A mudança mais drástica está acontecendo dentro do Photoshop. O editor de imagens carro-chefe da Adobe sempre dependeu muito do processador central (CPU) para suas tarefas de composição, com apenas cerca de 5% do seu processamento no Brasil sendo acelerado pela GPU. A nova versão para o RTX Spark inverte totalmente esse modelo, alcançando 100% de processamento acelerado por GPU. Isso significa que praticamente todas as operações — de filtros dinâmicos e pinceladas a fluxos de trabalho em HDR — serão calculadas na GPU Blackwell, prometendo uma edição em tempo real drasticamente mais responsiva .
Editores de vídeo frequentemente lutam contra o lag (atraso) ao trabalhar em timelines complexas e com múltiplos efeitos. Para o Premiere Pro, a Adobe projetou um pipeline de vídeo completamente novo, construído sobre a arquitetura de memória unificada do RTX Spark, sua GPU Blackwell e o software TensorRT. Esse redesenho permite edição e correção de cor em tempo real, renderização mais rápida de timelines complexas e inferência de IA acelerada por GPU sem o gargalo de ficar transferindo dados para um processador separado. A promessa é uma experiência muito mais fluida ao usar recursos como o Generative Extend, que usa o modelo Firefly para estender clipes de vídeo .
A suíte Substance 3D — que inclui os softwares Stager, Modeler e Sampler, voltados para criação de materiais e cenas 3D — também está sendo otimizada para a memória unificada do RTX Spark. O superchip é projetado para lidar com cenas 3D que excedem 90 GB, uma capacidade muito além do que as placas de vídeo tradicionais, limitadas pela VRAM (memória de vídeo), conseguem gerenciar. Isso libera o potencial para trabalhar com texturas massivas e ativos 3D de altíssimo detalhe sem as travadas e trocas constantes de desempenho que podem infernizar os fluxos de trabalho atuais .
Além do desempenho bruto, os aplicativos reconstruídos introduzirão capacidades de IA agêntica. A Adobe está adicionando suporte ao Model Context Protocol (MCP), permitindo que os usuários conectem agentes de IA locais diretamente ao Photoshop e Premiere Pro. Isso viabiliza a automação de processos criativos tediosos e de várias etapas inteiramente no seu próprio dispositivo, desde o processamento em lote de efeitos específicos até a geração de variações complexas de cena .
Isso é possível porque o próprio RTX Spark foi projetado do zero para ser um agente pessoal de IA. A Nvidia afirma que o chip pode rodar localmente modelos de linguagem de 120 bilhões de parâmetros com até 1 milhão de tokens de contexto, suportado por toda a pilha de software de IA da Nvidia e pelo Windows Agent Framework da Microsoft . A ideia é que um agente local poderoso possa entender e executar instruções criativas complexas sem precisar de uma conexão constante com a nuvem.
O superchip RTX Spark (anteriormente conhecido pelos codinomes N1/N1X) é a aposta da Nvidia para reinventar o PC com Windows. Construído em colaboração com a MediaTek, o sistema-em-um-chip combina uma CPU de 20 núcleos Nvidia Grace baseada em Arm com uma GPU Blackwell RTX com 6.144 núcleos CUDA e Tensor Cores de quinta geração. O chip oferece até 128 GB de memória unificada LPDDR4X (algumas fontes mencionam configurações LPDDR5X ) com 300 GB/s de largura de banda, e entrega 1 petaflop de desempenho de IA em FP4 — o que é aproximadamente comparável a uma GPU de desktop da classe RTX 5070, mas em formato de laptop .
A Nvidia não está fabricando os laptops diretamente. Em vez disso, um amplo ecossistema de parceiros de hardware trará os sistemas com RTX Spark ao mercado a partir do outono de 2026 no Hemisfério Norte (primavera de 2026 no Brasil). A lista de parceiros inclui Acer, ASUS, Dell, HP, Lenovo, MSI, Gigabyte e Samsung, com sistemas que vão desde laptops premium ultrafinos, com apenas 14 milímetros de espessura, até desktops de formato compacto (SFF) .