A transação foi concluída em 3 de agosto de 2026 e se tornou o maior investimento da Mastercard em infraestrutura de ativos digitais até o momento . Mais do que comprar uma startup de cripto, a empresa está adquirindo a camada tecnológica necessária para conectar pagamentos tradicionais e transações realizadas em redes blockchain.
Os principais termos da aquisição são:
Segundo os dados divulgados pela BVNK, esse volume não correspondia apenas a operações institucionais de balcão. Tratava-se de pagamentos empresariais reais, incluindo movimentações internacionais entre empresas, liquidações de comerciantes, operações de tesouraria e pagamentos globais de salários .
Mastercard e BVNK apresentaram a operação como um passo para construir uma “rede para todas as formas de dinheiro”. A ideia é tornar interoperáveis moedas fiduciárias, stablecoins, depósitos tokenizados e outros ativos digitais em uma infraestrutura global de pagamentos .
Na prática, a Mastercard pretende:
A BVNK descreve as stablecoins como “mais um trilho de pagamento”, capaz de operar em conjunto com redes de cartões e sistemas não baseados em cartões, como o RTP, ou Real-Time Payments — os sistemas de pagamentos em tempo real .
O ponto central da estratégia é reduzir a distância entre os dois mundos. Para o usuário final, a operação poderia significar uma experiência mais simples, mesmo quando o pagamento percorre diferentes moedas, redes ou sistemas de liquidação nos bastidores.
A BVNK fornece infraestrutura de pagamentos com stablecoins voltada a empresas. Sua plataforma permite enviar, receber, armazenar e converter stablecoins e moedas fiduciárias . Entre os principais produtos estão:
A empresa atuava em mais de 130 países e tinha clientes como Worldpay, Deel, Flywire e Corpay . A Citi Ventures, que investiu na BVNK, destacou a infraestrutura da empresa como um componente importante para a expansão de uma economia digital disponível 24 horas por dia .
A Concentric foi uma das primeiras investidoras institucionais da BVNK, entrando quando a empresa tinha uma avaliação aproximada de US$ 4 milhões . A gestora também participou da rodada Série A de US$ 40 milhões, liderada pela Tiger Global em maio de 2022, e continuou investindo em rodadas posteriores .
Considerando o valor efetivo da aquisição, entre US$ 1,5 bilhão e US$ 1,8 bilhão, o investimento inicial da Concentric teria gerado um retorno estimado de aproximadamente 375 vezes ou mais, antes dos efeitos de diluição . É um dos resultados mais expressivos associados ao capital de risco de fintech na Europa.
A própria Concentric celebrou publicamente a transação como um marco para o ecossistema de stablecoins . O resultado também ilustra como investidores que apoiaram a infraestrutura de ativos digitais antes de sua adoção mais ampla podem se beneficiar quando grandes empresas financeiras entram no setor por meio de aquisições.
A aquisição indica uma mudança de postura das grandes redes de pagamentos. Em vez de apenas testar aplicações de blockchain ou estabelecer parcerias pontuais, essas empresas estão começando a incorporar diretamente a infraestrutura de ativos digitais.
A operação amplia uma estratégia que já incluía cartões vinculados a criptomoedas, patentes relacionadas à liquidação em blockchain e o lançamento da Multi-Token Network, rede própria da Mastercard para ativos digitais. Com a BVNK, a empresa passa a controlar uma camada de infraestrutura que antes poderia ser acessada principalmente por meio de parceiros .
A Visa também investiu em infraestrutura de liquidação com stablecoins, incluindo um piloto do VisaNet com a Circle e liquidações em USDC na rede Solana. A diferença é que a compra da BVNK pela Mastercard representa a maior aquisição direta já anunciada nesse segmento .
O investimento da Citi Ventures reforça que o interesse não está restrito a empresas nativas de criptomoedas. A instituição apresentou a BVNK como uma forma de ajudar bancos tradicionais a operar em uma economia digital contínua, na qual as stablecoins podem funcionar como um trilho central de pagamentos .
O volume anualizado de US$ 30 bilhões processado pela BVNK, combinado com o crescimento de 2,3 vezes em um ano, sugere que as stablecoins estão avançando para usos empresariais mais amplos. Entre eles estão pagamentos B2B internacionais, folhas de pagamento globais, liquidações de comerciantes e financiamento da cadeia de suprimentos .
Para a Mastercard, a BVNK oferece algo que uma simples parceria não proporcionaria: uma infraestrutura própria para ligar cartões, contas bancárias, stablecoins, depósitos tokenizados e outras formas de valor. Para a BVNK, a integração fornece acesso à escala, aos relacionamentos institucionais e à capacidade operacional de uma das maiores redes de pagamentos do mundo.
O acordo sinaliza, portanto, que a infraestrutura de stablecoins está deixando de ser vista como um complemento de nicho. Para as grandes redes de pagamentos, ela começa a ser tratada como uma capacidade estratégica — e possivelmente indispensável — na próxima geração dos pagamentos globais .