As autoridades afirmaram que as casas de câmbio operavam sem registro, o que configura crime mesmo antes da nova lei de criptomoedas entrar em vigor em 1º de setembro . Os escritórios ficavam em uma das torres mais conhecidas do complexo, a Federation Vostok .
Um detalhe curioso: alguns dos funcionários presos acreditavam que estavam trabalhando para o FSB, o que sugere que a rede pode ter usado documentos ou uma fachada falsa do serviço de segurança russo para recrutar funcionários — um sinal claro de que o esquema era sofisticado e usava um disfarce oficial para dar legitimidade às operações ilegais .
De acordo com o FSB, a rede de câmbio era parte de um esquema de lavagem de dinheiro ligado a centrais telefônicas fraudulentas na Ucrânia . O esquema funcionava em três etapas:
Segundo a agência de notícias russa Izvestia, o movimento financeiro da rede chegava a US$ 2 milhões por dia em um único escritório . Uma única vítima teria perdido 144 milhões de rublos (cerca de R$ 9,5 milhões) em um só golpe .
A investigação revelou que alguns dos chamados "correios" — responsáveis por recolher o dinheiro em espécie das vítimas e levar até as casas de câmbio — tinham entre 18 e 25 anos .
A operação do FSB aconteceu apenas três dias depois de o presidente Vladimir Putin sancionar a Lei Federal nº 282-FZ "Sobre Moedas Digitais e Direitos Digitais" em 4 de agosto de 2026 . A lei, que tem quase 300 páginas, é o primeiro marco regulatório abrangente para criptomoedas na Rússia . Seus principais pontos são:
O momento e a forma como a operação foi conduzida mostram várias intenções do governo russo:
Em vez de esperar a nova lei começar a valer em setembro, o FSB agiu imediatamente, usando leis criminais já existentes para fechar as casas de câmbio irregulares . A mensagem é clara: a "zona cinzenta" das criptomoedas na Rússia acabou, mesmo antes do novo regime de licenciamento começar .
A nova lei cria um mercado regulado de criptomoedas supervisionado pelo Banco Central . Ao invadir as casas de câmbio não registradas, o governo está dizendo que só serão toleradas as operações com licença do Banco Central. Quem atuar fora desse sistema enfrentará a ação do serviço de segurança, não apenas multas financeiras .
O fato de o FSB — e não a polícia financeira ou a Receita Federal — ter liderado a operação mostra que Moscou trata o fluxo de criptomoedas não regulamentado como uma ameaça à segurança nacional, especialmente em relação à transferência de dinheiro para a Ucrânia .
A nova lei proíbe o uso de criptomoedas como moeda doméstica, mas permite para transações internacionais justamente para driblar as sanções ocidentais . As invasões reforçam que Moscou quer controlar — e não banir — a saída de criptomoedas, mas apenas por canais aprovados e rastreáveis pelo Estado .
Os detidos enfrentam acusações de fraude em larga escala e lavagem de dinheiro, com penas de até 10 anos de prisão . Para o mercado de criptomoedas na Rússia, o recado é claro: a partir de 1º de setembro de 2026, operar fora do sistema de licenciamento do Banco Central não é apenas ilegal — é uma questão de segurança nacional que pode trazer todo o peso do FSB.