O comitê de segurança da província analisou esses pedidos em 25 de maio e, no final daquela semana, o prefeito Angieri vetou formalmente os dois shows. Sua declaração pública deixou claro que a decisão foi baseada na segurança, e não apenas no sentimento popular: as autoridades temiam contra-manifestações, a sobrecarga no controle de multidões com dois eventos massivos em noites consecutivas e o risco concreto de que os protestos se transformassem em tumultos .
Embora grande parte da atenção tenha se concentrado em Kanye West, o show de Travis Scott foi vetado como parte do mesmo cálculo de risco. As autoridades notaram que os festivais aconteceriam em noites seguidas, ou seja, o mesmo local e o mesmo aparato de segurança teriam que lidar com duas multidões enormes em um intervalo de 24 horas — um desafio logístico que ampliou o risco geral .
Parte da imprensa também destacou o histórico do próprio Scott: a tragédia no festival Astroworld em 2021, quando um tumulto na plateia matou 10 pessoas e feriu centenas, deixou as autoridades mais cautelosas em relação ao controle de público em suas apresentações de grande porte .
A proibição na Itália é o capítulo mais recente de uma turnê europeia que vem sendo barrada em vários países. Antes disso, ainda em 2026, West teve sua entrada negada no Reino Unido, o que levou ao cancelamento de sua participação como atração principal no Wireless Festival . Shows na França (Marselha), Polônia e Suíça também foram cancelados ou adiados, com políticos locais, ministros do interior e grupos da comunidade judaica citando o longo histórico de comentários antissemitas de West como a principal preocupação
.
Essas declarações remontam a 2022, quando os comentários de West elogiando Adolf Hitler detonaram o fim de grandes parcerias comerciais com a Adidas e a Balenciaga, além da restrição de suas contas nas redes sociais. Em 2025 e 2026, ele lançou a música "Heil Hitler" e vendeu camisetas com suásticas — atitudes que fizeram a Austrália proibir sua entrada no país e intensificaram a resposta das autoridades europeias .
Quando a decisão italiana foi anunciada, no fim de maio de 2026, um padrão claro já havia se formado: as autoridades nacionais e locais da Europa não estavam mais tratando os shows de West como eventos rotineiros, mas como potenciais focos de conflito que exigem avaliações de segurança moldadas pelo seu histórico antissemita .
Os cancelamentos em Reggio Emilia têm como justificativa oficial a ordem pública, e não um julgamento sobre o discurso de alguém. A ordem do prefeito Angieri enquadra o risco de contra-manifestações e a sobrecarga no gerenciamento de multidões como uma questão prática de policiamento, não um juízo sobre as crenças de West. Ainda assim, a linguagem usada pela comunidade judaica de Modena–Reggio Emilia — e o fato de seu pedido ter sido acatado — mostra que as autoridades europeias veem cada vez mais a presença de West como um gatilho para distúrbios que não estão dispostas a administrar .
Por enquanto, outras datas europeias continuam no calendário da turnê, mas cada uma delas enfrenta um ciclo que já se tornou familiar: objeções da comunidade, pressão política e avaliações de segurança. O veto na Itália é a prova mais recente de que, em toda a Europa, o custo de receber um show de Kanye West está sendo calculado em mais do que a venda de ingressos.