Na prática, a cúpula funcionou mais como um esforço para evitar uma escalada nas tensões do que como uma negociação capaz de resolver as disputas centrais entre Washington e Pequim.
O comércio continuou sendo o tema econômico mais importante do encontro. Ainda assim, não houve anúncio confirmado de redução de tarifas entre os dois países — um dos pontos mais sensíveis da relação bilateral.
Em vez disso, os anúncios se concentraram em possíveis compras chinesas de produtos americanos. Entre os itens citados estão:
Esse tipo de compromisso já apareceu em negociações anteriores entre os dois países: aumentar compras de produtos americanos ajuda a reduzir o déficit comercial dos EUA sem enfrentar questões mais profundas, como subsídios industriais chineses, acesso ao mercado ou restrições tecnológicas.
Um dos anúncios mais comentados veio do próprio Trump, que afirmou que a China concordou em comprar cerca de 200 aviões da Boeing durante as conversas.
No entanto, autoridades chinesas não confirmaram imediatamente os detalhes do suposto acordo. Também não foram divulgadas informações sobre modelos das aeronaves, valores, contratos ou prazos de entrega.
Por isso, especialistas trataram o anúncio com cautela. Em negociações diplomáticas desse tipo, declarações sobre grandes compras às vezes representam compromissos iniciais — e não contratos fechados.
Se o comércio foi o tema econômico central, Taiwan foi claramente o assunto geopolítico mais delicado da reunião.
Segundo relatos da mídia internacional citando autoridades chinesas, Xi Jinping advertiu que lidar de forma inadequada com a questão de Taiwan poderia levar a “choques e até conflitos” entre China e Estados Unidos.
Para Pequim, Taiwan é o tema mais sensível da relação com Washington. A ilha é governada de forma autônoma, mas a China a considera parte de seu território. Os Estados Unidos, por sua vez, são o principal apoiador internacional de Taiwan e fornecem armamentos defensivos.
Após a cúpula, Trump disse que ainda não havia decidido se seguiria adiante com um grande pacote de venda de armas dos EUA para Taiwan que havia sido anunciado anteriormente.
Essa indefinição mostra como a questão de Taiwan continua influenciando outras negociações entre os dois países.
Apesar dos resultados limitados, ambos os lados indicaram que o diálogo continuará. O encontro em Pequim foi descrito como o primeiro de três encontros planejados entre Trump e Xi em 2026.
Manter esse canal direto entre líderes é visto como uma forma de administrar a competição crescente entre as duas potências — especialmente nas áreas de comércio, tecnologia e segurança.
No final das contas, o encontro não resolveu as principais divergências entre Estados Unidos e China. Questões como tarifas comerciais, restrições tecnológicas, Taiwan e disputas geopolíticas mais amplas continuam em aberto.
O principal resultado da cúpula foi outro: evitar que a relação entre as duas potências se deteriore ainda mais, mantendo negociações e cooperação limitada enquanto os desacordos estruturais permanecem.