A Alemanha, porém, cresceu acima da previsão média de 0,1% e vinha de um primeiro trimestre mais forte, revisado de 0,3% para 0,4%. Na França, o avanço representou uma retomada após uma contração revisada de 0,1% no primeiro trimestre.
A diferença de ponto de partida é relevante. A Alemanha entrou no período com mais impulso, enquanto a França precisou primeiro interromper uma trajetória de retração.
Na Alemanha, o principal motor do crescimento foi a melhora das exportações, apoiada por uma indústria que resistiu melhor do que se temia aos efeitos da guerra no Irã.
O consumo também se manteve relativamente firme, de acordo com a análise mensal do Bundesbank, o banco central alemão. A instituição afirmou que os consumidores continuaram gastando e que o setor industrial mostrou alguma resiliência, beneficiado pela demanda externa e pelo aumento das exportações.
Esse desempenho, no entanto, foi parcialmente compensado pelo aumento dos custos de energia e de matérias-primas. A interrupção no Estreito de Ormuz — uma rota estratégica para o comércio global de petróleo e gás — elevou a pressão sobre a economia europeia.
O resultado francês teve uma composição mais estreita. A recuperação foi liderada pelo comércio exterior líquido, que contribuiu com 0,6 ponto percentual para o crescimento do trimestre. As exportações aumentaram 2,6%, depois de terem recuado 3,1% no primeiro trimestre, enquanto as importações cresceram 0,8%.
A demanda interna final, excluindo a variação de estoques, contribuiu com apenas 0,1 ponto percentual. Segundo o instituto de estatísticas francês INSEE, as condições da demanda doméstica continuaram frágeis.
O consumo das famílias subiu 0,2%, após uma queda de 0,3% no primeiro trimestre. O investimento fixo bruto, por outro lado, caiu novamente, 0,3%, depois de uma retração de 0,8% no período anterior.
A demanda interna é o ponto em que os caminhos de França e Alemanha mais se distanciam.
O aumento do petróleo provocado pelo conflito no Irã reduziu o poder de compra dos consumidores franceses. O Banco da França estima que o choque energético tenha diminuído sua projeção de crescimento para 2026 de 0,9% para 0,5%.
O INSEE calcula que o choque do petróleo poderá retirar aproximadamente 0,2 a 0,3 ponto percentual do crescimento francês neste ano.
A combinação de consumo fraco, investimento em queda e uma contração no primeiro trimestre evidencia a dificuldade de a economia francesa gerar crescimento a partir de sua própria demanda.
Na Alemanha, o consumo mostrou maior resistência e a indústria conseguiu se manter ativa. A expansão de 0,4% no primeiro trimestre também deu ao país uma base mais favorável para o segundo trimestre.
Ainda assim, a alta dos custos de energia pesa sobre empresas e consumidores. O Ministério da Economia alemão havia alertado que a guerra no Irã poderia provocar uma “desaceleração significativa” no segundo trimestre, citando preços mais altos, problemas nas cadeias de suprimentos e incerteza.
A guerra no Irã, incluindo o bloqueio do Estreito de Ormuz, provocou um choque nos preços de energia em toda a Europa.
Na França, o efeito aparece principalmente na perda de poder de compra das famílias. Na Alemanha, a pressão é mais visível nos custos industriais, de energia e de matérias-primas. O Conselho de Especialistas Econômicos alemão, conhecido como IMK, também apontou que o choque energético atingiu o crescimento do país.
O instituto ifo estima que, em um cenário de desescalada do conflito, a guerra reduziria em 0,2 ponto percentual o crescimento alemão em 2026.
As tarifas americanas representam um risco especialmente importante para economias dependentes das exportações. A EY estima que elas reduzam em cerca de 0,5 ponto percentual o crescimento do PIB da União Europeia em 2026, com impactos mais fortes nas economias voltadas ao comércio exterior.
A Alemanha está mais exposta nesse aspecto por sua base manufatureira e pelo setor automotivo, que dependem fortemente das exportações. O instituto ifo afirmou que as tarifas americanas continuam pesando sobre as vendas alemãs aos Estados Unidos.
A França também enfrenta o impacto das barreiras comerciais, mas sua vulnerabilidade mais imediata está na demanda doméstica e no efeito dos preços de energia sobre o consumo.
As previsões para o ano inteiro continuam modestas e foram revisadas para baixo após o início da guerra no Irã.
| Indicador | Alemanha | França |
|---|---|---|
| PIB no 2º trimestre de 2026 | +0,2% — acima das expectativas | +0,2% — em linha com as expectativas |
| PIB no 1º trimestre de 2026 | +0,4% — revisão para cima | -0,1% — revisão para baixo |
| Principal motor | Exportações e indústria resiliente | Recuperação do comércio exterior líquido |
| Demanda interna | Relativamente mais firme | Fraca e lenta |
| Principal efeito da guerra no Irã | Custos de energia e matérias-primas | Perda de poder de compra dos consumidores |
| Exposição às tarifas dos EUA | Alta, especialmente na indústria e nos automóveis | Moderada |
| Projeção de crescimento em 2026 | De 0,5% a 0,8%, conforme a instituição | De 0,5% a 0,7%, conforme a instituição |
O crescimento de 0,2% não significa que França e Alemanha estejam em situações equivalentes. A Alemanha chegou ao segundo trimestre com mais força, contou com exportações e mostrou maior resistência do consumo e da indústria. A França voltou a crescer, mas apoiada principalmente pela recuperação das exportações, enquanto a demanda interna permaneceu praticamente estagnada.
As duas economias enfrentam uma combinação difícil de energia mais cara, incerteza geopolítica e tarifas americanas. A Alemanha está mais vulnerável ao comércio exterior e à indústria exportadora; a França, ao impacto do choque energético sobre as famílias. O resultado do segundo trimestre trouxe alívio para ambas, mas ainda não representa uma retomada sólida.