Apesar da implacável nota de 38% dos críticos no Rotten Tomatoes, a cinebiografia "Michael" destruiu as expectativas com uma abertura global recorde de US$ 217 milhões. O abismo entre a nota de 96% do público e os 38% da crítica revela uma das maiores divisões da história recente do cinema, alimentada pela decisão d...
A cinebiografia de Michael Jackson, simplesmente intitulada Michael, chegou aos cinemas brasileiros e mundiais em 24 de abril de 2026, soterrada por uma avalanche de críticas negativas. A imprensa especializada havia formado um consenso brutal: o filme era um álbum de “grandes sucessos” superficial e higienizado, que se recusava a abordar os capítulos mais polêmicos da vida do Rei do Pop . Mas o público ignorou completamente os especialistas. O que se seguiu foi a mais impressionante rebelião de bilheteria do ano — e o maior lançamento de uma cinebiografia na história do cinema.
Michael não apenas superou as expectativas; ele as pulverizou. Antes do lançamento, as projeções da indústria apontavam para uma abertura doméstica (EUA/Canadá) entre US$ 65 e US$ 70 milhões . As previsões internas da Lionsgate eram mais otimistas, mas os números finais vieram 45% acima até mesmo dessas estimativas arrojadas
.
A estreia global de 5 dias acumulou marcos atrás de marcos:
Os números foram tão sísmicos que reescreveram instantaneamente os livros de recordes do gênero, ultrapassando com enorme folga as marcas estabelecidas por Oppenheimer (abertura doméstica de US$ 82 milhões) e Bohemian Rhapsody (abertura doméstica de US$ 51 milhões) .
As duas comparações mais comuns para qualquer cinebiografia musical são o filme do Queen e o épico de Christopher Nolan sobre o pai da bomba atômica. Michael fez ambos parecerem pequenos.
A abertura doméstica de US$ 97 milhões de Michael foi 90% maior do que os US$ 51 milhões iniciais de Bohemian Rhapsody . Sua abertura internacional de US$ 120,4 milhões superou tanto Bohemian Rhapsody (US$ 91,7 milhões) quanto Oppenheimer (US$ 98 milhões)
. A estreia global combinada de US$ 217 milhões foi cerca de US$ 93 milhões à frente da abertura mundial de US$ 124 milhões da cinebiografia do Queen
.
Mas a verdadeira história está na rapidez com que Michael ultrapassou a bilheteria total da carreira desses filmes. Após apenas seis finais de semana em cartaz, Michael já havia disparado para aproximadamente US$ 851 milhões em todo o mundo — superando confortavelmente o faturamento final de Oppenheimer (US$ 777 milhões) em toda a sua temporada nos cinemas e deixando Bohemian Rhapsody (US$ 539 milhões) muito para trás . Serviços de monitoramento de bilheteria posteriormente apontaram uma arrecadação contínua de cerca de US$ 892 a US$ 902 milhões globalmente, com a marca de US$ 1 bilhão entrando no horizonte
.
Vale a pena notar os riscos financeiros. Os custos de produção foram estimados em cerca de US$ 155 milhões, e com as despesas de marketing, alguns veículos sugeriram que o filme precisaria alcançar a marca de US$ 500 milhões apenas para cobrir os custos . Nas trajetórias atuais, ele já superou essa barra há muito tempo e entrou em território de puro lucro.
Se a bilheteria foi um triunfo, as resenhas foram uma derrota acachapante. A pontuação no Rotten Tomatoes começou tão baixa quanto 27% na primeira leva de críticas, antes de se estabilizar em 38%, com base em 294 avaliações . O consenso da crítica especializada parecia um enterro educado: a atuação de Jaafar Jackson era sobrenatural, mas o filme em si "mais parece um álbum de 'grandes sucessos' que poderia ter se beneficiado de um encarte com informações mais profundas sobre o ícone"
. O Metacritic foi igualmente implacável, concedendo uma nota de 38 ou 39 de 100
.
Praticamente todas as resenhas giravam em torno da mesma queixa: a recusa do filme em se envolver com a vida adulta de Michael Jackson. A narrativa se encerra em 1988, com a turnê Bad, terminando explicitamente antes que as primeiras alegações de abuso sexual infantil viessem a público em 1993 . Os críticos chamaram o retrato de "higienizado" e "caiado", observando que as digitais do espólio de Jackson, co-produtor do longa, estavam por toda parte nas omissões
. Brian Viner, do Daily Mail, capturou grande parte do humor da crítica ao escrever que "a narrativa é simplista, as omissões são gritantes, mas US$ 200 milhões certamente compram um fabuloso show de karaokê"
.
O que a crítica elogiou — quase que por unanimidade — foi Jaafar Jackson. O sobrinho da vida real de Michael Jackson, em sua estreia no cinema, foi descrito repetidamente como extraordinário, canalizando a dança, o canto e os trejeitos físicos do tio com uma precisão inquietante . Mas o elogio à sua atuação só serviu para afiar a faca: os críticos argumentaram que uma performance tão dedicada merecia um filme mais corajoso
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Então veio a resposta do público. A nota dos usuários no Rotten Tomatoes (agora chamada de Popcornmeter) atingiu cerca de 96%, uma diferença impressionante de 58 pontos em relação à nota dos críticos . Michael recebeu nota A- no CinemaScore, uma avaliação forte que sinaliza um boca a boca excelente
. As pesquisas de saída do PostTrak mostraram que 85% dos espectadores classificaram o filme como "recomendo com certeza"
.
A demografia foi notavelmente ampla. Relatórios destacaram um forte comparecimento de múltiplos segmentos de público, com apoio particularmente robusto de espectadores negros e do público feminino . Para os fãs, o filme entregou o que eles queriam: mais de duas horas do legado musical e performático de Michael Jackson, sem as nuvens das manchetes de tabloide.
Esse abismo entre crítica e público colocou Michael entre os lançamentos mais nitidamente divididos da memória recente — comparável à desconexão vista com Bohemian Rhapsody (que também enfrentou críticas mornas a caminho da glória de bilheteria e das vitórias no Oscar), mas com uma lacuna ainda maior .
O debate em torno de Michael não se limitou às páginas de crítica. Grande parte da discussão pré-lançamento centrou-se no que o filme escolheu não mostrar.
Como a história é interrompida em 1988, ela evita todos os problemas legais posteriores de Jackson, as cirurgias estéticas e as acusações de abuso infantil que dominaram as manchetes em 1993 e novamente em meados dos anos 2000 . Observadores notaram que o envolvimento do espólio de Jackson como co-produtor tornava esse enquadramento inevitável, mas não menos evidente. Um crítico resumiu o problema estrutural ao compará-lo a terminar uma cinebiografia de O.J. Simpson com os comerciais da Hertz
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Também surgiram relatos de que Paris Jackson, filha do cantor, criticou o filme, embora detalhes específicos de sua reação tenham permanecido limitados nos relatos públicos .
Dirigido por Antoine Fuqua (Dia de Treinamento, O Protetor), Michael foi escrito pelo três vezes indicado ao Oscar John Logan (Gladiador, O Aviador) . O produtor Graham King trouxe credenciais comprovadas no gênero: foi o produtor por trás de Bohemian Rhapsody
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O elenco combinou atores veteranos com estreias notáveis:
Até meados de 2026, o filme permanece em sua temporada nos cinemas com forte poder de permanência. Nenhum anúncio específico de relançamento ou versão estendida foi confirmado nos relatórios disponíveis, mas a trajetória rumo aos US$ 900 milhões e além sugere uma contínua carreira internacional e possíveis reprises em IMAX. Para um filme que chegou sob uma nuvem de desprezo da crítica, os números contam uma história impossível de ignorar: o público decidiu que o Rei do Pop ainda valia o preço do ingresso.
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Apesar da implacável nota de 38% dos críticos no Rotten Tomatoes, a cinebiografia "Michael" destruiu as expectativas com uma abertura global recorde de US$ 217 milhões.
Apesar da implacável nota de 38% dos críticos no Rotten Tomatoes, a cinebiografia "Michael" destruiu as expectativas com uma abertura global recorde de US$ 217 milhões. O abismo entre a nota de 96% do público e os 38% da crítica revela uma das maiores divisões da história recente do cinema, alimentada pela decisão do filme de encerrar sua narrativa em 1988 e evitar as controvérsias p...