O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, que atuou como o principal mediador, foi peça fundamental para costurar o acordo. Ele anunciou o consenso no domingo (14) e confirmou que as autoridades do Irã e dos EUA devem realizar uma cerimônia formal de assinatura na sexta-feira, na Suíça . A reabertura do Estreito de Ormuz — um ponto de passagem obrigatório para o suprimento global de energia, por onde escoa grande parte do petróleo do Oriente Médio — é o ganho econômico mais imediato previsto pelo pacto
.
Em questão de horas após o anúncio do acordo, o governo de Israel minou publicamente a sua premissa. O ministro da Defesa, Israel Katz, declarou que o país não se retiraria dos territórios ocupados, incluindo áreas no sul do Líbano, e afirmou que ele e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu se opõem à retirada das tropas . Relatos indicam que membros da coalizão governista foram além, afirmando que Israel “não estaria vinculado” aos termos do acerto entre EUA e Irã
.
Essa postura cria um conflito direto com as disposições do acordo. Enquanto EUA, Irã e Paquistão declararam que o cessar-fogo se aplica a todas as frentes, incluindo o Líbano, as autoridades israelenses insistiram que não são parceiros do acordo e sinalizaram a intenção de continuar as operações contra o Hezbollah . Katz teria afirmado ainda que grande parte do sul do Líbano seria demolida, classificando os ganhos territoriais como uma das “maiores conquistas” das IDF
.
O desentendimento não é apenas retórico. Em 14 de junho — o mesmo dia em que o texto final do acordo foi anunciado —, Israel realizou um bombardeio em Beirute. O presidente Donald Trump criticou abertamente a operação, afirmando que o ataque “não deveria ter acontecido” quando as negociações estavam tão próximas de uma conclusão . Em uma conversa separada com o site Axios, Trump teria, inclusive, responsabilizado Israel pelo atraso na assinatura do documento
. Esse atrito se soma a episódios anteriores, como as tensas ligações entre Trump e Netanyahu, nas quais o presidente americano demonstrou estar “perturbado” com a campanha israelense no Líbano, que estaria atrapalhando as conversas de paz com o Irã
.
Para que o acordo entre EUA e Irã entre plenamente em vigor, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, declarou que Israel precisa interromper suas operações militares no Líbano . Segundo a Al Jazeera, o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã afirmou que o pacto exige uma suspensão imediata de todas as ações militares, inclusive no Líbano, onde Israel já ocupa cerca de um quinto do território
.
A situação atual é descrita como um momento de extrema fragilidade. O acordo provisório encara um desafio existencial imediato, e ainda não está claro se ele conseguirá sobreviver à rejeição pública de Israel . Sem uma interrupção das operações israelenses, o plano mais amplo — que busca encerrar a guerra entre EUA e Irã e estabilizar uma rota comercial crítica para o mundo — pode ruir antes mesmo de ser formalmente assinado.
Comments
0 comments