| Lucro bruto | US$ 3,1 bilhões | +40,7% | O lucro bruto aumentou, mas abaixo do ritmo da receita. |
| Lucro líquido | US$ 438,2 milhões | +6,7% | A empresa seguiu lucrativa, porém com avanço modesto no resultado final. |
| EBITDA ajustado | US$ 1,0 bilhão | +9,3% | A geração operacional cresceu, mas não acompanhou o salto da receita. |
A surpresa positiva foi clara na receita. Antes do balanço, a AskTraders citava consenso do Yahoo Finance de US$ 6,4 bilhões; a Longbridge apontava US$ 6,4555 bilhões; e a FXEmpire trazia US$ 6,61 bilhões para a receita do trimestre. Contra esses números, os US$ 7,1 bilhões reportados pela Sea ficaram cerca de US$ 0,5 bilhão a US$ 0,7 bilhão acima do esperado.
A comparação de EPS, ou lucro por ação, é menos conclusiva. As estimativas prévias disponíveis ficavam em torno de US$ 0,70 a US$ 0,77, mas os trechos do resultado do 1T26 fornecidos aqui reportam lucro líquido, não um EPS confirmado para o trimestre. Portanto, com a evidência disponível, não dá para afirmar com segurança se houve beat ou miss em EPS.
A Shopee seguiu como o principal motor visível da Sea. A apresentação do 1T26 mostrou receita GAAP de US$ 5,1 bilhões na Shopee, alta de 45,1% na comparação anual e de 2,8% contra o trimestre anterior. A Sea também disse que a plataforma atingiu novos recordes de GMV, volume bruto de pedidos e receita, mantendo disciplina financeira.
GMV, para o leitor que não acompanha o jargão de e-commerce, é o valor bruto das mercadorias transacionadas na plataforma. A direção da mensagem é forte: a Shopee vendeu mais e bateu recordes. Mas há uma limitação importante: as fontes de 1T26 fornecidas não trazem um valor específico, em dólares, para o GMV da Shopee no trimestre.
A base de comparação já era grande. Em 2025, a Sea disse que a Shopee atendia cerca de 400 milhões de compradores ativos e 20 milhões de vendedores. Materiais de 2025 também indicavam que a administração mirava crescimento de cerca de 25% no GMV da Shopee em 2026, mantendo o EBITDA ajustado pelo menos estável em relação a 2025 em dólares absolutos.
Isso ajuda a explicar por que investidores olham não só para o crescimento do volume, mas para quanto lucro a Shopee consegue preservar enquanto continua investindo.
A Garena, braço de games da Sea, também ajudou no trimestre. A apresentação do 1T26 informou alta de 20,1% ao ano e de 38,5% trimestre contra trimestre em bookings, com o gráfico indicando cerca de US$ 931 milhões em bookings no 1T26.
Esse salto sequencial importa porque o negócio de entretenimento digital tende a oscilar mais que e-commerce e serviços financeiros. O dado do 1T26 sugere que a recuperação da Garena avançou em 2026, em vez de perder força depois de 2025, quando a Sea reportou US$ 2,9 bilhões em bookings e US$ 1,7 bilhão em EBITDA ajustado da Garena no ano.
A Monee, unidade de serviços financeiros digitais da Sea, apresentou o crescimento mais acelerado entre as métricas de balanço disponíveis. A apresentação do 1T26 mostrou principal de empréstimos em aberto de US$ 9,9 bilhões, alta de 71,3% em um ano e de 7,5% ante o trimestre anterior.
A própria apresentação observa que esse número inclui empréstimos a consumidores e pequenas e médias empresas, tanto dentro quanto fora do balanço. O crescimento dá sequência a um 2025 forte: naquele ano, a Monee gerou US$ 3,8 bilhões em receita e US$ 1,0 bilhão em EBITDA ajustado, segundo dados reportados pela Sea citados nas fontes fornecidas.
A empresa também disse que a Monee conquistou mais de 20 milhões de tomadores únicos de primeira viagem em 2025.
O outro lado de uma carteira de crédito crescendo tão rápido é a qualidade dos empréstimos. Uma nota do Maybank citada nas fontes afirma que a penetração de BNPL — compre agora, pague depois — da Monee seguia na faixa de meados dos 10% e menciona créditos inadimplentes acima de 90 dias em torno de 1,1%. Mas esse é um contexto de analista, não uma métrica de crédito reportada pela companhia nos trechos do resultado do 1T26 fornecidos aqui.
A principal preocupação é a conversão de crescimento em lucro. A receita avançou 46,6%, mas o lucro bruto cresceu 40,7%, o EBITDA ajustado subiu 9,3% e o lucro líquido aumentou 6,7%. Em outras palavras: a demanda parece forte, mas a margem não acompanhou na mesma velocidade.
A própria linguagem da administração aponta nessa direção. No comunicado do 1T26, a Sea descreveu 2026 como um ano para reforçar suas vantagens competitivas mantendo disciplina financeira, e disse que a economia unitária de alguns investimentos começava a melhorar. É uma mensagem positiva, mas também sinaliza que o ciclo de investimentos segue como parte central da história de 2026.
A cautela não começou agora. Antes do resultado, a AskTraders observou que a Sea havia ficado abaixo das estimativas de lucro nos quatro trimestres anteriores e que, no 4T25, a receita superou expectativas enquanto o EPS GAAP ficou abaixo das projeções. Outra fonte fornecida também enquadrou o miss de EPS do 4T25 como um fator de preocupação sobre crescimento futuro e rentabilidade.
Para o 1T26, porém, as fontes fornecidas não confirmam a reação da ação após o balanço nem uma surpresa reportada de EPS.
O balanço do 1T26 foi forte do ponto de vista de crescimento: a receita superou as estimativas disponíveis, a Shopee avançou com força, a carteira de empréstimos da Monee continuou acelerando e os bookings da Garena melhoraram tanto na comparação anual quanto na sequencial.