O escopo do acordo é intencionalmente limitado, estruturado como uma medida de construção de confiança que antecede negociações técnicas mais detalhadas. Os compromissos centrais, relatados por múltiplas fontes, são:
Com o acordo, seria iniciado um período de negociação de 60 dias, durante o qual as partes tentariam resolver os termos permanentes para o programa nuclear do Irã e a suspensão definitiva das sanções restantes .
A brevidade de um memorando de uma página significa que o que ele exclui é tão significativo quanto o que ele inclui. Essas omissões formam o cerne das objeções israelenses e do ceticismo mais amplo sobre a durabilidade do acordo.
A frustração israelense tem sido aberta e contundente à medida que os detalhes do MoU surgem. Uma autoridade sênior, citada pelo Ynet, chamou o acordo de um “desastre para Israel” e alertou que a “voz do país não está sendo ouvida” . As preocupações israelenses se concentram em cinco áreas específicas.
1. A principal ameaça à segurança permanece. Israel vê o Irã como uma ameaça existencial. O MoU deixa seu programa de mísseis e boa parte da infraestrutura nuclear intactos, o que significa que o perigo militar fundamental não foi alterado .
2. O Irã recebe o dinheiro antes. Os EUA concedem acesso imediato a fundos congelados e vendas de petróleo, enquanto as etapas mais duras de verificação e desmantelamento são empurradas para um futuro nebuloso. Autoridades israelenses temem que o Irã embolsará o dinheiro e protelará o recuo nuclear .
3. O poder de barganha dos EUA evapora. Uma vez que as sanções sejam suspensas e o Estreito de Ormuz esteja aberto, Israel acredita que Washington terá pouco poder restante para compelir o Irã a fazer novas concessões sobre enriquecimento ou agressão regional .
4. Israel foi deixado de lado. Autoridades israelenses relatam ter sido pouco consultadas durante o processo de negociação, ficando impossibilitadas de moldar termos que afetam diretamente sua segurança nacional .
5. Agressão regional com cheque em branco. O MoU não faz nada para restringir o armamento do Hezbollah pelo Irã, suas atividades no Iêmen e na Síria ou seu apoio militar à Rússia — tudo isso considerado por Israel como ameaças diretas e imediatas .
Na sua forma atual, o memorando EUA-Irã é uma estrutura provisória — uma troca de cessar-fogo por alívio de sanções que empurra as questões mais difíceis para o futuro. Ele oferece a perspectiva de um Estreito de Ormuz reaberto e uma frente militar mais silenciosa, mas a um preço que a liderança de Israel considera perigosamente alto e estrategicamente ingênuo.