O alerta de 7 de outubro do pesquisador da Ethereum Foundation Justin Drake é um cenário de pior caso, não um relato de que a IA já tenha quebrado carteiras de Bitcoin ou Ethereum. Drake argumentou que avanços em matemática com ajuda de inteligência artificial poderiam, em tese, enfraquecer as assinaturas de curva elíptica usadas por muitas carteiras cripto — talvez antes da ameaça esperada de computadores quânticos. Vitalik Buterin concordou que o risco merece atenção, mas pediu que usuários não se apressem para transferir seus fundos.
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O que motivou o alerta?
Drake citou relatos sobre a divulgação de 722 resultados de pesquisa matemática da OpenAI. Também apontou uma demonstração, atribuída a IA, envolvendo a conjectura de Paul Erdős, um problema matemático com cerca de 80 anos. Para Drake, esses episódios são razões para acompanhar o ritmo dos avanços matemáticos; eles não demonstram um ataque à criptografia de blockchains.
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A preocupação envolve a ECDSA, sigla em inglês para o algoritmo de assinatura digital de curva elíptica, usado para autorizar transações em sistemas como Bitcoin e Ethereum. Drake definiu o que consideraria uma assinatura “quebrada”: conseguir recuperar uma chave privada a partir de uma chave pública exposta em cerca de uma semana, usando hardware disponível, como um grande conjunto de GPUs.
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A previsão de que isso poderia acontecer “em meses, não anos” foi apresentada como uma estimativa de pior caso — não como uma previsão confirmada nem como uma capacidade já demonstrada.
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O que é o “modo bunker” proposto por Drake?
Drake defendeu que o setor planeje uma migração controlada de ativos para endereços novos, começando pelos grandes detentores e por quem tem estruturas mais sofisticadas. A ideia é usar endereços cujas chaves públicas ainda não tenham sido expostas na blockchain.
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No cenário hipotético descrito por Drake, um endereço que nunca assinou uma transação oferece uma camada extra de proteção: sua chave pública não foi exposta para um possível atacante da forma que ele considera relevante. Isso é uma precaução específica para esse cenário, não uma garantia de segurança permanente. Drake também pediu que Binance, Bitbank, Robinhood, Bitfinex e Tether reforcem suas estruturas de armazenamento a frio, usadas para manter criptoativos fora de carteiras conectadas à internet.
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Por que Buterin pediu cautela?
Cerca de dez horas depois da publicação de Drake, Buterin também defendeu que o setor leve a possibilidade a sério. Mas recomendou que os usuários não saiam transferindo fundos às pressas: segundo ele, erros em migrações de carteira já lhe custaram mais do que ataques hacker.
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A diferença entre os dois está sobretudo no ritmo. Drake propôs planejar uma migração organizada; Buterin ressaltou que uma transferência feita de forma apressada pode criar riscos por conta própria. Ele também alertou que avanços em IA poderiam enfraquecer, em até dois anos, criptografias baseadas em reticulados — uma família de métodos estudada para proteger sistemas contra computadores quânticos —, incluindo o ML-DSA.
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Os dois debates também apontam para a necessidade de pesquisar alternativas criptográficas baseadas em funções hash. Isso não significa que já exista uma substituição definida ou que usuários comuns tenham de migrar suas carteiras agora.
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O que se sabe — e o que ainda não foi demonstrado
Os relatos apresentam um risco possível, não uma técnica comprovada para recuperar chaves de carteiras. Não foi relatado um ataque prático às assinaturas em questão, e os resultados matemáticos associados à OpenAI não foram apresentados como uma demonstração de que a criptografia de blockchains foi quebrada.
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Essa distinção é essencial: Drake pede que o setor se prepare para uma possível mudança no cenário de ameaças, mas seu alerta não é evidência de que os fundos estejam hoje expostos a um novo ataque com IA. A recomendação de Buterin acrescenta um cuidado prático: qualquer plano de migração precisa considerar que um erro durante a transferência também pode resultar na perda de fundos.
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