O conflito com o Irã, que começou no final de fevereiro de 2026, expôs a vulnerabilidade aguda da produção concentrada da Alba no Bahrein. Depois que o Estreito de Ormuz foi efetivamente fechado para trânsito, a Alba declarou força maior em 4 de março e iniciou uma parada controlada de três linhas de produção — representando 19% de sua capacidade total — em 15 de março . A situação piorou em 28 de março, quando ataques iranianos com mísseis e drones danificaram diretamente a fundição da Alba, causando feridos além de danos físicos
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Essa interrupção foi imediata e severa. No primeiro trimestre de 2026, o volume de vendas da Alba caiu 17% na comparação anual, para 312.563 toneladas, enquanto a produção líquida de acabados caiu 14%, para 339.734 toneladas . O impacto se estendeu por toda a região; em abril, o Instituto Internacional do Alumínio informou que a produção diária de alumínio do Golfo havia despencado para apenas 62% do nível pré-guerra
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Ao adquirir a Aluminium Dunkerque, a Alba ganha uma base de produção dentro da UE, completamente fora da zona de risco geopolítico do Golfo . A fundição francesa opera com eletricidade de origem nuclear, tornando-se um dos locais de produção de alumínio com menor emissão de carbono do mundo. Isso dá à Alba um ponto de entrada direto nos mercados europeus sem o ônus futuro do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira (CBAM) da UE, uma espécie de taxa sobre produtos importados com alta pegada de carbono
. A própria Alba define a jogada como a criação de uma “plataforma global de alumínio de baixo carbono”
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A transação foi formalizada com um memorando de entendimento assinado em 1 e 2 de junho de 2026, e a conclusão é esperada para o final de 2026, pendente das aprovações regulatórias restantes . A Comissão Europeia já concedeu sua aprovação
. Os principais termos do negócio são os seguintes:
O negócio foi uma ação coordenada envolvendo vários governos. A Alba é controlada pelo estado do Bahrein, e o Ministro das Finanças do reino, Shaikh Salman bin Khalifa Al Khalifa, endossou a aquisição como parte da estratégia de diversificação econômica do país para além da produção baseada no Golfo .
A assinatura ocorreu na cúpula Choose France, em Paris, um evento voltado para atrair investimentos estrangeiros ao país, ressaltando o apoio de alto nível do governo francês. O Ministro do Comércio francês, Nicolas Forissier, chamou publicamente a aquisição de “boa notícia” para o investimento, empregos, competitividade e descarbonização . A participação minoritária e o assento no conselho da Bpifrance funcionam como uma salvaguarda do estado francês sobre um ativo industrial crítico, um papel que analistas do Citi descreveram como, efetivamente, um "desrisco do governo francês" sobre a transação
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Em uma base pro-forma, a entidade combinada produziria cerca de 1,9 milhão de toneladas de alumínio por ano, com base nos níveis pré-guerra, posicionando a Alba entre os produtores globais de primeira linha.
A cronologia da crise ilustra por que a diversificação geográfica se tornou urgente para a fundição bareinita:
O dano não foi isolado. A região do Golfo Pérsico detém cerca de 8% a 10% da capacidade global de fundição de alumínio, e analistas da Kpler alertaram, na época, que as perdas de produção apenas em 2026 poderiam chegar a 1,79 milhão de toneladas se o conflito se agravasse, potencialmente elevando os preços na LME para perto de US$ 4.000 por tonelada .
O negócio foi recebido positivamente pelas principais partes interessadas. Trabalhadores e sindicatos da Aluminium Dunkerque supostamente apoiam a aquisição, vendo a Alba como uma operadora industrial mais estável e de longo prazo em comparação com a gestão de private equity da AIP . Analistas do Citi caracterizam o movimento como uma "proteção geopolítica" crítica, que garante acesso à energia nuclear europeia e posiciona o grupo combinado favoravelmente para a competitividade na era do CBAM
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Para investimento e empregos: A Alba se comprometeu com gastos de capital no local de Dunkerque para melhorar a eficiência e descarbonizar ainda mais as operações, com a expectativa de que os mais de 700 empregos da unidade sejam mantidos e potencialmente ampliados .
Para a descarbonização: O negócio é uma guinada verde para a Alba, cuja fundição no Bahrein funciona com energia a gás. Incorporar Dunkerque — alimentada por energia nuclear francesa — adiciona um portfólio de baixo carbono que será fundamental para vender em mercados europeus com regulamentações de carbono cada vez mais rígidas .
Para a competitividade comercial: Uma base de produção diretamente dentro da UE significa que a Alba não apenas evita os custos da taxa de carbono na fronteira, mas também as tarifas de importação, enquanto as operações de Dunkerque se beneficiam da escala da Alba na aquisição de alumina, a matéria-prima do alumínio . O acordo é, em sua essência, uma transformação estrutural que converte a pressão imediata do tempo de guerra em uma vantagem estratégica de longo prazo.