Michelle Bachelet, do Chile, María Fernanda Espinosa, do Equador, Macky Sall, do Senegal, e Olara Otunnu, de Uganda, ficaram atrás do trio principal. A votação foi um teste inicial de viabilidade — não uma classificação definitiva nem uma decisão formal.
O grupo atualmente é formado por:
Grynspan, Rodrigues-Birkett e Grossi são os únicos candidatos cuja força política foi medida no primeiro escrutínio. A posição de Baki ainda é desconhecida porque ela entrou na corrida depois da votação de julho.
Tonga indicou nesta semana a diplomata equatoriana Ivonne Baki, que já foi ministra e embaixadora, tornando-a a oitava candidata e a segunda representante do Equador na disputa. Por ter sido lançada após o primeiro escrutínio, ela não apareceu nas cédulas daquela rodada.
Baki colocou a prevenção de conflitos e a renovação das Nações Unidas no centro de sua campanha. Ao apresentar essa agenda, mencionou sua experiência pessoal durante a guerra civil libanesa.
Não há, porém, confirmação nas fontes disponíveis de que Baki tenha apoio formal dos Estados Unidos. Também não está estabelecido que seus vínculos relatados com Donald Trump e Bill Clinton representem um compromisso de voto do governo americano. Essas alegações devem ser tratadas como não confirmadas, e não como uma posição oficial de Washington.
A presidente da Assembleia Geral da ONU, Annalena Baerbock, tem defendido um processo mais transparente e inclusivo. Entre suas propostas estão indicações feitas com antecedência, diálogos públicos com os candidatos e mais oportunidades para os Estados-membros conhecerem suas plataformas antes da decisão do Conselho de Segurança.
Estados Unidos e Rússia criticaram o que consideram uma ampliação indevida do papel de Baerbock na escolha. Segundo as reportagens, Washington a acusou de ultrapassar suas atribuições, enquanto Moscou também contestou a função que ela tenta exercer no processo.
A divergência expõe uma tensão estrutural: a Assembleia Geral pode pressionar por transparência e participação, mas o artigo 97 da Carta da ONU atribui ao Conselho de Segurança a etapa de recomendação. Os “straw polls”, ou escrutínios informais, têm influência política, mas não são decisões jurídicas obrigatórias.
A Rússia indicou que novos candidatos ainda podem surgir e criticou o histórico de Guterres em um contexto mais amplo de eficácia da ONU e gestão de conflitos. Essa postura mantém aberta a possibilidade de Moscou resistir a um consenso rápido em torno dos nomes que lideraram a primeira rodada.
As informações disponíveis não comprovam que a Rússia tenha apoiado ou rejeitado formalmente qualquer candidato específico. Sua abertura a novos nomes deve ser entendida, portanto, como um sinal de que tanto a lista de concorrentes quanto as negociações ainda podem mudar.
Pelo artigo 97 da Carta da ONU, a Assembleia Geral nomeia o secretário-geral depois de receber uma recomendação do Conselho de Segurança. Na prática, o Conselho precisa encontrar um nome que consiga pelo menos nove dos 15 votos e não seja vetado por nenhum dos cinco membros permanentes: China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos.
Nas rodadas posteriores, o procedimento costuma diferenciar as posições dos membros permanentes das dos dez membros eleitos. Isso torna mais visível o risco de veto — um dado que pode ser mais importante do que o total de votos de “incentivo” recebido por um candidato.
O segundo mandato de Guterres termina em 31 de dezembro de 2026. A disputa tem forte presença latino-americana e caribenha, em parte porque uma expectativa informal de alternância regional favorece essa região desta vez. Trata-se de uma convenção política, não de uma regra obrigatória, e ela não altera o poder do Conselho de Segurança de recomendar o próximo secretário-geral.
Novos escrutínios podem ocorrer ao longo de setembro e outubro — ou até depois — se as potências permanentes permanecerem divididas ou se mais candidatos entrarem na corrida. As informações divulgadas antes da segunda rodada apontavam que a decisão ainda estava a semanas de distância, e não era iminente.
Os principais sinais serão a capacidade de Grynspan de preservar a liderança, a possibilidade de Rodrigues-Birkett ou Grossi reduzirem a diferença e o surgimento de um nome capaz de funcionar como compromisso entre os membros do Conselho. A candidatura tardia de Baki também será observada, embora uma única votação não seja suficiente para demonstrar uma trajetória de vitória.
A pergunta decisiva é direta: algum candidato conseguirá chegar a nove votos sem provocar a oposição de nenhuma das cinco potências com poder de veto? Até que isso aconteça, os resultados do primeiro escrutínio são apenas indicadores — não um veredito.