Em 29 de maio de 2026, o presidente polonês Karol Nawrocki anunciou que solicitará a cassação da Ordem da Águia Branca de Volodymyr Zelensky, a mais alta honraria do Estado polonês, após Zelensky batizar uma unidade d... A decisão unificou o establishment político da Polônia em uma onda de indignação, com o ex presi...

Create a landscape editorial hero image for this Studio Global article: What led Polish President Karol Nawrocki to announce the revocation of Ukrainian President Volodymyr Zelensky's Order of the White Eagle, ho. Article summary: On May 27, 2026, Ukrainian President Volodymyr Zelensky signed a decree naming an elite special operations forces unit the "Heroes of the Ukrainian Insurgent Army (UPA)" — an organization Poland holds directly responsibl. Topic tags: general, general web, user generated. Reference image context from search candidates: Reference image 1: visual subject "Polish President Karol Nawrocki said he will ask Poland’s Order of the White Eagle chapter to consider revoking the country’s highest state honor from President Volodymyr Zelensky." source context "Nawrocki Wants Zelensky Stripped of Poland's Highest Honor" Reference image 2: visual subject "Polish President Karo
Um único decreto presidencial bastou para acender a crise diplomática mais séria entre Varsóvia e Kiev desde a invasão em grande escala da Ucrânia pela Rússia em 2022. Em 27 de maio de 2026, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky assinou uma ordem que concedia o título honorífico de "Heróis do Exército Insurgente Ucraniano (UPA)" ao Centro de Operações Especiais Independente "Norte" das Forças de Operações Especiais da Ucrânia . A medida visava reconhecer a contribuição da unidade nos campos de batalha contra as forças russas. No entanto, na Polônia, a sigla UPA evoca uma memória radicalmente diferente: os massacres da Volínia, ocorridos entre 1943 e 1945, que vitimaram dezenas de milhares de civis de etnia polonesa
.
Em menos de 48 horas, toda a liderança política polonesa — da presidência ao ministério das relações exteriores, passando por figuras da oposição — condenou o decreto em termos unificados e de uma aspereza pessoal incomum. O presidente polonês, Karol Nawrocki, anunciou que tomaria as medidas para privar Zelensky da honraria civil mais alta do país. O ex-presidente e Prêmio Nobel da Paz, Lech Wałęsa, declarou-se pessoalmente insultado e publicamente removeu o broche com a bandeira ucraniana que usava desde o início da invasão . A disputa expôs a ferida histórica que pulsa logo abaixo da parceria estratégica entre os dois vizinhos.
O decreto de Zelensky, que entrou em vigor em 26 de maio, foi emitido "com o objetivo de reviver as tradições históricas do exército nacional" . O título de "Heróis da UPA" foi concedido a uma unidade de forças especiais que atuou em combate ativo contra as tropas russas. Da perspectiva de Kiev, a UPA representa uma tradição de resistência armada ucraniana pela independência nacional.
A memória histórica polonesa, porém, é outra. A UPA era o braço armado da Organização dos Nacionalistas Ucranianos (OUN) e é responsabilizada pela Polônia pelo genocídio da Volínia, uma campanha de limpeza étnica que, segundo estimativas polonesas, matou cerca de 100 mil poloneses entre 1943 e 1945 . Muitas das vítimas eram mulheres e crianças. Essa divergência histórica sempre foi uma fonte de tensão nas relações bilaterais, mas a decisão de Zelensky de homenagear formalmente a UPA por meio de uma unidade militar da ativa representou, aos olhos da Polônia, uma escalada que não poderia ficar sem resposta.
Em 29 de maio, o presidente Karol Nawrocki dirigiu-se a jornalistas em Varsóvia e anunciou que havia proposto formalmente a revogação da Ordem da Águia Branca de Zelensky. A ordem é a mais alta e antiga condecoração de Estado da Polônia; Zelensky a recebeu do então presidente Andrzej Duda durante uma visita de estado a Varsóvia em 5 de abril de 2023 .
"Propus que um dos itens da pauta fosse a cassação da Ordem da Águia Branca do presidente Zelensky", declarou Nawrocki, acrescentando que o Capítulo da Ordem da Águia Branca — o conselho consultivo que supervisiona a condecoração — se reunirá em 8 de junho para discutir o assunto . Nawrocki se disse "indignado" com a decisão de Zelensky e afirmou de forma direta que "Zelensky mostrou que a Ucrânia, mentalmente, não está pronta para fazer parte da família europeia"
. Alertou também que "a glorificação da UPA deu à propaganda russa amplo oxigênio para a desinformação", ligando explicitamente a homenagem doméstica à guerra de informação mais ampla que cerca o conflito
.
Apesar da gravidade de sua reação, Nawrocki fez questão de ressalvar que apoiar a Ucrânia contra a Rússia continuava sendo um objetivo estratégico para a Polônia . A proposta de revogação, portanto, ocupa um espaço incômodo onde o acerto de contas histórico e a necessidade geopolítica se chocam.
A rapidez e a amplitude da reação institucional polonesa mostraram o quanto o decreto de Zelensky atingiu o cenário político do país, normalmente bastante dividido.
O Ministério das Relações Exteriores emitiu uma declaração oficial em 29 de maio, afirmando-se "indignado" com a decisão. O ministério descreveu a nomeação como uma "escolha profundamente lamentável" que "fere a memória das vítimas" da UPA e "atinge o diálogo entre nossas nações". Em um alerta estratégico contundente, o comunicado acrescentou que a decisão "pode ser usada pela propaganda russa para enfraquecer as relações polaco-ucranianas e minar a parceria estratégica" .
O Secretário de Estado Marcin Bosacki convocou o embaixador ucraniano Vasyl Bodnar em 28 de maio para expressar "profunda insatisfação". A mesma mensagem foi entregue no dia seguinte pelo encarregado de negócios polonês em Kiev, Piotr Łukasiewicz, ao vice-ministro das Relações Exteriores ucraniano, Oleksandr Mischenko .
O primeiro-ministro Donald Tusk, falando do Sejm (o Parlamento polonês), disse que a atitude de Zelensky "fere nossa sensibilidade histórica" e a classificou como "preocupante do ponto de vista da segurança das relações polaco-ucranianas" . Tusk confirmou que o embaixador ucraniano havia sido convocado em resposta ao decreto
.
A amplitude da condenação — da presidência conservadora ao primeiro-ministro centrista, passando pelo corpo diplomático profissional do ministério das relações exteriores — sugeriu um consenso que foi além de posicionamentos partidários, tocando em algo fundamental da memória nacional polonesa.
Talvez a resposta mais visceral tenha vindo de Lech Wałęsa, o ex-presidente, líder do Solidariedade e Prêmio Nobel da Paz, que fora um notório apoiador público da Ucrânia desde a invasão de 2022, aparecendo regularmente com um broche da bandeira ucraniana na lapela.
Em uma publicação no Facebook no dia 28 de maio, Wałęsa escreveu: "O presidente da Ucrânia, ao homenagear os bandidos da UPA, insultou a mim e a todos os nossos compatriotas assassinados. Em razão disso, tirei publicamente a bandeira ucraniana do peito" .
Ele acrescentou uma distinção pessoal significativa: "Continuarei a ajudar a nação em sua luta contra os soviéticos. Mas me recuso a apoiar o presidente Zelensky" . A declaração traçou uma linha entre o povo ucraniano, a quem Wałęsa disse que continuaria a apoiar, e o presidente ucraniano, de quem retirava o endosso político pessoal que carregava um peso considerável desde o início da guerra.
Os veículos de imprensa poloneses noticiaram e amplificaram o gesto de Wałęsa, com vários destacando que ele usara o pin da bandeira ucraniana ininterruptamente desde fevereiro de 2022 . A remoção daquele símbolo — por uma figura cujo próprio legado está intimamente ligado à resistência contra a opressão — teve uma ressonância poderosa no debate público polonês.
Embora a Polônia e a Ucrânia já tenham se desentendido antes por questões históricas — particularmente sobre o legado dos massacres da Volínia, a exumação das vítimas e narrativas nacionais conflitantes —, esta crise se distingue tanto em profundidade quanto no momento em que ocorre.
Em primeiro lugar, o decreto partiu do próprio presidente ucraniano em tempos de guerra, não de uma autoridade regional ou de um grupo nacionalista marginal. A natureza formal e em nível de Estado da homenagem tornou impossível para as autoridades polonesas descartá-la como algo periférico ou oficioso.
Em segundo lugar, a reação foi instantânea e institucionalmente ampla. Em disputas históricas anteriores, era comum que o governo polonês expressasse preocupação enquanto figuras da oposição permaneciam em silêncio, ou vice-versa. Desta vez, presidência, gabinete do primeiro-ministro e ministério das relações exteriores agiram em rápida coordenação, e um ícone da oposição democrática polonesa juntou-se a eles em questão de horas.
Em terceiro lugar, o contexto estratégico é singularmente frágil. A Polônia tem sido um dos mais importantes apoiadores logísticos e militares da Ucrânia desde 2022, servindo como polo principal para a transferência de armas ocidentais e abrigando milhões de refugiados ucranianos. Qualquer deterioração na relação bilateral traz consequências imediatas para o esforço de guerra ucraniano — e o alerta do Itamaraty polonês sobre a exploração da ruptura pela propaganda russa não foi retórico, mas operacional .
O Capítulo da Ordem da Águia Branca se reunirá no dia 8 de junho, e ainda não se sabe se Zelensky será formalmente despojado da honraria. Mas o dano à confiança política entre Varsóvia e Kiev já está feito, e o esforço de reparação exigirá navegar por uma ferida histórica que nenhum dos lados se dispôs a enfrentar plenamente.
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