A virada da Ned Davis Research (NDR) chama atenção pelo contraste com o alerta que a própria empresa fez no início do ano. Em fevereiro, seus analistas consideravam que o bitcoin poderia cair até US$ 31 mil se a baixa se transformasse em um “inverno cripto” completo — um período prolongado de queda no mercado. Era um cenário de risco, não uma previsão de que a cotação necessariamente chegaria àquele nível. Em 24 de setembro, uma manchete da Reuters informou que a NDR havia passado a adotar uma visão otimista.
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O que mudou foi o comportamento do mercado: a perda observada até agora foi menor que a de grandes ciclos anteriores, o bitcoin voltou a subir e houve sinais de demanda por meio de fundos. Esses dados ajudam a entender a mudança de perspectiva, sem confirmar que a mínima já ficou para trás.
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Uma queda forte, mas menor que as anteriores
Segundo a Fidelity, a mínima registrada em junho de 2026 estava cerca de 53% abaixo do recorde anterior do bitcoin. Nas baixas históricas que a instituição classifica como mercados de baixa, as perdas chegaram a pelo menos 77%. A Fidelity ressalva, porém, que é possível discutir se a queda recente se enquadra na mesma definição. Chamá-la de menor mercado de baixa concluído também exigiria saber que junho marcou a mínima definitiva.
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Para quem manteve o investimento, a diferença é relevante, mas não torna a perda pequena: recuperar uma queda de 53% exige uma alta de aproximadamente 113% a partir do valor restante. Após uma queda de 77%, a alta necessária é de cerca de 335%. E um ciclo menos severo não garante que o próximo seguirá o mesmo padrão.
O que sustenta a recuperação
A Invesco registrou uma subida do bitcoin da faixa inicial dos US$ 60 mil para acima de US$ 80 mil em agosto, acompanhada de fortes entradas em produtos negociados em bolsa. Em 21 de setembro, a CNBC informou que a moeda era negociada acima de US$ 85 mil, depois de ter superado US$ 126 mil no pico de outubro de 2025.
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Os fluxos oferecem outra pista. Reportagem de setembro associou o rompimento dos US$ 80 mil à demanda de investidores institucionais e de ETFs de bitcoin à vista — fundos negociados em bolsa que acompanham o preço do ativo. Um analista citado apontou entradas próximas de US$ 1 bilhão nesses ETFs. Um dia forte de aportes, contudo, não mostra quanto dinheiro permaneceu investido durante toda a queda nem prova que os compradores pretendem manter suas posições no longo prazo.
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Há ainda um sinal técnico: segundo reportagem de setembro, o bitcoin fechou uma semana acima de sua média móvel de 50 semanas pela primeira vez desde novembro de 2025. Isso é compatível com uma melhora da tendência de preço, não com uma garantia contra novas quedas.
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Um “piso mais alto” ainda é hipótese
A possível explicação é que uma base maior de compradores, incluindo instituições, esteja absorvendo vendas e limitando as quedas. Os analistas da NDR já haviam levantado essa possibilidade mesmo quando alertavam para o risco de um inverno mais rigoroso. A recuperação e os aportes recentes são compatíveis com a hipótese, mas não demonstram que esses compradores sustentarão o mercado na próxima onda de vendas.
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Também não está resolvido o que uma baixa menos profunda significaria para as próximas altas. Matt Hougan, diretor de investimentos da Bitwise, afirmou que o inverno cripto terminou e projetou um mercado de alta especialmente forte e duradouro. Trata-se de uma avaliação, não de um resultado estabelecido. Por enquanto, a conclusão mais sólida é que os sinais melhoraram — não que o bitcoin tenha encontrado um preço mínimo permanente.
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