O percurso de 200 km era o último grande teste de montanha deste Giro, com uma subida dupla ao temido final em Piancavallo . Protegido por seus companheiros de equipe durante os primeiros dois terços do dia, Vingegaard, que já iniciara a etapa com 4m03s de frente para Gall, esperou o momento certo para o bote
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Faltando 11 quilômetros para a chegada, o camisa rosa disparou o ataque que definiu sua campanha, desgarrando-se instantaneamente do grupo dos favoritos . Implacável, ele completou a etapa em 5 horas, 3 minutos e 55 segundos, cruzando a linha de chegada com 1 minuto e 15 segundos sobre Gall e o ex-campeão Jai Hindley, que completam o pódio virtual
. Sua quinta vitória parcial o torna o ciclista mais vitorioso em uma única edição do Giro desde o domínio de Chris Froome em 2018
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A magnitude da conquista de Vingegaard vai muito além do troféu. Aos 29 anos, ele entra para um seleto clube que parecia intransponível. Após vencer o Tour de France em 2022 e 2023 e a Volta a Espanha em 2025, o dinamarquês completa sua coleção de Grandes Voltas, um feito que pertence apenas a lendas como Jacques Anquetil, Eddy Merckx, Felice Gimondi, Bernard Hinault, Alberto Contador, Vincenzo Nibali e Chris Froome .
Desde que Froome o fez em 2017, nenhum outro ciclista havia conseguido entrar nesse grupo. Nomes da nova geração como Tadej Pogačar e Egan Bernal pararam na metade do caminho, com duas das três grandes provas no currículo . A conquista atesta não apenas o talento geracional do escandinavo, mas uma versatilidade rara para domar as diferentes exigências dos terrenos de Itália, França e Espanha.
A glória de Vingegaard foi construída dentro de uma demonstração de força do coletivo da Visma. Na véspera do momento histórico do líder, a equipe já havia celebrado uma vitória emocionante com Sepp Kuss na etapa rainha de número 19, nas Dolomitas .
Kuss, um dos principais gregários de luxo do time, recebeu liberdade para se juntar à fuga do dia. Ele atacou na brutal chegada ao alto do Piani di Pezzè, caçando e ultrapassando o italiano Giulio Ciccone a dois quilômetros do fim para vencer com 13 segundos de vantagem sobre Derek Gee-West . A vitória teve um sabor especial: o americano completou sua própria trinca de vitórias em etapas nas três Grandes Voltas
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Entre as jovens revelações, o italiano Davide Piganzoli, de apenas 23 anos, foi um dos grandes nomes da prova. Terminando a 20ª etapa em 10º lugar, ele ocupa a 8ª posição na classificação geral e batalhou intensamente pela Maglia Bianca de melhor jovem. A camisa, contudo, deve ficar com o português Afonso Eulálio, que defendeu com bravura sua liderança da juventude nas etapas finais . A performance de Piganzoli, lado a lado com os melhores do mundo, sinaliza um futuro brilhante e atesta a profundidade do esquadrão neerlandês.
Antes mesmo do fim da prova, as perguntas já se voltavam para os próximos capítulos. O próprio Vingegaard já havia cogitado publicamente o maior de todos os desafios: tentar a dobradinha Giro-Tour de France na mesma temporada . Um feito de dificuldade hercúlea, considerado por muitos como o ápice da resistência no esporte, alcançado pela última vez pelo mítico Marco Pantani em 1998, e antes dele por monstros como Merckx e Hinault
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A concretização desse plano significaria um confronto direto e de altíssima voltagem com Tadej Pogačar no Tour de France. O esloveno, que derrotou Vingegaard na edição de 2025 impedindo seu tricampeonato consecutivo, não participou deste Giro. Uma tentativa de dobradinha do dinamarquês se tornaria instantaneamente a narrativa central da temporada, um embate de titãs entre os dois maiores nomes do ciclismo mundial na atualidade .
Com os 131 quilômetros da 21ª etapa em Roma sendo uma formalidade, Jonas Vingegaard está prestes a ser coroado campeão do Giro d'Italia, um título que o eleva à condição de lenda viva e imediatamente redireciona os holofotes do esporte para um objetivo ainda maior e mais audacioso .