A explicação oficial para essa invisibilidade sem precedentes é que ele ficou ferido no mesmo ataque aéreo que matou seu pai . Os relatos sobre a gravidade desses ferimentos são profundamente contraditórios. Autoridades iranianas passaram por uma série de garantias: ele está com "saúde muito boa" , com "completa boa saúde" , e sofreu apenas ferimentos "superficiais" . Um alto funcionário até especificou que suas costas e joelho estavam se recuperando . Esses relatos contrastam fortemente com outras reportagens que sugerem que ele sofreu "ferimentos graves e desfigurantes" ou estava "inconsciente e atualmente incapaz de governar" enquanto recebia tratamento na cidade santa de Qom .
Esse vácuo de informação alimentou uma especulação tão intensa que o Presidente Pezeshkian, no início de maio, sentiu-se compelido a declarar publicamente que havia se encontrado pessoalmente com Khamenei por duas horas e meia — uma alegação que, por si só, sublinha a peculiaridade da situação . Nenhum outro alto funcionário confirmou publicamente um encontro. Sem um líder supremo visível e comprovadamente capaz, o árbitro máximo do sistema iraniano está funcionalmente ausente.
Se o líder supremo invisível representa um vácuo no topo, a renúncia relatada do Presidente Masoud Pezeshkian revela quem o preencheu. Em 31 de maio de 2026, o veículo sediado em Londres, Iran International, noticiou, citando uma fonte anônima, que Pezeshkian havia enviado uma carta oficial de renúncia ao Gabinete do Líder Supremo .
Na carta, Pezeshkian escreveu que sua administração havia sido "excluída dos principais e vitais processos de tomada de decisão" e que o vácuo permitiu que "facções linha-dura dentro da IRGC assumissem o controle dos assuntos" . Ele afirmou ser incapaz de cumprir suas responsabilidades legais e formalmente pediu para renunciar .
A mídia estatal iraniana negou imediatamente a notícia. Um alto funcionário declarou: "O Presidente Pezeshkian não recuará de servir ao povo" . Essa negação pública — e o fato de Pezeshkian permanecer como presidente — não anula a alegação central do relatório. Várias fontes independentes, incluindo India Today, Jerusalem Post, Fox News e The Week, corroboraram a existência da carta e seu conteúdo . O presidente do Irã supostamente tentou renunciar, protestando publicamente contra uma tomada militar de poder, e foi forçado a ficar ou estava impotente para fazer sua renúncia valer.
A exclusão do presidente não é um desenvolvimento repentino. Já em 1º de abril de 2026, reportagens indicavam que um "Conselho Militar", composto por figuras da IRGC, já tomava as principais decisões do país . O conselho, que supostamente inclui Ahmad Vahidi, Mohsen Rezaei, entre outros, bloqueou Pezeshkian de nomear um novo ministro da inteligência e insistiu que todos os cargos de liderança crítica em tempos de guerra devem ser decididos pela IRGC .
Essa realidade foi cristalizada numa análise da Reuters no final de abril, que concluiu que o Irã "já não tem um único árbitro clerical incontestável no auge do poder" e que a IRGC havia tomado o controle em tempos de guerra, enfraquecendo o papel do líder supremo . A morte de Ali Khamenei e a incapacidade de seu filho inauguraram uma nova ordem dominada por comandantes da IRGC, substituindo o árbitro clerical por uma cadeia de comando militar .
O descontentamento interno com esta nova ordem não é apenas burocrático. Em 22 de março de 2026, Ahmad Alamolhoda, representante do Líder Supremo na província de Khorasan e um clérigo sênior do regime, fez o que foi descrito como um "apelo público desesperado" por transparência em tempos de guerra . Ele criticou a falta de responsabilização do regime e implorou às forças de segurança que mantivessem sua presença nas ruas para evitar levantes populares . O fato de um clérigo sênior ventilar tais preocupações publicamente sinaliza uma profunda ansiedade dentro do establishment clerical sobre a direção da estrutura liderada pela IRGC.
As peças se encaixam num quadro coerente. O líder supremo está invisível e provavelmente incapacitado. O presidente eleito foi marginalizado e, segundo consta, tentou renunciar em protesto contra uma tomada militar. A autoridade real reside num conselho militar da IRGC que bloqueia nomeações civis e controla todas as grandes decisões de guerra. E clérigos seniores estão publicamente pedindo responsabilização.
O princípio fundador da República Islâmica — de que a autoridade máxima reside num líder clerical supremo — foi suspenso na prática. Em seu lugar, está uma estrutura liderada por militares que assumiu as rédeas de uma nação em guerra. Isto não é uma luta teórica pelo poder; é um golpe de fato, mascarado por uma fachada clerical esvaziada que ainda realiza os rituais de governança.