As unidades iniciais foram inclusive entregues pessoalmente por Ian Buck, vice‑presidente de hyperscale e HPC da Nvidia, como parte das primeiras implantações com parceiros estratégicos.
Essas organizações estão entre as primeiras a testar a nova infraestrutura baseada na arquitetura Rubin.
Diferente de CPUs tradicionais de servidores, a Vera foi projetada especificamente para infraestrutura de IA, onde CPUs e GPUs precisam trabalhar de forma extremamente coordenada.
Nos sistemas modernos de IA, muitas tarefas não envolvem apenas cálculo de matrizes nas GPUs. Há também processos como:
Essas tarefas exigem alto desempenho por thread, acesso rápido à memória e comunicação ultrarrápida com GPUs — exatamente os pontos em que a Nvidia afirma ter otimizado a Vera.
As especificações públicas indicam que a Vera é uma CPU de data center baseada em Arm, com núcleos personalizados desenvolvidos pela própria Nvidia.
Entre os principais elementos da arquitetura estão:
Esse design permite que a CPU atue como o motor de memória e orquestração dos sistemas de IA, enquanto as GPUs Rubin executam os cálculos massivos de tensores usados no treinamento e inferência de modelos.
A estratégia segue a linha da Grace CPU, geração anterior da Nvidia baseada em Arm usada no sistema Grace Hopper.
A Nvidia afirma que a Vera foi otimizada para workloads em que múltiplos componentes de IA precisam interagir — algo comum em sistemas de agentes autônomos.
Entre os números divulgados pela empresa:
Esses resultados vêm de benchmarks da própria Nvidia e ainda têm validação independente limitada, então devem ser interpretados como estimativas do fornecedor, não comparações definitivas de mercado.
A Vera CPU não foi projetada para operar isoladamente. Ela forma metade da plataforma Vera Rubin, combinada com GPUs Rubin e outros componentes da Nvidia.
O sistema principal é o rack Vera Rubin NVL72, que integra:
Todos esses elementos são integrados em um supercomputador de IA em escala de rack, projetado para treinamento, inferência e workloads de agentes avançados.
A Nvidia também descreveu racks dedicados apenas à CPU, com até 256 CPUs Vera refrigeradas a líquido, voltados para orquestração e workloads de aprendizado por reforço em grandes clusters de IA.
Historicamente, a Nvidia dominou a infraestrutura de IA principalmente com GPUs. Mas os sistemas modernos exigem muito mais que aceleradores gráficos.
Com a Vera, a empresa tenta se posicionar como fornecedora de infraestrutura completa de IA, incluindo:
Ao desenvolver sua própria CPU, a Nvidia também reduz a dependência de processadores usados tradicionalmente como hosts em servidores, como Intel Xeon ou AMD EPYC.
Isso permite uma integração muito mais profunda entre CPU, GPUs e rede dentro de seus sistemas.
O lançamento também coloca a Nvidia mais diretamente no mercado de CPUs de servidores.
Esse setor ainda é amplamente dominado por chips x86 da Intel e da AMD. A competição, porém, vem se intensificando: dados da Mercury Research indicam que a AMD já ultrapassou 33% de participação em unidades de CPUs para servidores e cerca de 46% da receita desse mercado x86 no início de 2026.
Ao oferecer sua própria CPU otimizada para IA, a Nvidia busca capturar uma fatia maior do custo total de hardware dos data centers e consolidar seu ecossistema tecnológico.
O lançamento da Vera destaca uma mudança importante na indústria de computação para IA.
Em vez de vender chips isolados, a Nvidia está construindo plataformas completas — o que a empresa chama de AI factories — onde CPU, GPU, rede e software são projetados juntos.
A geração Rubin representa esse modelo de integração vertical, com vários chips trabalhando como um único sistema otimizado para treinar e operar modelos gigantes de IA.
Se as melhorias de desempenho prometidas se confirmarem, a Vera CPU pode se tornar um componente central na forma como futuros data centers de IA serão construídos — com hardware e software desenvolvidos como um único sistema integrado.