A conta oficial de criadores do X informou que a plataforma não aceitaria novas inscrições no Revenue Sharing. Os participantes atuais continuariam recebendo pagamentos até 7 de setembro de 2026, e o acesso ao novo programa começaria a ser liberado em 8 de setembro.
A possibilidade de usar stablecoins é um assunto separado. Ela surgiu em reportagens atribuídas à CoinDesk e a uma pessoa familiarizada com as conversas. Relatos posteriores mencionaram o USDC como uma das opções consideradas, mas o X não confirmou publicamente o plano.
Stablecoins são tokens digitais projetados para acompanhar o valor de uma moeda, geralmente o dólar. O USDC, por exemplo, pode ser enviado para uma carteira de criptomoedas compatível.
Em tese, isso permitiria que uma plataforma global usasse um ativo digital de liquidação comum, sem precisar montar um processo bancário e cambial diferente para cada país onde há criadores. Pagamentos pequenos e internacionais poderiam ser mais rápidos e depender menos de bancos correspondentes, redes locais de transferência e conversões de moeda.
O benefício potencial seria maior em países onde transferências internacionais são lentas, caras ou difíceis de processar. Reportagens sobre as operações de pagamento da Starlink descrevem uma lógica semelhante: receber valores em stablecoins pode reduzir complicações cambiais e a necessidade de fazer inúmeras transferências bancárias internacionais.
Isso não eliminaria todos os problemas. Os criadores ainda precisariam de uma carteira compatível, de uma forma regularizada de converter USDC em moeda local, de orientação tributária, atendimento ao cliente e proteção contra erros ou fraudes. No caso da Meta, por exemplo, os criadores elegíveis recebem USDC por meio de carteiras compatíveis nas redes Solana ou Polygon, mas a empresa não oferece conversão integrada para moedas locais.
A Meta já passou da fase de discussões internas. A empresa começou a oferecer pagamentos em USDC a um grupo limitado de criadores na Colômbia e nas Filipinas, com transferências nas redes Solana e Polygon. Os participantes podem vincular uma carteira de terceiros compatível às suas contas para receber os valores.
O caso ajuda a dimensionar o que o X poderia fazer, mas não prova que a plataforma adotará o mesmo modelo. O X pode escolher outras redes, carteiras, parceiros de pagamento ou controles de conformidade — ou simplesmente decidir não lançar a funcionalidade.
Reportagens baseadas em declarações do investidor Chamath Palihapitiya afirmam que a SpaceX teria usado stablecoins para receber alguns pagamentos de clientes da Starlink em países com sistemas financeiros menos desenvolvidos. Segundo essa descrição, os valores seriam convertidos ou agrupados por meio de estruturas com stablecoins e depois reconvertidos em dólares nos Estados Unidos.
O relato ajuda a explicar por que stablecoins poderiam interessar a empresas ligadas a Elon Musk. Mas ele não comprova a existência de um plano de pagamentos a criadores no X. A suposta operação da Starlink envolve pagamentos de clientes e gestão financeira, não royalties de conteúdo, e a SpaceX não detalhou publicamente o alcance exato da estrutura.
O X teria contratado Benji Taylor como chefe de design em março. Segundo as reportagens, suas responsabilidades abrangem X, xAI e SpaceX. Taylor já liderou o design da rede Base, ligada à Coinbase, e tem experiência com carteiras digitais e finanças descentralizadas, ou DeFi.
Esse histórico é compatível com um interesse mais amplo em infraestrutura de criptomoedas. Porém, uma contratação não comprova que o X escolheu o USDC, desenvolveu um fluxo de carteira ou aprovou pagamentos de criadores em stablecoins. Por enquanto, a contratação é apenas contexto — não evidência de implementação.
A confiança na informação deve permanecer limitada porque a notícia se baseia em fontes anônimas, e não em um anúncio da empresa ou em uma funcionalidade visível para os usuários. Pelo menos um serviço de notícias retirou posteriormente um alerta, afirmando que ele havia sido codificado de forma incorreta e atribuído indevidamente ao South China Morning Post. A retirada identificou a CoinDesk como origem do relato.
Esse episódio não deve ser interpretado automaticamente como uma retratação da reportagem da CoinDesk. Ele reforça, porém, a necessidade de separar o relato original dos fatos confirmados de forma independente. A conclusão mais segura neste momento é que o X estaria avaliando a ideia — não que a plataforma pagará criadores em USDC.
A discussão ocorre enquanto o uso de stablecoins cresce. Dados ajustados da Visa apontaram volume de transações de US$ 1,79 trilhão em junho de 2026, alta de 63% em relação a maio e de 125% ante o mesmo mês do ano anterior. A metodologia exclui atividades como bots e transferências internas de exchanges. Portanto, o número não equivale a US$ 1,79 trilhão em compras comuns de consumidores ou pagamentos a criadores.
A escala indica que stablecoins estão ganhando credibilidade como infraestrutura de liquidação, especialmente para fluxos internacionais. Isso torna comercialmente plausível um teste do X, sobretudo se a plataforma quiser alcançar criadores mal atendidos pelo sistema bancário tradicional. Mas o volume do mercado, por si só, não comprova demanda dos criadores, aprovação regulatória ou intenção de lançamento por parte do X.
O X pode estar estudando o uso do USDC ou de outra stablecoin para recompensar criadores enquanto reformula seu sistema de monetização. A lógica é clara: um pagamento em dólar digital poderia oferecer uma maneira mais padronizada de enviar valores pequenos para diferentes países.
Mas a evidência ainda não é suficiente para tratar o assunto como um anúncio de produto. Até que o X publique detalhes técnicos, regras de elegibilidade, exigências de conformidade ou um cronograma, os criadores devem considerar os pagamentos em stablecoins apenas uma possibilidade reportada — não um recurso disponível nem uma parte garantida do Original Content Rewards.