Os blocos fundamentais da IA — modelos, dados de treinamento e pipelines de pesquisa — agora são os alvos prioritários da espionagem estatal . Grupos como MURKY PANDA, MUSTANG PANDA, OVERCAST PANDA, SUNRISE PANDA e WARP PANDA foram observados mirando o setor de tecnologia mais do que qualquer outro
. A atividade é classificada como uma operação de coleta de inteligência de longo prazo, apoiada por comprometimentos da cadeia de suprimentos para atingir objetivos estratégicos
.
Os agentes de ameaça ligados à Coreia do Norte criaram um perfil operacional distinto. Além dos métodos tradicionais de invasão, os grupos expandiram seu alcance por meio da infiltração de trabalhadores de TI — posicionando operativos como prestadores de serviço remotos em empresas ocidentais — e comprometendo cadeias de suprimentos de software para obter acesso confiável .
Um relatório paralelo da CrowdStrike sobre serviços financeiros revela que atores norte-coreanos roubaram bilhões em ativos digitais em 2025 e industrializaram o crime cibernético usando táticas de engano com IA . O grupo FAMOUS CHOLLIMA, por exemplo, dobrou seu ritmo operacional, enquanto o grupo PRESSURE CHOLLIMA executou o maior roubo financeiro já registrado — impressionantes US$ 1,46 bilhão em criptomoedas — por meio da distribuição de um software trojanizado em um ataque à cadeia de suprimentos
.
Criminosos motivados por dinheiro também escalaram suas operações contra empresas de tecnologia, com corretores de acesso inicial, operadores de ransomware e grupos de extorsão priorizando o setor . O Relatório Global de Ameaças 2026 mostra que o tempo médio para um invasor se mover lateralmente em uma rede caiu para apenas 29 minutos em 2025, um aumento de 65% na velocidade em relação a 2024
. O ataque mais rápido observado foi da invasão inicial ao roubo de dados em menos de dois minutos, com um incidente cronometrado em apenas 27 segundos
.
Invasões interativas — aquelas com um humano operando atrás do teclado — cresceram 43% nos últimos dois anos, dando aos criminosos a flexibilidade de escolher entre roubo, extorsão ou espionagem a depender do valor do alvo . Essa mudança torna a detecção muito mais difícil, pois os invasores se misturam ao comportamento administrativo normal
.
Em vez de depender de malwares tradicionais, os adversários exploram cada vez mais relacionamentos de confiança, credenciais válidas, integrações SaaS e cadeias de suprimentos de software . O relatório documenta que 82% de todas as detecções em 2025 foram livres de malware. Os atacantes "vivem da terra" (usam ferramentas legítimas do sistema) e utilizam engenharia social turbinada por IA para driblar as defesas tradicionais
.
Plataformas de IA e ferramentas de desenvolvedores estão sob ataque direto. Repositórios confiáveis, pipelines de CI/CD e fluxos de trabalho são comprometidos para garantir acesso persistente a diversas organizações, num efeito cascata em que um único fornecedor de software comprometido pode abrir as portas para dezenas ou centenas de vítimas .
A inteligência artificial emergiu como uma ameaça dupla no período analisado. A atividade adversária habilitada por IA cresceu 89% ano a ano, acelerando phishing, reconhecimento, engenharia social e operações técnicas . Os criminosos usaram ferramentas de IA generativa disponíveis publicamente — incluindo ChatGPT, Gemini e DeepSeek — para criar pretextos, desenvolver malware e planejar ataques
.
Ao mesmo tempo, os sistemas de IA se tornaram uma nova superfície de ataque. Mais de 90 organizações tiveram ferramentas de IA legítimas exploradas para gerar comandos maliciosos ou roubar modelos sensíveis . O relatório documenta a inserção de prompts danosos em ferramentas de IA em produção e o uso indevido de plataformas de desenvolvimento para exfiltrar propriedade intelectual
.
O relatório define 2025 como o "ano do adversário evasivo", marcado por ataques que miram relacionamentos confiáveis, demonstram fluência com ferramentas de IA e exploram pontos cegos de segurança em ambientes de endpoint, identidade, SaaS e nuvem .
A conclusão da CrowdStrike é clara: as empresas de tecnologia não podem se defender dessa convergência de ameaças usando abordagens antigas. Quando os adversários se movem da invasão inicial para a movimentação lateral em menos de 30 minutos, e quando a maioria dos ataques não usa malware, as estratégias de detecção baseadas em indicadores maliciosos conhecidos se tornam insuficientes. O setor que constrói a tecnologia mais avançada do mundo se transformou no território digital mais contestado do planeta.