As inspeções não encontraram danos estruturais. A TSMC informou que os prédios e os equipamentos essenciais para a segurança permaneciam intactos. As obras de expansão da JASM também não foram afetadas . A fábrica registrou intensidade sísmica máxima de 5 na escala japonesa .
A retomada começou gradualmente na própria noite do terremoto . Em 4 de agosto, a TSMC informou que as operações haviam voltado totalmente ao normal e anunciou uma doação de ¥ 250 milhões para os esforços de socorro .
Durante a reinicialização, eram esperadas perdas pontuais por quebra de wafers — as lâminas de silício usadas na fabricação dos chips — e pela necessidade de requalificar ferramentas e equipamentos . Ainda assim, analistas avaliaram que o efeito sobre a receita da TSMC no terceiro trimestre seria limitado .
A paralisação não ficou restrita à TSMC. Empresas de diferentes etapas da indústria em Kumamoto e no restante de Kyushu interromperam atividades para verificar prédios, equipamentos e processos de produção. Entre elas estavam:
A partir de 3 de agosto, a TEL e a Sony estavam entre as empresas que começaram a retomar a produção em lotes, depois de inspeções de segurança e recalibração de equipamentos .
A avaliação predominante de analistas e veículos especializados foi de que o efeito sobre a cadeia global seria limitado, principalmente porque não foram confirmados danos estruturais graves nas principais instalações . Ainda assim, permaneceram riscos de atrasos localizados, remessas de equipamentos postergadas e dificuldades logísticas.
Alguns relatos chegaram a projetar meses de instabilidade. Essas previsões, no entanto, não se confirmaram até o momento, diante da rápida reabertura da maioria das unidades afetadas .
O setor automotivo enfrentou consequências mais visíveis. Além da interrupção temporária em fábricas de chips, estradas danificadas, rotas bloqueadas e problemas no transporte de peças impediram o funcionamento de unidades que não haviam sofrido danos estruturais diretos .
O episódio expôs novamente a vulnerabilidade do modelo just-in-time, adotado pelas montadoras para receber peças na quantidade e no momento exatos da fabricação. Quando um elo regional para, o efeito pode alcançar fábricas muito distantes — mesmo que elas estejam intactas.
Apesar das especulações iniciais, não há evidência de que o terremoto tenha agravado de maneira material a escassez de DRAM, um tipo de memória usado em computadores, celulares e servidores.
Kumamoto não é um dos principais centros mundiais de fabricação de DRAM, e os relatos sobre as fábricas paralisadas não identificaram fabricantes desse tipo de memória entre as unidades afetadas. Portanto, o terremoto não acrescentou, com base nas informações disponíveis, uma pressão significativa ao mercado de DRAM.
As entregas de chips da Apple não sofreram uma ameaça direta relevante por causa do terremoto. A fábrica JASM produz principalmente chips automotivos e industriais em processos de 28/22 nanômetros e 16/12 nanômetros. Ela não fabrica os processadores avançados das linhas A e M usados em iPhones, iPads e Macs, que são produzidos nas unidades mais avançadas da TSMC em Taiwan .
Um impacto sobre a Apple poderia ocorrer apenas de forma indireta, caso uma paralisação prolongada pressionasse a oferta geral de componentes ou afetasse fornecedores relacionados. Como a JASM se recuperou rapidamente e os principais chips da Apple são fabricados em outro país, esse risco permaneceu baixo.
O terremoto de 28 de julho foi um teste importante para a concentração industrial de Kyushu, mas o cenário mais grave não se concretizou. A fábrica JASM da TSMC voltou ao normal em menos de uma semana, outras instalações retomaram as atividades em ritmo semelhante e a cadeia global de semicondutores absorveu o choque sem provocar uma escassez generalizada.
O impacto mais concreto apareceu na indústria automotiva, onde a dependência de fornecedores regionais e do sistema just-in-time ampliou os efeitos de estradas danificadas, rotas interrompidas e atrasos no fornecimento de peças. O caso também mostrou que fábricas modernas podem resistir bem a grandes tremores, mas suas redes logísticas continuam vulneráveis a uma interrupção concentrada em um único polo industrial.