Na quarta-feira, 5 de agosto de 2026, Marine Tondelier — secretária nacional do partido Os Ecologistas (Les Écologistes) e candidata declarada à eleição presidencial francesa de 2027 — deu uma entrevista ao jornal Libération na qual defendeu uma ferramenta drástica para proteger a integridade eleitoral . Sua proposta central: as autoridades francesas deveriam ter o poder de suspender temporariamente o X durante os períodos eleitorais se for detectada interferência estrangeira.
Tondelier descreveu o X como uma 'fonte de notícias falsas' com um 'algoritmo manipulado' que equivale a 'uma forte interferência na vida democrática' e tem um 'impacto estrutural, diário e crônico no debate político' . Ela argumentou que o algoritmo da plataforma molda o discurso público de forma mais profunda do que operações de influência estrangeira discretas e que tratar o X como um intermediário neutro não era mais sustentável
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Tondelier acusou especificamente Elon Musk de usar a plataforma para promover a candidata de extrema-direita Marine Le Pen antes da votação de 2027 . Ela pediu uma aplicação mais rigorosa do Ato de Serviços Digitais (DSA) europeu como base legal para qualquer proibição, afirmando que as plataformas que não coíbem a desinformação ou não transmitem as informações necessárias devem enfrentar sanções
. Em suas palavras: 'Ameaçar plataformas como o X com uma proibição durante as eleições me parece necessário, e essa sanção deve ser aplicada em caso de interferências identificadas antecipadamente'
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Na quinta-feira, 6 de agosto, Elon Musk reagiu no X compartilhando um artigo sobre a proposta de Tondelier e postando:
A redação era deliberadamente ambígua — 'calada' poderia ser interpretada como um pedido para silenciá-la politicamente, remover seu acesso à plataforma ou, como alguns interpretaram, uma exigência de ação legal . Vários veículos franceses e internacionais descreveram a fala como uma 'diatribe violenta' e uma exigência de que ela fosse 'reduzida ao silêncio'
. A postagem em si foi vista 1,8 milhão de vezes, de acordo com um relatório
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Tondelier respondeu no mesmo dia em uma postagem pública dirigida diretamente a Musk no X. Ela escreveu em inglês:
'Caro @elonmusk, sou a candidata francesa à presidência francesa que você quer 'calar por traição contra a França' (o que isso significa?...). A França não precisa de lições de patriotismo de um bilionário estrangeiro que pensa que pode decidir quais líderes políticos europeus devem ser silenciados. A democracia não está à venda. Nem mesmo para o homem mais rico do mundo. Prefiro ser acusada de defender a democracia do que de tentar comprá-la.'
Em entrevistas subsequentes à mídia francesa, ela acrescentou que não precisava 'receber lições de patriotismo' de Musk e que 'preferiria ser acusada de defender a democracia do que de tentar comprá-la'
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O confronto colocou em foco pelo menos quatro grandes tensões subjacentes antes da eleição presidencial francesa de 2027:
Tondelier e outros políticos franceses argumentam que Musk — um cidadão americano e proprietário de uma rede social globalmente dominante — exerce um poder sem precedentes para moldar os resultados eleitorais franceses. Ela descreveu o dono da plataforma como 'alguém baseado nos Estados Unidos, com uma ideologia supremacista' que quer 'empurrar a Europa para a submissão total' . Isso reavivou o debate fundamental sobre se um único bilionário estrangeiro deve efetivamente controlar um canal importante de comunicação política durante uma eleição francesa.
A proposta de Tondelier se apoia no DSA, que já exige que grandes plataformas mitiguem riscos sistêmicos aos processos eleitorais . Mas ela quer uma ferramenta mais afiada: a capacidade de impor suspensões temporárias durante o período eleitoral em plataformas consideradas como interferindo ativamente. A resposta de Musk — pedindo que uma candidata presidencial francesa seja 'calada' — foi citada por críticos como prova de que o dono da plataforma está disposto a usar seu poder para intimidar oponentes políticos
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A disputa coloca em choque dois princípios concorrentes: a insistência de Musk na expressão quase absolutamente livre no X versus a visão francesa (e europeia mais ampla) de que a amplificação algorítmica desenfreada de desinformação durante uma campanha constitui uma ameaça concreta à integridade eleitoral . Tondelier argumentou que a plataforma deve ser tratada como um editor de conteúdo, não como um intermediário neutro
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O candidato de extrema-esquerda Jean-Luc Mélenchon também condenou o ataque de Musk a Tondelier e acusou o governo francês de não fazer o suficiente para combater a interferência estrangeira . O fato de uma figura da extrema-esquerda e a candidata dos Verdes concordarem sobre a ameaça ressalta como a intervenção de Musk uniu partes do espectro político francês em torno da necessidade de uma regulamentação de plataformas mais rígida, mesmo que discordem na maioria dos outros assuntos
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