O movimento mostra como os grandes gestores de ativos estão deixando de tratar a blockchain como um laboratório experimental e passando a encará-la como uma rede de distribuição de produção.
A capacidade do HLSCOPE de operar em múltiplas blockchains — incluindo a nova implementação na TRON — depende do Wormhole. A Securitize selecionou o Wormhole como seu provedor oficial de interoperabilidade em setembro de 2024, com a integração entrando em operação no final de 2025 . A parceria é exclusiva: o Wormhole é a tecnologia que permite a transferência entre cadeias para todos os ativos atuais e futuros tokenizados pela plataforma
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Na prática, isso significa que fundos como o ACRED (da Apollo), o VBILL (da VanEck) e o próprio BUIDL (da BlackRock) podem transitar entre uma dúzia de blockchains diferentes: Ethereum, Arbitrum, Avalanche, Polygon, Solana, Optimism, Sei, BNB Chain, Aptos, Ink by Kraken e, agora, a TRON . Desde 2020, a Wormhole já processou mais de US$ 55 bilhões em transações cross-chain e, com essa integração, a Securitize pode conectar seus tokens a 32 blockchains disponíveis na infraestrutura da Wormhole
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O conceito é simples, mas poderoso: um investidor institucional deve poder manter um fundo tokenizado em uma blockchain e transferi-lo para outra sem atritos, sem fragmentação de liquidez.
Enquanto expande a distribuição de seus produtos, a Securitize também está redesenhando sua estrutura societária. Em outubro de 2025, a empresa firmou um acordo de combinação de negócios com a Cantor Equity Partners II, uma SPAC (“Empresa de Aquisição de Propósito Específico”) listada na Nasdaq e patrocinada por uma afiliada da Cantor Fitzgerald . O negócio avalia a Securitize em US$ 1,25 bilhão (valor pre-money) e deve injetar pelo menos US$ 225 milhões em novos recursos no fechamento, podendo chegar a até US$ 465 milhões se não houver resgates do caixa da SPAC
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As principais etapas até agora foram:
Se tudo correr como o previsto — a conclusão é esperada para o primeiro semestre de 2026, sujeita a aprovações regulatórias e dos acionistas —, a empresa combinada se chamará Securitize Corp. e será negociada na Nasdaq sob o ticker “SECZ” . Carlos Domingo, CEO da empresa, já indicou que o plano é emitir tanto ações tradicionais quanto uma versão tokenizada desses mesmos papéis em blockchain
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A trajetória de receita ajuda a contar essa história: os US$ 19,5 milhões do primeiro trimestre de 2026 vieram na esteira de um salto de 841% na receita registrado nos primeiros nove meses de 2025, quando a empresa atingiu US$ 55,6 milhões . A combinação de expansão na distribuição, infraestrutura de interoperabilidade e uma listagem pública dá à Securitize uma vantagem de capital e credibilidade num momento em que a tokenização institucional está amadurecendo.
A Securitize não está sozinha nessa corrida para conectar os mercados tradicionais às redes blockchain. No mesmo dia do lançamento do HLSCOPE na TRON, a exchange de criptomoedas Backpack apresentou a Backpack Securities, uma plataforma regulada que permite aos investidores comprar, deter e vender ações reais dos EUA e, em seguida, tokenizá-las para uso em redes blockchain . A plataforma estreou na Solana (via Sunrise) e confere liquidez nativa on-chain para essas ações tokenizadas
. A Backpack também abriu uma lista de espera para os “IPOs Onchain”, um produto que promete dar a investidores de varejo acesso a alocações de ofertas públicas iniciais (IPOs) em formato tokenizado antes mesmo de as ações estrearem nas bolsas
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O envolvimento institucional da Backpack também está se aprofundando. Em 8 de maio de 2026, a empresa juntou-se ao Grupo de Trabalho de Tokenização da DTCC (Depository Trust & Clearing Corporation), um esforço da indústria para construir infraestrutura de padrão profissional para valores mobiliários tokenizados . Fazer parte de um grupo desses sinaliza a intenção de se integrar ao “encanamento” do sistema financeiro dos EUA — a mesma infraestrutura que processa trilhões de dólares em transações de títulos tradicionais todos os dias.
A expansão simultânea da distribuição — com um pé em uma blockchain de varejo massiva como a TRON — e o movimento para abrir capital são um sinal importante para o mercado de ativos tokenizados. Levar um fundo de crédito privado regulado para a TRON demonstra que esses produtos podem operar em blockchains com grandes bases de usuários de varejo; protocolar um pedido de listagem na Nasdaq, por sua vez, mostra que a empresa aposta que os mercados de capitais institucionais estão prontos para aceitar e precificar esse modelo de negócio.
O desfecho dessa fusão via SPAC terá impacto na forma como todo o setor é avaliado. Uma listagem bem-sucedida pode acelerar a adoção de ativos tokenizados e atrair ainda mais gestores de grande porte. Já atrasos ou uma reavaliação para baixo do valor de mercado testariam a tese de que o mercado público está maduro para uma plataforma de valores mobiliários nativa da blockchain.
O que já está claro é que a tokenização está saindo da fase de provas de conceito para a produção em escala real. Fundos de crédito privado, ações dos EUA e a infraestrutura de interoperabilidade que os conecta estão agora operacionais em múltiplas blockchains, com estruturas reguladas e ambições de mercado público logo atrás.