Com menos embarcações conseguindo sair dos portos iranianos, parte do petróleo está sendo mantida em armazenamento flutuante — crude estocado dentro de navios‑tanque ancorados no mar.
A capacidade de armazenamento em terra no Irã é limitada. Quando os tanques começam a atingir o limite e os navios não conseguem partir, a produção de petróleo precisa ser ajustada.
Relatos indicam que autoridades iranianas já reduziram parte da produção de petróleo à medida que as exportações caíram e o espaço de armazenamento ficou escasso.
Analistas também dizem que o país chegou a considerar colocar petroleiros antigos ou aposentados de volta em operação para servir como armazenamento adicional no mar.
Esse tipo de solução improvisada mostra um problema logístico clássico do setor petrolífero: quando não há espaço para guardar o produto, a produção precisa diminuir ou surgem riscos operacionais.
Entre 6 e 8 de maio, imagens de satélite mostraram uma mancha de óleo perto da ilha de Kharg cobrindo cerca de 20 milhas quadradas (aproximadamente 52 km²).
A origem da mancha ainda não está clara. Algumas hipóteses levantadas por observadores incluem falhas em infraestrutura, descarga acidental ou manuseio emergencial de excesso de petróleo.
Também houve especulações de que petróleo poderia ter sido liberado deliberadamente para aliviar a pressão de armazenamento. No entanto, não há provas conclusivas de despejo intencional, e a causa exata do vazamento permanece desconhecida.
Mesmo sem confirmação, o episódio aumentou a atenção sobre o estresse operacional enfrentado pelo principal terminal petrolífero do país.
O congestionamento em Kharg está diretamente ligado à aplicação do bloqueio naval americano iniciado em abril de 2026. A medida mira embarcações que entram ou saem de portos iranianos.
Ao mesmo tempo, os EUA afirmam que navios que apenas transitam pelo Estreito de Hormuz rumo a portos de outros países não são impedidos, tentando evitar um bloqueio total da rota global de energia.
O Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou que diversas embarcações comerciais foram redirecionadas para cumprir as restrições. Relatórios iniciais apontaram 48 navios desviados em cerca de 20 dias, com números posteriores indicando um total ainda maior conforme a operação continuou.
Além disso, alguns navios desligam seus sistemas de rastreamento ou são obrigados a voltar antes de concluir a viagem, o que dificulta estimar com precisão o volume real de exportações iranianas.
O que acontece em Kharg mostra como pressão marítima pode se espalhar por todo o sistema energético de um país produtor:
No caso do Irã, esses três fatores parecem ocorrer ao mesmo tempo.
A crise ocorre em uma das regiões mais sensíveis para o abastecimento global de energia. O Estreito de Hormuz é uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte de petróleo no mundo.
Mesmo que o bloqueio esteja direcionado aos portos iranianos e não ao tráfego internacional em geral, a concentração de navios‑tanque, as ações militares e a pressão sobre a infraestrutura aumentam a incerteza nos mercados de petróleo e elevam as tensões geopolíticas no Golfo.
O acúmulo de navios‑tanque em Kharg reflete um gargalo crescente nas exportações de petróleo do Irã. O bloqueio naval reduziu o fluxo de embarques, o petróleo começou a se acumular em navios no mar e a capacidade de armazenamento em terra está perto do limite.
Com isso, a produção já começou a ser reduzida e o principal terminal de exportação do país opera sob forte pressão — um exemplo claro de como medidas marítimas podem afetar rapidamente toda a infraestrutura energética de um país produtor.