O impasse foi quebrado em 17 de maio de 2026, em Istambul. O presidente da FFIRI, Mehdi Taj, reuniu-se com o secretário-geral da FIFA, Mattias Grafström, no que foi descrito como uma reunião “decisiva” e de alto risco para abordar a crise de frente . As conversas foram produtivas o suficiente para que a FIFA expressasse publicamente sua confiança na participação do Irã no torneio, sinalizando que todas as 10 exigências centrais foram discutidas e que as principais preocupações sobre vistos e segurança foram atenuadas
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O encontro em Istambul foi uma peça clássica da diplomacia esportiva. A FIFA serviu como intermediária fundamental, preenchendo uma lacuna diplomática impraticável entre Teerã e Washington. O diretor da seleção iraniana, Mehdi Mohammad Nabi, afirmou que a federação esperava que a questão dos vistos fosse totalmente resolvida em até duas semanas após a reunião, indicando que um caminho administrativo claro havia sido traçado .
Enquanto as engrenagens diplomáticas giravam, um drama logístico paralelo se desenrolava. O Irã havia planejado originalmente montar sua base de treinamento no Kino Sports Complex, em Tucson, no Arizona . A localização fazia sentido geograficamente para as partidas da fase de grupos do time em Los Angeles. No entanto, a persistente falta de vistos americanos, somada às tensões políticas e de segurança mais amplas, tornou o plano inviável.
Os constantes atrasos nos vistos foram o principal catalisador. O processo administrativo se arrastou por meses sem confirmação de aprovações, forçando a FFIRI a buscar um plano B que permitisse ao time treinar sem ficar fisicamente retido em solo americano . A situação de segurança regional, amplamente noticiada, adicionou outra camada de urgência, tornando a perspectiva de uma estadia prolongada nos EUA politicamente sensível para a delegação iraniana
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Agindo rapidamente, a FFIRI solicitou formalmente à FIFA permissão para realocar sua base de treinamento para fora dos Estados Unidos. A entidade máxima do futebol aprovou a troca em 23 e 24 de maio de 2026, e a nova sede do time foi confirmada como o Centro de Alto Rendimento em Tijuana, no México — uma cidade fronteiriça a apenas 32 quilômetros ao sul de San Diego . A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, confirmou que seu governo “não tinha nenhum problema” em receber a equipe, um contraste marcante com a relutância dos EUA
. Em uma declaração em vídeo, Mehdi Taj observou que o centro de treinamento em Tijuana, localizado próximo ao Oceano Pacífico e na própria fronteira EUA-México, era uma escolha prática que permitiria ao time evitar complicações de visto na chegada, usando voos diretos da Iran Air para o México
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A realocação é uma solução parcial, não definitiva. O time viverá, treinará e se baseará em Tijuana, mas ainda precisará cruzar a fronteira para os Estados Unidos para disputar todas as suas partidas da fase de grupos . Isso cria um desafio operacional único: o elenco agora precisa de vistos de múltiplas entradas tanto para os EUA quanto para o México, administrados sob uma pressão de tempo extraordinária.
Com a aproximação da abertura do torneio, em 11 de junho, a novela dos vistos entrou em sua fase mais crítica. Em 30 de maio, a federação ainda cobrava urgentemente a FIFA por esclarecimentos. Mehdi Mohammadnabi, primeiro vice-presidente da FFIRI, enviou um e-mail à entidade exigindo uma data específica para a emissão dos vistos, lembrando que o time agora precisava tanto de vistos americanos quanto mexicanos de múltiplas entradas . A resposta da FIFA foi de que “o processo administrativo está em andamento” e que seria “muito provavelmente concluído ainda esta semana”
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Então, em 1º de junho, veio o anúncio que o mundo do futebol esperava. O chanceler iraniano, Seyed Abbas Araghchi, declarou que os vistos para os membros da seleção nacional deveriam ser emitidos nos próximos um ou dois dias . Falando à margem de uma reunião ministerial, ele também revelou um detalhe diplomático crucial: a Embaixada do México em Ancara havia concordado em dispensar a exigência de coleta de impressões digitais dos membros do time para acelerar o processo, com um representante designado cuidando do procedimento
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Esta janela de 48 horas, surgindo a meros 10 dias do início da Copa do Mundo, marca o ápice de uma crise de meses. É o produto frágil das conversas secretas em Istambul, da intercessão incansável da FIFA e da cooperação voluntária do México. A resolução garante que o Irã não será forçado a um boicote histórico, mas a proximidade extrema do apito inicial ressalta o quão perto a Copa de 2026 esteve de perder uma de suas seleções classificadas para uma batalha política na qual jamais deveria ter se envolvido.