O primeiro resultado concreto dessas conversas foi um pacote de €6 bilhões focado em drones para as forças de defesa ucranianas . Von der Leyen confirmou formalmente o plano de desembolso durante um discurso no Parlamento Europeu em Estrasburgo, em 29 de abril. Ela afirmou que os recursos viriam da primeira parcela de €45 bilhões do empréstimo de €90 bilhões aprovado para a Ucrânia
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Um ponto importante é que o dinheiro será destinado a drones fabricados na própria Ucrânia. "O primeiro pacote de defesa sob o empréstimo será para drones da Ucrânia, para a Ucrânia – no valor de cerca de €6 bilhões", disse von der Leyen . A decisão sinaliza uma escolha política deliberada de Bruxelas de investir diretamente na base industrial de defesa ucraniana, em vez de apenas fornecer equipamentos prontos dos estados-membros.
A Comissão Europeia iniciou as etapas preparatórias para liberar os fundos ainda no início de abril, destacando que um terço do empréstimo total cobriria as necessidades orçamentárias da Ucrânia, enquanto dois terços seriam dedicados à defesa, com os drones como prioridade no primeiro desembolso . O calendário previsto é ainda para o segundo trimestre de 2026
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O foco da UE em drones não é teórico. Entre os dias 13 e 14 de maio, a Rússia lançou o que Zelenskyy descreveu como o maior ataque aéreo desde o início da invasão em larga escala, disparando 1.567 drones e 56 mísseis contra várias cidades ucranianas em uma única noite . Ao todo, 27 civis foram mortos, a maioria em Kiev
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Um segundo ataque devastador, em 24 de maio, atingiu a capital com cerca de 600 drones e 90 mísseis, incluindo projéteis balísticos hipersônicos Oreshnik direcionados a Bila Tserkva, ao sul de Kiev . Autoridades relataram quatro mortos em Kiev e na região metropolitana, com mais de cem feridos
. O prefeito da capital, Vitali Klitschko, afirmou que os danos atingiram todos os distritos da cidade
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Von der Leyen vinculou o pacote de drones diretamente à brutalidade dos ataques russos. Em 14 de maio, declarou: "Mais uma noite de morte e destruição. E o ataque indiscriminado a civis. Enquanto a Rússia zomba abertamente dos esforços diplomáticos, continuamos a fortalecer a Ucrânia. Estamos finalizando um pacote de apoio de €6 bilhões em drones" .
Mesmo com o aprofundamento da cooperação militar, uma linha de ruptura política surgiu sobre o caminho de longo prazo da Ucrânia para a União Europeia. O chanceler alemão, Friedrich Merz, propôs conceder a Kiev uma "adesão associada", um novo status jurídico que permitiria a autoridades ucranianas participarem de reuniões de cúpula da UE e encontros ministeriais — mas sem direito a voto .
Merz enviou uma carta aos líderes da UE, à qual a Reuters teve acesso, argumentando que a proposta era um passo intermediário para facilitar um possível acordo de paz, mantendo vivo o processo de adesão . O plano também separaria a Ucrânia da Moldávia e de outros países candidatos, criando uma via separada e mais lenta para Kiev
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Zelenskyy respondeu com força, enviando sua própria carta de quatro páginas aos líderes europeus, na qual classificou a ideia da adesão associada como "injusta" . Sua objeção central era clara: a Ucrânia estaria presente na União Europeia, mas permaneceria "sem voz" — participando das reuniões sem poder votar nas decisões que afetam o bloco
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"Seria injusto para a Ucrânia estar presente na União Europeia, mas permanecer sem voz. Chegou a hora de avançar com a adesão plena e significativa da Ucrânia", escreveu Zelenskyy .
Por trás da linguagem diplomática, havia uma crítica mais contundente. Analistas ucranianos e europeus notaram que a proposta de Merz não continha garantias de segurança juridicamente vinculativas e poderia congelar a Ucrânia numa "sala de espera" permanente, permitindo que outros países candidatos passassem à frente na fila da adesão .
As fontes fornecidas não confirmam um cronograma formal de adesão para 2027, marcos de governança detalhados ou requisitos de aprovação unânime vinculados a uma data específica. O que está documentado é o foco imediato da Ucrânia em abrir o primeiro bloco de negociações — conhecido como cluster dos "Fundamentos" — já em junho de 2026 .
Zelenskyy discutiu esse sequenciamento com von der Leyen no final de maio, segundo a presidência ucraniana . O presidente do Conselho Europeu também sinalizou que a abertura do primeiro bloco era o "próximo passo"
, mas as fontes não estabelecem um cronograma garantido em via rápida.
Além dos drones, Zelenskyy e von der Leyen conversaram sobre o fortalecimento da defesa aérea ucraniana, com ênfase em sistemas antibalísticos . O presidente ucraniano destacou que a Europa possui capacidades relevantes e que o formato do Acordo de Drones incluía discussões sobre a integração desses ativos de defesa antiaérea
. Zelenskyy enquadrou a proposta do Acordo de Drones como parte de uma visão maior de autossuficiência militar europeia. Em discurso na cúpula dos Nove de Bucareste, afirmou: "Propus um Acordo de Drones para a UE. Discutimos isso com Ursula von der Leyen e António Costa. Deve ser um sistema de múltiplas camadas"
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As entregas imediatas são financeiras e industriais: a parcela de €6 bilhões em drones prevista para o segundo trimestre de 2026 e a operacionalização de linhas de produção conjunta . No campo político, a proposta de Merz, embora rejeitada por Kiev, expôs divisões dentro da UE sobre como — e com que rapidez — integrar a Ucrânia
. Por ora, Zelenskyy deixou clara sua posição: nada de meias-medidas, nada de status de segunda classe e nenhuma presença na UE sem direito a voto.