Imagens de satélite corroboram e aprofundam essa evidência. Uma análise de imagens da Planet Labs de fevereiro de 2026 revelou que pelo menos seis novas instalações de defesa antiaérea e guerra eletrônica agora circundam o antigo campo de aviação, um sinal claro de que o local está sendo protegido para ativos de alto valor . Esta implantação faz parte de um plano mais amplo; o líder bielorrusso Alexander Lukashenko afirmou que até 10 desses sistemas de mísseis seriam estacionados no país . A Rússia anunciou oficialmente que o Oreshnik estava em serviço ativo em Belarus em dezembro de 2025, declarando que os mísseis podem atingir alvos em toda a Europa .
A base de mísseis não existe isoladamente. No final de maio de 2026, Rússia e Belarus concluíram massivos exercícios nucleares conjuntos que integraram Belarus diretamente ao comando e controle nuclear de Moscou. A escala do exercício foi enorme, envolvendo aproximadamente 64.000 militares, mais de 200 lançadores de mísseis, mais de 140 aeronaves e 13 submarinos .
Crucialmente, os exercícios não foram apenas simulações. Em 21 de maio de 2026, a Rússia entregou munições nucleares reais para instalações de armazenamento de campanha dentro de Belarus como parte dos exercícios, um movimento que Moscou enquadrou explicitamente como uma sinalização nuclear em meio às crescentes tensões com a OTAN sobre a guerra na Ucrânia . Os exercícios ensaiaram a "preparação e uso de forças nucleares em caso de agressão", marcando algumas das maiores manobras do tipo em anos .
Esses desenvolvimentos militares convergiram para alimentar uma preocupação específica e imediata: a de que Belarus sirva mais uma vez como plataforma de lançamento para uma ofensiva terrestre direta no norte da Ucrânia.
No final de maio de 2026, múltiplas avaliações analíticas alertam para essa ameaça. Analistas observam que o atual acúmulo de forças — que espelha o estacionamento pré-invasão de fevereiro de 2022 — inclui os sistemas Oreshnik, instalações de armazenamento de munições nucleares e uma densa cobertura de defesa antiaérea, recriando as condições para um novo eixo de ataque . O Kremlin agora está efetivamente usando Belarus como uma "plataforma de pré-posicionamento, um habilitador de ataques e um espaço para sinalização nuclear avançada", concluiu um briefing de inteligência dos EUA .
A ameaça militar é sustentada por um oleoduto industrial-militar profundamente enraizado que transformou Belarus em uma tábua de salvação para o Kremlin furar sanções. Como as sanções ocidentais visam Belarus com menos rigor do que a Rússia, o país tornou-se um canal crítico para os materiais que Moscou precisa para sustentar sua guerra .
Reportagens investigativas do Belarusian Investigative Center (BIC) e do OCCRP quantificaram esse fluxo. Dados de exportação mostram que 58 empresas bielorrussas enviaram pelo menos US$ 1,2 bilhão em componentes militares para fabricantes de armas russos de fevereiro de 2022 a agosto de 2025. O valor desses embarques dobrou em 2024 em comparação com 2022 . As empresas forneceram sistemas ópticos, equipamentos de lançamento de mísseis e chassis pesados com rodas para 41 fábricas de defesa russas .
Isso vai além do fornecimento de peças. Desde a invasão em larga escala, o complexo industrial-militar bielorrusso foi absorvido pelo russo, com mais de 80% das empresas bielorrussas agora envolvidas no cumprimento de ordens de defesa do Estado russo . A Rússia também construiu uma fábrica de drones em larga escala em Belarus, enquanto empresas estatais bielorrussas foram flagradas fornecendo microchips de origem ocidental e outros componentes para a produção de mísseis russos, em clara afronta às sanções .
Em resposta, o Departamento do Tesouro dos EUA e a UE designaram vários indivíduos e entidades bielorrussas por fornecerem bens de dupla utilização e sistemas de armas para as forças armadas russas, mas uma parte significativa da rede identificada continua a operar sem enfrentar penalidades ocidentais .
As evidências mostram que Belarus passou de um parceiro vagamente alinhado a um componente integral da postura de combate da Rússia. O Instituto para o Estudo da Guerra (ISW) descreveu esse processo como a "Conquista Silenciosa" de Belarus pela Rússia, por meio da qual o Kremlin subsumiu sistematicamente a indústria de defesa, a força de trabalho e o território do país para apoiar suas operações na Ucrânia . A combinação de um sistema de mísseis nucleares avançado, exercícios nucleares reais e a criação de uma cadeia de suprimentos militar à prova de sanções faz de Belarus um elemento central — e não periférico — da ameaça crescente da Rússia contra a Ucrânia e o flanco leste da OTAN.