A recusa da Rússia decorreu de uma divergência central sobre a sequência da diplomacia. A Ucrânia e seus apoiadores defenderam um cessar-fogo total, imediato e incondicional como ponto de partida para negociações efetivas. Já Moscou afirmou que não suspenderia as operações militares enquanto as conversas estivessem em curso.
6
8
34
Moscou rejeitou a ideia de cessar-fogo antes das negociações
Na reunião do Conselho de Segurança da ONU de 23 de setembro sobre a Ucrânia, o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andriy Sybiha, disse que Kyiv havia aceitado um cessar-fogo total, imediato e incondicional e pediu que Moscou fizesse o mesmo antes de iniciar conversas substantivas de paz. Uma declaração conjunta apoiada por 51 Estados-membros da ONU também pediu à Rússia que aceitasse esse caminho.
6
8
O ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, rejeitou essa premissa. Ele declarou que a Rússia não interromperia sua “operação militar especial” durante as negociações, independentemente de seu formato, e argumentou que a Europa buscava uma pausa para dar à Ucrânia tempo de recompor sua capacidade militar.
34
Na prática, a posição russa era de que o cessar-fogo não seria uma condição prévia para negociar. Assim, a divergência não se limitava à realização de conversas: ela dizia respeito a interromper ou não os combates enquanto elas ocorrem.
O que o apoio no Conselho significou — e o que não significou
Segundo reportagens, 14 dos 15 integrantes do Conselho de Segurança apoiaram um cessar-fogo, assim como a Ucrânia, a União Europeia e mais de 50 países.
4
10
Mas esse número não foi resultado de uma votação do Conselho sobre uma resolução de cessar-fogo na Ucrânia. Nenhum texto desse tipo foi submetido a voto naquela reunião. O apoio relatado indicava isolamento diplomático e pressão política sobre a Rússia, não uma decisão vinculante do Conselho.
10
46
A condição da Rússia como membro permanente do Conselho de Segurança é uma limitação decisiva para qualquer tentativa de aprovar uma resolução substantiva rejeitada por Moscou: o voto negativo de um membro permanente pode impedir sua adoção. Por isso, o respaldo dos demais membros, por si só, não pode obrigar a Rússia a aceitar uma trégua.
Por que a infraestrutura de energia esteve no centro do apelo
O debate sobre o cessar-fogo ocorreu quando ambos os lados enfrentavam riscos ligados a ataques contra infraestrutura energética antes do inverno. A ONU já havia alertado que ofensivas contra a infraestrutura civil de energia da Ucrânia deixaram milhões de pessoas sem eletricidade, aquecimento e água por períodos prolongados em clima abaixo de zero.
23
O presidente Volodymyr Zelenskyy propôs uma medida recíproca mais restrita: a Ucrânia suspenderia ataques a refinarias e instalações de energia russas se a Rússia deixasse de atacar o sistema energético ucraniano, a infraestrutura crítica e as exportações de alimentos.
32
45
A proposta não foi apresentada como um acordo já em vigor. A Reuters informou que a Ucrânia e seus aliados buscavam entendimentos limitados sobre infraestrutura energética e navegação no Mar Negro antes do inverno, enquanto a Rússia demonstrava pouco interesse em negociações mais amplas.
32
Zelenskyy advertiu que, sem uma trégua sobre ataques à energia, a Ucrânia retaliaria e o próximo inverno poderia ser “profundamente doloroso” para a Rússia.
32
Riscos para civis continuaram imediatos
As consequências não se restringiam ao embate diplomático. Reportagens do dia das discussões na ONU relataram um ataque russo a Kyiv que matou ao menos duas pessoas e feriu 22. Os ataques ucranianos contra instalações de energia russas também elevaram o risco de danos à infraestrutura e à população civil.
33
41
As informações disponíveis não estabelecem um total único e definitivo de vítimas civis especificamente ligado à reunião do Conselho de Segurança ou ao seu contexto imediato. O que está claro é que os sistemas de energia, água e aquecimento se tornaram uma preocupação humanitária central com a aproximação do inverno.
23
25
Em termos práticos
A reunião expôs um contraste direto: a Ucrânia defendeu um cessar-fogo completo seguido de negociações; a Rússia disse que as negociações não exigiriam a suspensão de suas operações militares.
8
34
Isso explica por que o amplo respaldo internacional não resultou numa interrupção imediata dos combates. O Conselho de Segurança pode ampliar a pressão diplomática, mas, sem consentimento russo — ou sem uma medida vinculante que a Rússia não bloqueie — o apelo por cessar-fogo permanece uma exigência política, e não um resultado executável.