Essa diferença é importante porque a assistência de nível 2 não transforma o carro em um veículo autônomo: o motorista continua responsável por supervisionar a condução. Uma mão, um peso ou outro objeto pode gerar resistência no volante sem demonstrar que uma pessoa está realmente acompanhando o trânsito.
A segunda campanha abrange 2.975.910 veículos, incluindo Model 3, Model Y, Model S e Model X fabricados na China e importados. O recall está previsto para começar em 25 de setembro.
O problema envolve a abertura mecânica interna de emergência — o recurso manual de reserva usado quando os comandos elétricos normais deixam de funcionar. Depois de uma colisão grave ou de uma falha no sistema elétrico, ocupantes e equipes de resgate podem ter dificuldade para encontrar e operar esse mecanismo, o que pode atrasar a fuga.
A solução da Tesla inclui etiquetas de advertência e uma atualização OTA projetada para baixar os vidros depois de uma colisão. Portanto, a campanha não se limita ao desenho das maçanetas externas da Tesla nem apenas aos Model 3, Model S e Model X importados: as informações divulgadas indicam que ela cobre veículos fabricados localmente e importados, incluindo o Model Y.
Reportagens publicadas em junho disseram que alguns motoristas na China posicionaram pequenas cabeças de plástico ou bonecos de celebridades, incluindo uma representação de Dwayne Johnson, perto do retrovisor para tentar enganar a câmera interna que monitora a atenção do condutor.
Os relatos expõem uma fragilidade mais ampla de sistemas de atenção baseados em câmeras: se as regras de detecção forem fáceis de burlar, um objeto visual pode ser interpretado como sinal de que há um motorista atento. No entanto, os materiais disponíveis não comprovam que essas tentativas de drible tenham sido o gatilho formal do recall da SAMR. A correção documentada é integrar o rastreamento dos olhos ao monitoramento baseado no torque, e não usar os bonecos como evidência da decisão do órgão regulador.
Os números do recall correspondem a duas campanhas diferentes, e não a um único defeito que afete todos os Teslas na China:
A soma simples chega a aproximadamente 5,72 milhões de ocorrências de veículos. Como há sobreposição entre as populações de Model 3 e Model Y, esse número não deve ser interpretado como a quantidade de carros únicos afetados. Ainda assim, as duas medidas reunidas formam o maior total de recalls da Tesla na China descrito nas reportagens fornecidas.
As campanhas tratam de momentos diferentes da segurança do veículo. A atualização do monitoramento pretende reforçar a supervisão enquanto a assistência à condução está ativa. Já o recall das portas se concentra no que passageiros ou socorristas podem precisar fazer depois de uma colisão ou da perda de energia elétrica.
Na prática, nenhuma das duas medidas é apenas uma atualização cosmética. Uma altera a forma como o veículo verifica se o motorista está prestando atenção; a outra facilita a identificação de um procedimento essencial de emergência e acrescenta um comportamento para baixar os vidros após uma colisão. A solução aplicável depende de qual campanha inclui cada veículo.