O plano relatado gira em torno de um grande data center, ou de uma infraestrutura mais ampla de IA, em território francês. Segundo a Reuters, o valor total em discussão poderia chegar a US$ 100 bilhões e incluir uma iniciativa multibilionária para erguer infraestrutura de IA na França . Outros resumos do relato da Bloomberg afirmam que Son discutiu a apresentação de um projeto francês de data center de IA .
Para além da cifra, o sinal estratégico é claro: a corrida da IA generativa depende de capacidade física de computação. A Reuters observou que empresas vêm direcionando bilhões de dólares a data centers para sustentar serviços de IA generativa . Ou seja, não se trata apenas de imóveis ou de capacidade de nuvem; trata-se da camada de servidores, energia e refrigeração que permite treinar e operar modelos de IA em escala.
A França vem tentando se apresentar como um destino natural para infraestrutura dedicada de IA. Um documento de estratégia do governo francês afirma que o país tem “muitas vantagens” para receber esse tipo de projeto: eletricidade descarbonizada, abundante e estável; uma rede de alta tensão em expansão; e áreas adequadas para data centers .
Esse pacote importa porque data centers de IA consomem muita energia e precisam de fornecimento confiável. A tese francesa é que sua matriz elétrica e o planejamento de rede podem atender a cargas intensivas de computação com emissões menores do que em mercados mais dependentes de eletricidade de origem fóssil .
A oferta não é só energia. O mesmo documento aponta o reforço da infraestrutura pública de computação e o apoio à inovação por meio dos programas France 2030, a agenda francesa de investimentos e política industrial . Para um investidor de infraestrutura de IA, isso compõe uma proposta que combina eletricidade, terrenos, capacidade de rede e apoio estatal.
A possível entrada da SoftBank se encaixaria em um movimento mais amplo. Em fevereiro de 2025, o TechCrunch informou que os investimentos no ecossistema francês de IA haviam chegado a US$ 85 bilhões, enquanto a Brookfield se comprometia a investir € 20 bilhões até 2030 em projetos de IA na França, com a maior parte destinada a data centers focados em IA . O TechCrunch, citando o La Tribune Dimanche, também relatou que cerca de € 15 bilhões desse plano iriam para um data center em Cambrai, no norte da França, com capacidade de até 1 gigawatt .
Esse pano de fundo ajuda a explicar por que um eventual projeto da SoftBank teria peso. Ele alinharia um grande investidor interessado em infraestrutura de IA a um país que tenta transformar eletricidade de baixa emissão e apoio público em vantagem competitiva para computação em grande escala.
A pergunta principal é se as conversas vão virar anúncio formal — e em qual tamanho. Há uma diferença enorme entre “até US$ 100 bilhões” e um projeto fechado, financiado e com cronograma. Por enquanto, os relatos apontam para uma possibilidade de investimento e para um plano de infraestrutura de IA de vários bilhões de dólares, não para um compromisso vinculante .
Se houver anúncio, os detalhes decisivos serão localização, demanda de energia, conexão à rede, modelo de financiamento e eventual participação de programas públicos franceses de IA. Esses pontos dirão se a proposta pode se tornar um marco europeu de infraestrutura para IA — ou se continuará como uma ideia ambiciosa em negociação.