Essa enxurrada de dívidas é o motor financeiro por trás de um plano combinado de investimentos (CAPEX) de aproximadamente US$ 725 bilhões para 2026. O valor, confirmado nos balanços do primeiro trimestre, representa um salto de 64% em relação aos níveis de 2025 .
A captação bilionária está concentrada em poucos, mas cada um usa uma estratégia própria.
As manobras mais notáveis da Alphabet foram na diversificação para novos mercados de moedas, um sinal de uma nova fase no financiamento global da infraestrutura de IA.
A escala e a novidade dessa tomada de empréstimos estão criando pontos de tensão concretos no sistema financeiro global.
Oferta recorde está sobrecarregando o mercado. A emissão de títulos corporativos nos EUA está projetada para atingir US$ 2,46 trilhões em 2026, puxada pelos investimentos em IA . O enorme volume de dívida nova vindo de um único setor está testando a capacidade do mercado de absorvê-la, uma dinâmica não vista desde o boom das telecomunicações no final dos anos 1990 .
Efeito contágio global agora é real. A estreia da Alphabet no Japão e os planos da Amazon na Suíça significam que investidores japoneses, europeus e suíços estão agora diretamente expostos às apostas de um punhado de empresas de tecnologia americanas e aos retornos incertos de seus investimentos em IA. Uma piora no sentimento em relação à tecnologia pode, a partir de agora, reverberar nesses mercados de títulos de uma forma inédita .
Investidores estão perdendo a fé na história. Desde o final de 2025, uma ansiedade palpável migrou das bolsas de valores para o mercado de títulos. Investidores têm se desfeito da dívida das gigantes de tecnologia, fazendo com que o spread (a taxa extra que exigem para comprar esses títulos em relação aos títulos do Tesouro americano) subisse a níveis não vistos desde o choque tarifário de abril de 2025 . Como uma análise recente colocou de forma direta: “a era de confiar cegamente nos balanços das gigantes de tecnologia acabou” .
Alavancagem oculta nos balanços. No papel, a maioria dessas empresas ainda mantém uma dívida líquida baixa em relação ao seu patrimônio . No entanto, seus gastos totais já comprometidos são enormes. Uma análise da Moody’s calculou os compromissos totais das cinco maiores em US$ 969 bilhões, sendo que impressionantes dois terços — US$ 662 bilhões — estão atrelados a futuros aluguéis de data centers que ainda nem começaram, criando uma enorme exposição fora do balanço contábil tradicional .
A conta está ficando cada vez mais difícil de fechar. A escala do investimento é imensa, com os resultados do primeiro trimestre de 2026 confirmando um gasto anual combinado de ~US$ 725 bilhões . Algumas projeções chegam a estimar um CAPEX de US$ 770 bilhões . A depreciação dessa nova e vasta infraestrutura de IA já é um fator significativo: estima-se que ela já exceda o lucro anual combinado de algumas das empresas que estão construindo tudo isso .
Resumindo a ópera: Os US$ 159 bilhões em títulos emitidos por empresas de tecnologia em 2026 não têm precedentes, tanto em escala quanto em alcance global. Embora os balanços corporativos ainda não estejam à beira da ruptura, a combinação de oferta recorde, exposição crescente em mercados fora dos EUA e a profunda incerteza sobre a rentabilidade da IA está gerando um estresse real e crescente nos mercados de títulos de alto grau de investimento, corroendo uma confiança dos investidores que antes parecia inabalável.