A estrategista Beata Manthey, do Citi, afirma que a recente venda global de títulos não é necessariamente negativa para as ações europeias porque as expectativas de lucro por ação (EPS) continuam subindo na região.[3] Os lucros corporativos europeus devem crescer no ritmo mais rápido em três anos, impulsionados prin...

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O aumento rápido dos rendimentos dos títulos costuma preocupar investidores em ações. Em geral, juros mais altos tornam os investimentos em renda fixa mais atraentes e reduzem o valor presente dos lucros futuros das empresas. Ainda assim, o Citi argumenta que o atual sell‑off no mercado global de títulos não é necessariamente ruim para as ações europeias.
Segundo Beata Manthey, chefe de estratégia de ações europeias do Citi, o ponto central é que as expectativas de lucro das empresas europeias estão melhorando — não piorando. Se os lucros crescem, eles podem compensar parte da pressão causada por juros mais altos.
Em outras palavras: empresas ganhando mais dinheiro podem sustentar o mercado acionário mesmo em um ambiente de custos de financiamento mais elevados.
Quando investidores vendem títulos públicos, seus preços caem e os rendimentos (yields) sobem. Esse movimento normalmente pesa sobre as bolsas porque:
Mas essa relação não é automática. Manthey destaca que as projeções de lucro por ação (EPS) para o mercado europeu estão subindo, criando um amortecedor fundamental para os preços das ações.
Se o crescimento dos lucros continuar forte, as ações podem absorver parte da pressão macroeconômica causada pela alta dos juros.
Dados recentes da temporada de resultados reforçam esse argumento. Estimativas agregadas indicam que os lucros corporativos na Europa devem crescer no ritmo mais rápido em três anos.
Grande parte dessa melhora vem de dois setores-chave:
Esses segmentos têm sido responsáveis por boa parte da aceleração dos lucros nas principais bolsas europeias.
Apesar do cenário macroeconômico turbulento, o Citi continua relativamente otimista com os mercados acionários. O banco estima que as ações globais ainda poderiam subir cerca de 5% se as expectativas de lucro continuarem firmes.
Essa visão reflete a ideia de que o suporte atual do mercado vem principalmente do crescimento dos lucros corporativos — e não apenas de múltiplos de valuation mais altos.
Se os resultados das empresas continuarem surpreendendo positivamente, as bolsas podem avançar mesmo com juros elevados.
A turbulência recente no mercado de títulos tem várias causas. Entre elas estão preocupações com inflação associadas às tensões no Oriente Médio.
O conflito envolvendo o Irã elevou os preços da energia e aumentou as expectativas de inflação, levando investidores a exigir rendimentos mais altos para comprar dívida pública.
Quando os preços dos títulos caem e os rendimentos sobem, o custo de financiamento aumenta em toda a economia global — um fator que normalmente desafia os mercados acionários.
Apesar do cenário positivo para os lucros, há um ponto de atenção importante.
O crescimento atual está fortemente concentrado em poucos setores, principalmente energia e bancos. Algumas estimativas mostram que, sem o setor de energia, o avanço dos lucros corporativos na Europa seria muito mais fraco.
Isso cria uma fragilidade potencial: se esses setores perderem força — por exemplo, com queda do preço do petróleo — o suporte para o mercado acionário pode diminuir rapidamente.
O cenário atual ilustra uma dinâmica clássica dos mercados financeiros. Rendimentos de títulos mais altos tendem a pressionar as ações, mas lucros corporativos fortes podem neutralizar parte desse efeito.
Por enquanto, as bolsas europeias estão se beneficiando de expectativas de resultados melhores. O verdadeiro teste será saber se esse crescimento dos lucros continuará — e se ele conseguirá se espalhar para mais setores da economia.
Se isso acontecer, as ações podem continuar resilientes mesmo com juros mais altos. Caso contrário, a pressão vinda do mercado de títulos pode acabar pesando mais sobre as bolsas.
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A estrategista Beata Manthey, do Citi, afirma que a recente venda global de títulos não é necessariamente negativa para as ações europeias porque as expectativas de lucro por ação (EPS) continuam subindo na região.[3]
A estrategista Beata Manthey, do Citi, afirma que a recente venda global de títulos não é necessariamente negativa para as ações europeias porque as expectativas de lucro por ação (EPS) continuam subindo na região.[3] Os lucros corporativos europeus devem crescer no ritmo mais rápido em três anos, impulsionados principalmente pelos setores de energia e financeiro.[41]
Mesmo assim, analistas alertam para um risco: o crescimento dos lucros está concentrado em poucos setores, o que pode tornar o mercado mais vulnerável se esses motores perderem força.[3][41]