, em texto da Bloomberg, também descreveu o tráfego no gargalo como “extremamente limitado” e relatou que alguns navios que chegaram a passar acabaram cancelando viagens e refazendo suas rotas
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Ou seja: a existência de algumas travessias não muda o quadro geral. O padrão continua sendo de tráfego baixo, irregular e escolhido a dedo.
Os relatos disponíveis indicam que a questão não é apenas capacidade de transporte ou coragem dos armadores. É também classificação política e autorização de segurança. A Rudaw informou que o Irã estaria permitindo a passagem de embarcações que não considera pertencentes a “inimigos” . No caso do Ocean Thunder, a travessia ocorreu um dia depois de Teerã dizer que o Iraque estava isento das restrições de trânsito
. No caso do HELGA, fontes do Ministério do Petróleo iraquiano disseram que havia aprovação iraniana antes do carregamento em Basra
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Bagdá também tenta proteger sua saída para o mar. O ministro do Petróleo iraquiano, Hayan Abdel-Ghani, disse que o Iraque conversa com o Irã para permitir que alguns petroleiros do país passem por Hormuz; ao mesmo tempo, o Iraque trabalha para restaurar um oleoduto que poderia enviar petróleo diretamente à Turquia sem passar pela região do Curdistão . Isso mostra que o país ainda precisa de Hormuz no curto prazo, mas busca alternativas para reduzir sua exposição ao estreito
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Hormuz é uma artéria energética global. A Reuters/Arab News descreve o estreito como um corredor por onde passa cerca de um quinto dos fluxos mundiais de petróleo e gás natural liquefeito, o GNL . Por isso, a passagem de alguns navios iraquianos ajuda a afastar a ideia de um corte absoluto de oferta, mas não elimina o risco enquanto o acesso depender de autorizações caso a caso.
A diferença é crucial: quando uma carga depende de exceção nacional, aprovação do Irã ou avaliação de segurança da viagem, isso é fluxo controlado — não comércio marítimo normal. A ABC News também observou que existem rotas alternativas para parte do petróleo que normalmente atravessa Hormuz, mas elas não conseguem compensar uma parcela grande da produção perdida se o gargalo sofrer uma interrupção severa .
O Kin A/Helga parece contar a história de uma porta entreaberta, não de um porto aberto. A provável travessia indica que o petróleo iraquiano ainda tem uma saída do Golfo Pérsico. Mas, até que o número de navios cresça de forma estável, as viagens deixem de depender de exceções específicas e os dados de tráfego fiquem menos erráticos, o transporte de petróleo por Hormuz deve continuar sendo visto como severamente restrito.