O Longa Marcha 12B (CZ-12B) é um veículo lançador de nova geração, desenvolvido pela Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China (CASC). Trata-se de uma variante mais potente e com orientação comercial do Longa Marcha 12A, projetada para reutilização parcial, com o objetivo de reduzir os custos de lançamento e aumentar a cadência de voos . Seu desenvolvimento incluiu um teste de ignição estática do primeiro estágio ocorrido em 16 de janeiro de 2026, abrindo caminho para este lançamento de junho
.
A carga útil em sua missão de estreia foi o 10º lote de satélites Qianfan, também conhecida como constelação Spacesail (Vela Espacial) ou "Mil Velas". Este grupo de satélites foi relatado como parte do “grupo polar 08” e foi fabricado pela Genesat, uma fabricante comercial de espaçonaves . Com este lançamento, o número total de satélites Qianfan em órbita chega a aproximadamente 180
.
O lançamento do Longa Marcha 12B não foi um evento isolado. Foi o poderoso terceiro ato em um período notavelmente denso de duas semanas para a atividade espacial chinesa, que mesclou marcos de voo espacial tripulado com a expansão de constelações comerciais.
Apenas três dias antes do lançamento do foguete, em 29 de maio de 2026, os três astronautas da missão Shenzhou-21 retornaram à Terra após uma estadia recorde de 210 dias em órbita a bordo da estação espacial Tiangong . A tripulação — Zhang Lu, Wu Fei e Zhang Hongzhang — pousou em segurança no local de aterrissagem de Dongfeng, na Mongólia Interior, quebrando o recorde anterior para uma única missão tripulada chinesa
.
O retorno deles foi notável por mais do que sua duração. Devido a suspeitas de danos causados por detritos espaciais na espaçonave Shenzhou-20, os astronautas voltaram para casa na cápsula de retorno da Shenzhou-22, que havia sido lançada vazia especificamente para essa contingência .
Apenas cinco dias antes do retorno da Shenzhou-21, a China já havia enviado seus substitutos para a estação espacial. A missão Shenzhou-23 foi lançada em 24 de maio de 2026, às 23h08 no horário de Pequim, a partir de Jiuquan, sobre um foguete Longa Marcha 2F . A tripulação — o comandante Zhu Yangzhu, Zhang Zhiyuan e Lai Ka-ying (a primeira astronauta de Hong Kong) — inclui um membro que deverá permanecer no espaço por um ano inteiro, o dobro da duração padrão das missões
.
Os 18 satélites lançados pelo Longa Marcha 12B são uma peça fundamental de um quebra-cabeça muito maior. A Constelação Qianfan é uma megaconstelação de internet de órbita terrestre baixa planejada que, em última instância, visa implantar mais de 15 mil satélites até 2030 para fornecer cobertura global de banda larga . Operada pela Shanghai Spacesail Technologies, a rede é a principal resposta comercial da China à Starlink e vem acelerando sua implantação ao longo de 2026
.
Esta missão seguiu de perto o 9º lote de satélites Qianfan, que foi lançado em 17 de maio de 2026, do Local de Lançamento Espacial Comercial de Hainan, usando um foguete Longa Marcha 8 . O ritmo acelerado de lançamentos — frequentemente grupos de 18 satélites — demonstra a determinação da China em construir a primeira fase de 648 satélites para cobertura regional antes de expandir globalmente
.
A convergência desses eventos em questão de dias não é uma coincidência. Ela ilumina uma clara estratégia de via dupla: manter uma presença humana robusta e recordista no espaço a bordo da Tiangong enquanto, simultaneamente, constrói a infraestrutura de lançamento reutilizável e a capacidade de produção de satélites necessárias para competir no mercado de megaconstelações comerciais.
A estreia não anunciada do Longa Marcha 12B foi mais do que um único lançamento bem-sucedido. Foi um sinal de que a China está sistematicamente encurtando a lacuna tecnológica em foguetes reutilizáveis, a capacidade mais importante para tornar economicamente viável uma constelação de 15 mil satélites.