A empresa afirmou que o dinheiro ajudaria a financiar sua transição para uma plataforma nativa em IA — isto é, uma combinação de hardware e software planejada desde a origem para funcionar com inteligência artificial . Com a rodada, o total captado pela Nothing ultrapassou US$ 450 milhões .
Na ocasião, Carl Pei resumiu a tese da companhia: “Para que a IA alcance seu potencial máximo, o hardware de consumo precisa evoluir junto com ela” .
A primeira peça visível dessa mudança foi apresentada em setembro de 2025, com o lançamento do Essential. A Nothing descreve a plataforma como o primeiro passo rumo a um sistema operacional nativo em IA .
O projeto tem dois componentes principais:
A versão completa do Essential OS está prevista para o primeiro semestre de 2027 . A proposta é substituir a lógica de uma grade fixa de ícones por uma interface que se adapte às necessidades e aos hábitos de cada usuário.
Pei também defende a ideia de que agentes de IA poderão, no futuro, ocupar o lugar de muitos aplicativos tradicionais. Em vez de abrir um app específico para cada tarefa, o usuário faria um pedido e o sistema escolheria ou criaria a ferramenta adequada .
Relatos publicados por Smartprix e Gizmochina apontam que a primeira leva de produtos com foco em IA pode chegar em setembro de 2026 . Como os dispositivos ainda não foram confirmados oficialmente em todos os detalhes, a lista deve ser tratada como expectativa, não como anúncio definitivo:
Segundo os relatos, a Nothing também estaria redirecionando parte dos recursos de engenharia antes destinados aos celulares Android para essas novas categorias .
A expansão pode ir além de relógios e áudio. A Bloomberg informou, em abril de 2026, que a Nothing planeja lançar óculos inteligentes com recursos de IA no primeiro semestre de 2027 .
O produto deve combinar câmeras, microfones e alto-falantes, conectando-se ao smartphone e à nuvem para processar consultas de inteligência artificial . Carl Pei teria sido inicialmente contrário à ideia de óculos inteligentes, mas passou a defender uma estratégia de múltiplos dispositivos para a empresa .
No fim de julho de 2026, uma reportagem do site Digit afirmou que a Nothing poderia deixar 12 mercados internacionais e reduzir sua força de trabalho global em aproximadamente 40%. Os centros de pesquisa e desenvolvimento na China e em Londres estariam entre os mais afetados .
Akis Evangelidis, cofundador da Nothing, reagiu no X chamando os rumores sobre a saída dos mercados de “FAKE NEWS” . Ao mesmo tempo, ele confirmou que a empresa está reorganizando suas equipes e demitindo funcionários para criar uma nova unidade de negócios nativa em IA .
Evangelidis afirmou que os números divulgados eram “muito exagerados” e que a Nothing está consolidando suas operações em polos regionais . Portanto, há uma distinção importante: as demissões e a reorganização foram confirmadas, enquanto a suposta saída de 12 mercados e a escala de 40% permanecem contestadas. Separadamente, o CityAM informou que mais de 100 dos cerca de 800 funcionários globais da empresa poderiam ser afetados, incluindo aproximadamente 25 posições de marketing no Reino Unido .
A marca CMF, voltada a produtos mais acessíveis, não lançará um novo smartphone em 2026 . Akis Evangelidis confirmou a decisão e apontou o aumento dos custos de RAM e de outros componentes de memória como motivo: com os preços atuais, seria financeiramente inviável manter um aparelho abaixo de US$ 250 sem comprometer a evolução do produto .
Como alternativa, a Nothing lançou o Phone (4b) sob sua marca principal. Segundo a empresa, o modelo vendeu 29.537 unidades no primeiro dia .
A própria CMF também está passando por uma transformação corporativa. Em setembro de 2025, a Nothing anunciou que a marca seria separada como uma empresa independente sediada na Índia, com investimento planejado superior a US$ 100 milhões e a meta de criar pelo menos 1.800 empregos em três anos .
Por enquanto, não há uma resposta definitiva. Os relatos indicam que a Nothing está reduzindo os recursos destinados ao desenvolvimento de telefones Android, mas o tamanho final dessa redução ainda é incerto .
Há dois caminhos possíveis:
A primeira opção parece mais compatível com a declaração de que os celulares não deixarão de existir, apenas perderão o protagonismo . Na prática, a decisão deve depender da recepção aos produtos esperados para setembro de 2026 e do desempenho do Essential OS quando chegar, no primeiro semestre de 2027.
A Nothing está, portanto, tentando fazer uma aposta de alto risco: usar a identidade visual que a diferenciou no mercado de smartphones para construir um ecossistema em que a inteligência artificial seja o ponto de ligação entre vários dispositivos. O sucesso dessa estratégia dependerá menos de lançar mais um celular e mais de provar que relógios, fones, caixas de som e óculos podem funcionar juntos de maneira realmente útil.