A motivação do Google é simples: a capacidade de ponta da TSMC está praticamente toda vendida para Nvidia, Apple e outras gigantes da tecnologia, sobrando pouco espaço para a própria expansão de chips de IA do Google . Colocar a Samsung como uma segunda fonte é uma jogada de diversificação da cadeia de suprimentos, não uma debandada tecnológica
. O site The Information foi o primeiro a noticiar as conversas em junho de 2026, citando duas pessoas familiarizadas com o assunto, e desde então diversos veículos coreanos vêm classificando um acordo como “provável”, mas ainda não oficializado
.
Principais detalhes em resumo:
Enquanto o acordo com o Google ainda está tomando forma, a Samsung Foundry já garantiu seu primeiro pedido da Neuralink. De acordo com relatórios do The Korea Economic Daily e de outros veículos sul-coreanos, a Samsung iniciou o desenvolvimento do processo e a produção piloto do chip de implante cerebral de quarta geração da Neuralink, de codinome interno “O1”, utilizando seu maduro processo SF4 de 4nm .
A parceria começou no final de 2025, com os primeiros chips de teste sendo finalizados (taped out) em maio de 2026 e a entrega prevista para o primeiro semestre de 2027 . Se os testes correrem bem, a produção em massa pode começar na segunda metade de 2027
. O projeto marca a primeira vez que a Neuralink terceiriza um chip para a Samsung, expandindo uma cadeia de suprimentos de fabricação de wafers que antes dependia exclusivamente da TSMC para o implante de terceira geração
.
Esta conquista faz parte de um aprofundamento da relação entre a Samsung e Elon Musk. Em 2025, a Samsung assinou um contrato gigantesco de US$ 16,5 bilhões com a Tesla para fabricar seus chips de inferência AI6 de última geração na fábrica da Samsung em Taylor, no Texas . O negócio com a Neuralink estende essa parceria para o campo da neurotecnologia, dando à Samsung um novo e altamente regulamentado nicho para demonstrar a maturidade do seu processo de 4nm
.
Resumo do negócio Neuralink O1:
Essas vitórias não são casuais — elas se encaixam perfeitamente em um plano de recuperação deliberado que a Samsung Foundry vem executando desde que sua taxa de utilização despencou para cerca de 50% em 2025 . No primeiro trimestre de 2026, a utilização já havia se recuperado para aproximadamente 80%, impulsionada pelo acordo com a Tesla, um pedido em 8nm da Intel e discussões em andamento sobre o processo de 2nm com a AMD
. Os projetos com Google e Neuralink devem preencher ainda mais a capacidade fabril e melhorar o caminho do negócio rumo à lucratividade, algo que alguns analistas agora esperam que aconteça já no terceiro trimestre de 2026
.
A Samsung está executando uma estratégia de processo em duas frentes:
A mensagem da Samsung Foundry é inequívoca: ela quer ser vista como uma segunda fonte confiável para lógica avançada, e não apenas uma gigante das memórias. Quanto mais gigantes da tecnologia buscarem alternativas à TSMC, mais a Samsung tem a ganhar — desde que consiga entregar resultados em termos de rendimento de produção e prazos. O acordo com o Google ainda é uma negociação em aberto, e o projeto da Neuralink está em estágio inicial de produção piloto. Ambos são promissores, mas ainda não são realidades de produção em alto volume. Se a Samsung conseguir transformar essas cabeças de ponte em uma operação de larga escala, o cenário da fundição de semicondutores será significativamente diferente até 2028.