Mesmo sem um bloqueio oficial, situações como atividade militar intensa, ataques a navios ou restrições de seguro marítimo podem reduzir drasticamente o tráfego de petroleiros.
Quando isso acontece, a oferta global se aperta rapidamente, porque grandes exportadores — como Arábia Saudita, Iraque e Emirados Árabes Unidos — dependem fortemente dessa rota para enviar petróleo aos mercados internacionais.
Segundo o UBS, enquanto o tráfego pelo estreito permanecer limitado, a tendência mais provável para os preços do petróleo é de alta, já que o mercado precisa precificar tanto perdas reais de oferta quanto o risco de interrupções ainda maiores.
As projeções mais extremas não representam o cenário principal dos analistas — são cenários de estresse usados para avaliar o impacto de uma crise mais prolongada.
Mesmo assim, o UBS e outros observadores do mercado alertam que uma interrupção prolongada no Estreito de Hormuz poderia provocar uma disparada nos preços.
Em um cenário extremo, vários fatores poderiam se combinar:
Nessas condições, analistas alertam que o Brent poderia ultrapassar temporariamente US$150 por barril, enquanto o mercado reavalia a magnitude do choque de oferta.
Normalmente, o mercado de petróleo depende de estoques comerciais e reservas estratégicas para absorver choques de oferta.
Quando interrupções persistem, porém, esses estoques começam a cair rapidamente. A redução acelerada de inventários costuma pressionar ainda mais os preços, porque os traders aumentam suas ofertas para atrair novos barris ao mercado e conter a demanda.
Por isso, governos e organizações internacionais acompanham de perto os níveis de reservas globais durante crises desse tipo.
O UBS não está sozinho na revisão das projeções. Bancos e agências internacionais também atualizaram suas expectativas para o petróleo diante da escalada do conflito.
O Goldman Sachs elevou suas previsões de curto prazo. O banco aumentou a projeção média do Brent em US$10 e do WTI em US$9 para o segundo trimestre, e estima que os preços poderiam subir cerca de US$15 adicionais por barril caso o Estreito de Hormuz permaneça fechado por um mês.
Em outro cenário analisado pelo banco, o Brent poderia atingir aproximadamente US$110 por barril se o fluxo de petróleo pelo estreito fosse reduzido pela metade durante um mês e continuasse parcialmente interrompido depois.
O HSBC também adotou uma visão mais otimista para os preços. O banco elevou sua previsão de preço médio do Brent em 2026 para cerca de US$95 por barril, assumindo um período mais longo de restrições no tráfego pelo estreito e recuperação gradual da produção e do transporte de petróleo no Golfo.
Outras instituições seguem a mesma direção. O Barclays aumentou sua previsão de Brent para cerca de US$100 por barril em 2026, destacando que quanto mais tempo durarem as interrupções, maior e mais persistente tende a ser o choque de preços.
A Agência Internacional de Energia tem adotado uma abordagem mais voltada à estabilização do mercado do que à previsão de preços.
Em resposta à crise, países membros da IEA concordaram em liberar cerca de 400 milhões de barris de petróleo de reservas estratégicas, a maior liberação coordenada da história da organização. A medida busca compensar perdas de oferta e reduzir a volatilidade do mercado.
Essas reservas existem justamente para situações de emergência, como uma grande interrupção de fornecimento envolvendo o Estreito de Hormuz.
Apesar das diferenças nas projeções, bancos e agências concordam em um ponto fundamental: o risco geopolítico mudou o equilíbrio do mercado de petróleo.
A principal divergência entre os analistas está na intensidade e na duração das interrupções.
Por enquanto, o mercado global de petróleo permanece equilibrado entre essas duas possibilidades. O fator decisivo será quanto tempo o fluxo de petroleiros pelo Estreito de Hormuz continuará comprometido e como o conflito na região evoluirá.