O Glamsterdam inclui um pacote coordenado de reprecificação do gás, com o objetivo de trabalhar com um piso de aproximadamente 200 milhões de unidades de gás. Com isso, softwares baseados em um limite máximo de gás fixo podem deixar de funcionar corretamente — incluindo carteiras, indexadores e ferramentas de estimativa de taxas.
A mudança não consiste apenas em alterar uma constante. A EIP-8037 cria uma dimensão separada de gás de estado para operações que geram novo estado na rede. No modelo de custos decompostos, uma transferência para uma conta já existente pode continuar custando 21.000 unidades de gás de execução. Já uma transferência para uma conta inexistente também terá uma cobrança de gás de estado em tempo de execução.
Na prática, os desenvolvedores não devem mais presumir que:
Carteiras e serviços deverão usar estimativas compatíveis com as regras do protocolo e testar transferências para contas existentes e novas na Platåberget. A Fundação Ethereum alertou especificamente que ferramentas dependentes de limites máximos de gás fixos podem ser afetadas.
A separação entre proponente e construtor incorporada ao protocolo, conhecida como ePBS, é uma das principais mudanças do Glamsterdam e está associada à EIP-7732. A proposta modifica a forma como as responsabilidades de construção e validação dos blocos são representadas no protocolo.
Por isso, a infraestrutura de validadores, construtores, relays e nós deve testar mais do que o simples envio de transações. É necessário verificar os fluxos completos de construção, propagação e validação de blocos.
As listas de acesso em nível de bloco, especificadas na EIP-7928, também fazem parte do upgrade. Elas oferecem aos clientes e à infraestrutura informações adicionais sobre o acesso ao estado esperado ao longo de um bloco.
A mudança pode exigir ajustes em ferramentas de execução, analisadores de blocos, indexadores e sistemas que modelam ou inspecionam o conteúdo dos blocos.
O Glamsterdam também propõe limites maiores para o tamanho de contratos:
Ferramentas de implantação, validadores de bytecode, frameworks de desenvolvimento e sistemas de indexação devem testar essas novas fronteiras, em vez de tratar os limites atuais como permanentes.
Mais importante do que o nome do upgrade é a lista prática de compatibilidade. Equipes responsáveis por softwares que interagem com o Ethereum devem:
A Platåberget, portanto, não é apenas uma prévia do upgrade. Seu principal valor é revelar falhas em softwares de terceiros enquanto ainda há tempo para corrigi-los antes de uma eventual chegada à produção.
O Hegotá é o upgrade planejado para 2027, mas seu escopo ainda não foi finalizado. Os desenvolvedores estão analisando 66 propostas. O processo atual prevê uma lista de propostas para inclusão por volta de 27 de agosto, enquanto as equipes de clientes devem enviar suas classificações de preferência até 10 de setembro. Esses marcos orientam a decisão; não significam que as 66 propostas serão lançadas.
A diferença entre os estágios de cada proposta é importante:
Até o momento, o FOCIL, sigla em inglês para Fork-Choice Enforced Inclusion Lists, sob a EIP-7805, é o único recurso formalmente programado para o Hegotá. A proposta busca reforçar a resistência à censura ao permitir que listas designadas de transações sejam consideradas obrigatórias pelo mecanismo de escolha da cadeia, reduzindo a capacidade de construtores de blocos de excluir transações elegíveis.
As Frame Transactions, da EIP-8141, continuam em análise, e não estão confirmadas para o Hegotá. A proposta define um formato de transação em que a validade, o pagamento do gás e a execução podem ser tratados por uma sequência de frames e chamadas de contratos.
Isso poderia criar um caminho nativo no protocolo para a abstração de contas e para formas mais flexíveis de pagamento de transações.
Pesquisadores do Ethereum também discutem as Frame Transactions em conjunto com propostas relacionadas como uma possível base para recursos de privacidade mais nativos. Esse pacote mais amplo, porém, ainda não foi aprovado como parte do Hegotá.
A Ethlabs defendeu os Quick Slots, da EIP-8198, como parte de um Hegotá mais enxuto, concentrado em blocos e finalização mais rápidos. A redução do tempo dos slots continua sendo uma proposta, e não um parâmetro confirmado do upgrade.
As recomendações da Ethlabs também incluem a continuidade do trabalho para ampliar a capacidade da camada 1, além de resistência à censura, confirmações mais rápidas e abstração de contas nativa. Essas recomendações representam prioridades para discussão, mas não equivalem a decisões formais de inclusão.
Aumentos do limite de gás, slots de oito segundos, criptografia pós-quântica e outras propostas relacionadas a validadores, privacidade e à camada de execução permanecem em análise, sem confirmação como parte do escopo do Hegotá.
O Glamsterdam é o prazo de engenharia mais imediato. A Platåberget oferece um ambiente público para que as equipes encontrem problemas provocados pela reprecificação do gás, pela contabilidade de gás de estado, pelo ePBS, pelas listas de acesso e pelos limites ampliados de tamanho antes que a atualização chegue à Sepolia, à Hoodi e, eventualmente, à rede principal.
O Hegotá está em uma etapa diferente: é ainda um exercício de priorização. O FOCIL é o único recurso atualmente confirmado, enquanto Frame Transactions, Quick Slots, melhorias de capacidade e outras propostas ainda precisam passar pelas etapas de seleção, implementação e testes.
Para os desenvolvedores, a leitura mais segura é tratar o Glamsterdam como um projeto ativo de compatibilidade e o Hegotá como um roteiro de design em evolução — não como uma lista definitiva de recursos para 2027.