Reabrir o Estreito de Hormuz é uma boa notícia para o comércio marítimo, mas não funciona como virar uma chave no preço do frete. A cotação de uma viagem não reflete apenas se o navio consegue passar por um gargalo. Ela também embute seguro, risco de segurança, tempo de rotação da frota, combustível, atrasos e sobretaxas.
Antes de tudo, vale ler com cautela a frase Hormuz reabriu. As fontes de abril e maio de 2026 não descrevem exatamente o mesmo cenário: a Whalesbook falou em cessar-fogo frágil e termos ambíguos; a Seavantage registrou que, em 12 de abril, o estreito ainda permanecia praticamente fechado; e a Insurance Business tratou a reabertura como um alívio para mercados, mas com riscos de seguro e crédito ainda elevados [3][
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6]. O cenário mais realista, portanto, é uma normalização em etapas: a passagem pode voltar antes de a conta do frete voltar ao normal.
1. Seguro contra risco de guerra demora a baratear
Quando uma rota marítima passa a ser vista como zona de alto risco, o seguro deixa de ser um detalhe administrativo e vira uma fatia relevante do custo da viagem. A Sidley registrou que, na crise em torno de Hormuz, os prêmios de risco de guerra subiram de cerca de 0,2% do valor do navio para até 1%, enquanto algumas seguradoras retiraram a cobertura completamente [7].




