A provável punição de Charles Leclerc no grid de Baku é uma escolha estratégica da Ferrari — não uma consequência direta do acidente em Monza. O motor ADUO2 usado no GP da Itália não foi perdido: passou nas inspeções posteriores. Ainda assim, a equipe deve instalar uma unidade nova para a classificação e a corrida no Azerbaijão. Como será um componente extra além da cota sazonal, a troca deve render uma punição pesada e deixá-lo no fundo, ou perto do fundo, do grid.
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Por que Leclerc deve largar atrás
A punição não seria aplicada pelo acidente em Monza em si. Ela decorre da esperada introdução de mais uma unidade de potência Ferrari 067/6 na especificação ADUO2, além da alocação permitida para Leclerc na temporada. Segundo as informações publicadas, a nova unidade será homologada para a classificação e a corrida em Baku, acionando a penalidade relacionada ao motor.
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Em outras palavras: a Ferrari recuperou o motor de Monza, mas quer que uma unidade ADUO2 nova e atualizada seja o principal motor de corrida de Leclerc na reta final do campeonato.
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O que aconteceu com o motor de Monza
Leclerc sofreu um acidente forte na saída da Parabolica durante o GP da Itália. Após o impacto, a Ferrari retirou do carro a unidade ADUO2 recém-introduzida e não a utilizou no GP da Espanha, enquanto os engenheiros investigavam o risco de danos internos.
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O diagnóstico posterior foi positivo. As verificações indicaram que os sensores não registraram anomalias significativas, e os exames de raio X também liberaram a unidade para ser recuperada. Portanto, o motor não foi considerado inutilizado.
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Mesmo assim, a Ferrari adotou cautela. Uma unidade de potência pode parecer íntegra após as inspeções sem ser a opção ideal para suportar a carga de uma corrida. Por isso, a expectativa é que o motor recuperado entre na rotação da equipe, em vez de ser descartado, mas não assuma o papel de unidade principal.
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O plano para os treinos de quinta-feira
A estratégia reportada é usar o ADUO2 recuperado nos treinos livres em Baku e, depois, instalar a unidade nova para a classificação e a corrida. Assim, a Ferrari recoloca o motor salvo em atividade, mas limita seu uso, preservando o novo componente para as sessões que definem o grid e os pontos.
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O fim de semana em Baku terá um cronograma fora do padrão. Os treinos começam na quinta-feira, a classificação será na sexta e a corrida ocorrerá no sábado, 26 de setembro. A Fórmula 1 e a FIA anteciparam o evento após um pedido do promotor local e de autoridades do Azerbaijão, para evitar conflito com o Dia da Memória do país, em 27 de setembro.
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Por que Baku foi escolhida para pagar a punição
O chefe da Ferrari, Frédéric Vasseur, indicou que Baku pode ser um circuito adequado para absorver uma punição de motor. A lógica é aceitar o prejuízo no grid em uma pista onde a equipe acredita que ainda pode haver chance de recuperação e, em troca, contar com uma unidade atualizada nova nas etapas seguintes.
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Ainda é uma aposta cara. Leclerc foi especialmente forte em volta rápida em Baku: havia conquistado quatro poles consecutivas antes de 2025, mas nunca transformou essa sequência em vitória no circuito. Abrir mão de disputar as primeiras posições no grid significa sacrificar uma de suas maiores forças históricas.
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Portanto, a Ferrari não trata uma largada do fundo como algo simples em Baku. É uma troca calculada: comprometer uma posição de partida agora para fortalecer o conjunto de motores até o fim do campeonato.
Quanto o ADUO2 pode render a mais?
A Ferrari introduziu em Monza seu segundo pacote de atualizações permitido pelo ADUO. As estimativas da época apontavam que o motor 067/6 revisado, junto do pacote de combustível atualizado da Shell, entregaria cerca de 15 cavalos de potência a mais em relação à especificação anterior.
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É um ganho relevante, sobretudo em pistas nas quais a potência pesa mais, mas não representa uma transformação completa no desempenho da Ferrari. As avaliações após Monza indicavam que o ADUO2 não eliminou a desvantagem de potência que a equipe ainda tinha para a Mercedes.
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Na prática, para Leclerc, o valor de aceitar a punição em Baku não está apenas em uma corrida: é garantir acesso a uma unidade atualizada e nova durante a fase decisiva da temporada, sem depender exclusivamente de um motor mais antigo ou de uma unidade recuperada.
Efeito possível para Hamilton e na disputa de construtores
A Ferrari também avalia uma estratégia semelhante para Lewis Hamilton, com a possibilidade de dividir as punições dos dois pilotos entre Baku e Austin. Por enquanto, trata-se de uma opção reportada, e não de uma decisão confirmada.
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Separar as punições evitaria comprometer os dois carros da Ferrari na mesma etapa, mas também pode reduzir o potencial de pontuação em dois fins de semana. Isso importa porque a preocupação imediata da equipe no Mundial de Construtores é defender o segundo lugar, não desafiar diretamente a Mercedes pela liderança: após 14 etapas, a Mercedes tinha 503 pontos, a Ferrari 358 e a McLaren 306.
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Se o motor ADUO2 novo ajudar a Ferrari a pontuar com mais consistência depois, a escolha pode compensar. No curto prazo, porém, uma largada do fundo para Leclerc abre espaço para a McLaren cortar a vantagem de 52 pontos da Ferrari.
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Resumo
A provável punição de Leclerc em Baku não significa que a Ferrari perdeu o motor de Monza. A unidade foi recuperada após verificações de sensores e exames de raio X, e deve ser usada com cautela nos treinos.
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A largada no fim do grid deve acontecer porque a equipe pretende instalar um ADUO2 novo para as sessões competitivas. É um sacrifício deliberado no curto prazo para dar a Leclerc uma unidade de potência mais nova e atualizada para o restante da temporada de 2026.
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