A operação não foi um único ataque, mas uma campanha persistente de meses, mirando o que a unidade chamou de “ecossistema do aeródromo” . Os ataques cobriram praticamente todos os elementos necessários para operar uma base moderna de drones:
Essa abordagem metódica, combinada com ataques suplementares de mísseis SCALP/Storm Shadow e ATACMS em março de 2026, levou o 14º Regimento a declarar o aeroporto funcionalmente “inutilizável” para operações militares russas. O oficial da USF, Serafym “Falco” Hordiienko, explicou que a doutrina norteadora era a “influência assimétrica” — alcançar “o máximo de resultados de combate por meio de ações mínimas, porém precisas” .
A campanha do Aeroporto de Donetsk é apenas um nó em um projeto operacional muito mais amplo, chamado “Bloqueio Logístico”. Lançado no final de maio de 2026 pelo Ministério da Defesa da Ucrânia, sob o comando do ministro Mykhailo Fedorov, o programa conta com um orçamento dedicado de US$ 113 milhões . Seu objetivo explícito é destruir a logística russa — armazéns, depósitos de combustível, paióis de munição, postos de comando e, especialmente, comboios de suprimentos — mais rápido do que podem ser reabastecidos
.
A geografia focal é o corredor Rostov-on-Don–Mariupol–Berdyansk–Melitopol–Dzhankoy, uma rota terrestre de aproximadamente 500 km que se tornou a principal conexão da Rússia com a Crimeia, após a travessia do Estreito de Kerch ser degradada .
A IA como Motor de Seleção de Alvos
A peça central dessa estratégia é a mudança de ataques individuais com drones para um sistema integrado de seleção de alvos dirigido por IA. O drone de ataque Hornet é equipado com um sistema de IA treinado com milhares de horas de filmagens do campo de batalha, permitindo-lhe identificar e priorizar alvos além da linha de frente imediata . Isso é coordenado pelo software PRISMA, da empresa Palantir, que funde telemetria em tempo real, posições de radar, rotas de voo de drones e inteligência de alvos em um único panorama operacional
. O resultado é uma força que pode identificar sistematicamente lacunas na cobertura de radar russa e explorá-las com pacotes de ataque autônomos e precisos.
O Caminhão é o Alvo
A lógica estratégica da campanha é mais sofisticada do que simplesmente explodir armazéns. A Ucrânia está mirando sistematicamente a própria rede de transporte — caminhões-tanque, caminhões de munição e comboios de suprimentos . O raciocínio é simples: destruir um único caminhão elimina não apenas sua carga atual, mas também sua capacidade de transporte futura. De acordo com um relatório da BBC, um recorde de 483 veículos de transporte foi neutralizado em um único dia, em 29 de maio de 2026
. A métrica final de sucesso não é quantos veículos são destruídos, mas quantas toneladas de suprimentos realmente chegam às formações da linha de frente a cada dia
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Cegando as Defesas
Para viabilizar esses ataques profundos, a Ucrânia primeiro precisou cegar as defesas aéreas russas. Quase 50% das surtidas de médio alcance foram dirigidas especificamente contra estações de radar russas, lançadores de mísseis terra-ar e sistemas de alerta antecipado, incluindo radares P-18 e PRV-16, e sistemas de mísseis Tor, Buk-M3 e S-300 . Cada radar removido da rede amplia os corredores aéreos não defendidos pelos quais os drones ucranianos podem voar em direção a alvos mais profundos
. Essa supressão de defesa aérea permitiu diretamente a campanha do Aeroporto de Donetsk, bem como ataques a alvos estratégicos como a base aérea de Engels-2 e a rede logística mais ampla da Crimeia
.
Uma Nova Doutrina de ‘Influência Assimétrica’
O comandante da operação do Aeroporto de Donetsk enquadrou explicitamente a ação como um exercício de “influência assimétrica”. Ao usar forças precisas e relativamente pequenas para interromper permanentemente um local que a Rússia tratava como uma área de retaguarda segura, a Ucrânia está forçando uma realocação custosa de ativos de defesa aérea e segurança russos por um território enorme. Isso sobrecarrega a logística e expõe novas brechas que podem então ser exploradas . O efeito cumulativo foi notado até mesmo por blogueiros militares russos, que reconheceram que “as forças ucranianas já paralisaram parcialmente a logística do sul da Rússia no corredor terrestre para a Crimeia”
.
A operação do Aeroporto de Donetsk, portanto, é um modelo. Ela demonstra como drones dirigidos por IA podem desmantelar sistematicamente a infraestrutura de lançamento, o suprimento de combustível, o armazenamento de munição e a defesa aérea de um único nó crítico, tudo como parte de uma campanha em todo o teatro de operações projetada para reduzir a tonelagem diária de suprimentos para as unidades de combate russas abaixo de sua taxa de consumo. O objetivo não é meramente vencer uma batalha, mas tornar toda a frente de batalha insustentável.