A resposta curta: o ciclo de quatro anos do Bitcoin não desapareceu. O halving segue escrito no protocolo e continua reduzindo a emissão de novos BTC. Em 2024, a recompensa paga aos mineradores por bloco caiu de 6,25 BTC para 3,125 BTC .
O que mudou foi o entorno. Hoje, o choque de oferta do halving disputa espaço com fluxos de ETFs à vista, alocação institucional, juros, liquidez global, regulação e alavancagem. Esses fatores passaram a explicar uma fatia maior do movimento marginal de preço do que o calendário do halving sozinho .
A melhor forma de olhar para o halving agora é tratá-lo como um regime de oferta, não como um cronômetro de mercado. Ele reduz a quantidade de BTC recém-emitida, mas o efeito no preço depende de uma pergunta mais ampla: grandes canais de demanda estão comprando, esperando ou vendendo exposição a Bitcoin?
É por isso que o debate ficou dividido. A CoinMarketCap Academy relatou que analistas ainda discordavam sobre se o ciclo típico de quatro anos do Bitcoin havia terminado, com ETFs e mudanças regulatórias no centro da discussão . Outra análise pós-halving de 2026 apontou que o ciclo iniciado após 2024 havia subido 92,2% do halving até o pico observado, bem menos que os ganhos listados para os ciclos de 2020, 2016 e 2012; o relatório apresentou essa diferença como evidência possível de um ciclo quebrado ou de um ciclo mais longo e mais raso
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A narrativa clássica era simples: a cada halving, a recompensa dos mineradores cai pela metade, reduzindo a entrada de novas moedas em circulação . Investidores passaram a encaixar isso em uma sequência conhecida: acumulação, alta após o halving — muitas vezes com pico cerca de 18 meses depois —, correção forte e um mercado de baixa de vários anos
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Esse modelo fazia mais sentido quando o mercado de Bitcoin era mais dominado por investidores de varejo e participantes nativos de cripto. Hoje, análises sobre fluxos institucionais contrastam esses ciclos antigos com um mercado em que o capital institucional tem peso relevante e comportamento diferente . Nesse ambiente, o halving segue importante, mas já não basta como explicação principal
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A grande mudança foi o acesso. Os ETFs à vista de Bitcoin nos Estados Unidos criaram veículos listados em bolsa para exposição ao ativo. Para o leitor brasileiro: ETF é um fundo negociado em bolsa; “à vista” indica exposição ligada ao Bitcoin spot, e não apenas a contratos futuros. A base da Statista acompanha fluxos de 10 dos 11 ETFs de Bitcoin aprovados pela SEC — o regulador do mercado de capitais dos EUA — no início de 2024 e listados na NYSE e na Nasdaq .
A partir daí, entradas e saídas desses ETFs viraram uma espécie de placar diário da demanda regulada por Bitcoin. E o tamanho desse placar é grande o suficiente para mudar o debate sobre ciclos.
Segundo resumo da CoinMarketCap Academy com dados da Farside, os ETFs à vista de Bitcoin nos EUA registraram mais de US$ 35 bilhões em entradas líquidas agregadas em 2024, cerca de US$ 144 milhões por pregão . Um relatório de janeiro de 2026 estimou separadamente os ativos totais em ETFs de Bitcoin em US$ 123,5 bilhões e as entradas líquidas de 2024 em US$ 35,2 bilhões
. Já a Crypto.news informou que os 11 ETFs à vista de Bitcoin dos EUA captaram US$ 21,4 bilhões em entradas líquidas em 2025 e representaram quase 67% de todos os fluxos para ETFs cripto naquele ano
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Grandes gestoras também passaram a ser centrais nessa história. Após cerca de cinco meses de negociação, os ETFs à vista de Bitcoin da BlackRock e da Fidelity respondiam por 26% e 56% das entradas em ETFs dessas emissoras no acumulado do ano, respectivamente, segundo dados da Bloomberg Intelligence citados pela Cointelegraph .
O halving reduz a nova oferta. Os fluxos de ETFs medem demanda. Quando o volume de entrada ou saída desses produtos fica grande o suficiente, ele pode dominar a formação de preço no curto prazo, mesmo que a regra de emissão do Bitcoin continue relevante.
A Amberdata foi mais longe em sua perspectiva para 2026: argumentou que os fluxos de ETFs movimentavam 12 vezes a oferta diária de mineração e haviam tornado os fluxos institucionais o principal motor marginal de preço naquele período .
Esse múltiplo pode variar conforme a data, a janela analisada e a metodologia. Mas o ponto prático é claro: menor emissão não garante, sozinha, um mercado de alta limpo. Saídas de ETFs, estresse macroeconômico ou zeragens de posições alavancadas podem neutralizar o pano de fundo de escassez .
O avanço dos ETFs não significa que Bitcoin virou um ativo movido apenas por Wall Street. Instituições são uma força relevante, não a única.
A pesquisa institucional da Coinbase, por exemplo, explicou sua visão construtiva para o segundo semestre de 2025 com base em crescimento nos EUA, possíveis cortes de juros pelo Federal Reserve, adoção por tesourarias corporativas e maior clareza regulatória. Ao mesmo tempo, citou riscos como uma curva de juros dos Treasuries mais inclinada e vendas forçadas por veículos cripto de capital aberto .
Relatórios da Coinbase com a Glassnode também reforçam essa leitura mais ampla. No segundo trimestre de 2025, descreveram um sentimento defensivo em meio à incerteza macro . No terceiro trimestre, destacaram fluxos de ETFs, realização de lucros e condições macro como variáveis importantes para o mercado
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A estrutura do mercado também conta. Um resumo institucional da Coinbase para o quarto trimestre de 2025 associou uma forte sacudida em outubro a alavancagem elevada, livros de oferta rasos e mecanismos de desalavancagem automática que drenaram liquidez . Outros relatórios de estrutura de mercado apontam liquidez, ETFs, stablecoins e ativos tokenizados como forças que mudam a forma como o capital circula nos mercados digitais
. Perspectivas para 2026 também descrevem fluxos de capital cada vez mais ligados à clareza regulatória, exposição institucional em balanços, finanças tokenizadas e maturidade da infraestrutura on-chain
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O modelo antigo perguntava: “em que ponto do calendário de quatro anos estamos?”. O modelo atualizado pergunta: “como o halving interage com fluxos, liquidez e estrutura de mercado?”.
O Bitcoin ainda tem um processo de halving de quatro anos em termos de protocolo. Mas o ciclo de mercado já não é apenas “halving, alta, euforia, queda”. O halving de 2024 alterou a nova emissão, enquanto relatórios sobre fluxos de ETFs e perspectivas institucionais apontam para um regime híbrido: a escassez é o pano de fundo; fluxos de ETFs, liquidez macro, regulação, alavancagem e comportamento dos holders ajudam a definir o caminho entre um halving e outro .
Portanto, investidores institucionais se tornaram um dos principais motores do movimento marginal de preço do Bitcoin, especialmente por meio dos ETFs. Eles não substituíram completamente o halving — e também não explicam todos os movimentos do mercado cripto. A conclusão mais equilibrada é que o ciclo foi reescrito: o Bitcoin agora negocia no cruzamento entre escassez programada pelo protocolo e fluxos típicos dos mercados financeiros tradicionais .
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O ciclo de halving de quatro anos do Bitcoin continua relevante, mas perdeu o posto de relógio principal do mercado: em 2024, a recompensa por bloco caiu de 6,25 BTC para 3,125 BTC [8].
O ciclo de halving de quatro anos do Bitcoin continua relevante, mas perdeu o posto de relógio principal do mercado: em 2024, a recompensa por bloco caiu de 6,25 BTC para 3,125 BTC [8]. A nova leitura combina escassez de oferta com fluxos de capital: ETFs à vista de Bitcoin nos EUA tiveram mais de US$ 35 bilhões em entradas líquidas em 2024 e US$ 21,4 bilhões em 2025 [29][30].
Analistas seguem divididos entre um ciclo “quebrado” e um ciclo mais longo e menos explosivo; a interpretação mais sólida é que o mercado evoluiu, não que o halving deixou de importar [1][7].
| Regulação e acesso |
| A disponibilidade de ETFs e a clareza regulatória podem ampliar a base compradora, enquanto mudanças regulatórias seguem no centro do debate sobre ciclos |
| Alavancagem e profundidade de mercado | Livros de oferta rasos e alavancagem elevada podem ampliar quedas, como descreveu o resumo da Coinbase para o quarto trimestre de 2025 |
| Comportamento dos holders | Realização de lucros continua fazendo parte da análise, junto com fluxos de ETFs e dados macro |