Jos Verstappen, ele próprio um ex-piloto de F1, viu os comentários e respondeu com uma única e devastadora linha nas redes sociais: "É por isso que você está fora da F1" . A observação foi uma referência direta à saída de Steiner do comando da Haas, elevando instantaneamente um debate regulatório a uma rixa familiar profundamente pessoal
.
O contra-ataque se espalhou rapidamente pela mídia da F1. A narrativa mudou de "se Verstappen está reclamando demais" para "se Steiner perdeu o direito de opinar de fora". A resposta curta e grossa definiu a treta pública, transformando um argumento técnico complexo em uma frase de efeito viral.
Jos Verstappen não foi o único a sentir que Steiner havia passado dos limites. O companheiro de equipe de Max no GT, Dani Juncadella, também saiu em sua defesa. Juncadella repreendeu Steiner publicamente, argumentando que as críticas de Max ao regulamento de 2026 foram consistentes desde o primeiro shakedown em Barcelona e não dependiam do resultado de um fim de semana de corrida . Sua intervenção adicionou outra voz poderosa de dentro do círculo íntimo de Verstappen, reforçando a mensagem de que a acusação de hipocrisia de Steiner não se sustentava
.
Os ataques pessoais são sintoma de uma crise muito mais profunda dentro da Fórmula 1. A principal frustração dos pilotos é a reforma regulatória de 2026, que introduziu uma divisão de potência quase 50:50 entre o motor de combustão interna (ICE) e os elementos elétricos . Esse equilíbrio forçou os pilotos a adotar táticas extremas de gerenciamento de energia, incluindo o pesado uso de "tirar o pé e desacelerar" e o "super-clipping", em que os carros perdem potência drasticamente no fim das retas conforme a bateria se esgota
.
Após meses de reclamações, a FIA concordou em princípio, no início de maio de 2026, em acelerar uma significativa mudança de hardware: alterar a divisão de potência para uma proporção de 60:40 a favor do motor a combustão para a temporada de 2027 . A mudança proposta aumentaria a potência do ICE em aproximadamente 50kW (67 cavalos) para reduzir a dependência do gerenciamento da bateria e permitir que os carros fossem pilotados de forma mais agressiva
.
No entanto, a correção requer a aprovação de uma supermaioria dos cinco fabricantes de unidades de potência no Comitê Consultivo (Mercedes, Ferrari, Honda, Audi e Red Bull Ford) . O acordo encontrou oposição significativa. Antes do GP do Canadá, surgiram relatos de que vários fabricantes estavam se posicionando contra, com Audi e Ferrari notadamente contrários à mudança, deixando as regras de 2027 em um perigoso estado de limbo
.
Em meio à guerra de palavras, o chefe da Red Bull, Laurent Mekies, emergiu como um defensor consistente e vocal de seu piloto estrela. Mekies argumentou que as críticas de Verstappen não nascem da frustração com as derrotas, mas de um amor genuíno e profundo pela Fórmula 1 e um desejo de vê-la permanecer como o auge do automobilismo . Ele insiste que Verstappen está "totalmente comprometido" com a equipe e "tão focado e preciso como sempre", descartando os rumores de uma aposentadoria antecipada
.
Mekies permanece otimista de que uma solução será encontrada para manter Verstappen na F1 além de seu contrato atual, afirmando estar confiante de que as fabricantes se unirão pelo bem do esporte . Se esse otimismo é suficiente para aplacar um tetracampeão que ameaçou deixar o esporte completamente se as corridas não forem corrigidas, permanece como uma das questões centrais que pairam sobre a temporada de 2026
.