Segundo o modelo de análise de Cowen, a média móvel de 50 semanas é um ponto decisivo. Historicamente, essa linha costuma funcionar como suporte em ciclos de alta.
Para invalidar a tese de baixa, o Bitcoin precisaria fechar várias semanas consecutivas acima dessa média. Caso contrário, o ativo pode continuar fraco por um período prolongado, aguardando melhora nas condições macroeconômicas e na liquidez global.
Em alguns cenários analisados por Cowen, um fundo mais profundo poderia surgir apenas mais tarde em 2026, alinhado com padrões observados em ciclos anteriores de correção após picos de mercado.
Apesar da fraqueza no preço, o mercado de derivativos conta uma história diferente: os traders parecem extremamente cautelosos.
Segundo a K33 Research, vários indicadores mostram que grande parte da alavancagem e da especulação otimista já foi eliminada do sistema.
Entre os sinais observados estão:
Esses fatores sugerem que muitos traders estão reduzindo risco ou se protegendo, em vez de abrir novas apostas agressivas de alta.
Outro indicador citado é a base dos futuros negociados na CME (Chicago Mercantile Exchange), que caiu para níveis historicamente baixos — sinal de pouco entusiasmo especulativo.
De acordo com Vetle Lunde, chefe de pesquisa da K33, esse cenário é bem diferente de crashes anteriores, que geralmente ocorreram após grandes posições alavancadas de compra que acabaram liquidadas em cascata. Neste ciclo, o mercado mostra um “sentimento singularmente pessimista”.
Métricas registradas diretamente na blockchain também apontam para um ambiente de estresse típico de fases mais avançadas do mercado de baixa.
A K33 observa que os lucros realizados na rede caíram significativamente, indicando que menos investidores estão vendendo com ganho e que a atividade de realização de lucro diminuiu.
Outro sinal importante: a parcela da oferta mantida por investidores de longo prazo que ainda está em lucro também caiu.
Atualmente, cerca de 66,5% do supply desses holders permanece em lucro, um nível menor que em fases anteriores do ciclo. Isso sugere que parte do mercado já está absorvendo perdas.
Essas condições não garantem que o fundo do mercado já tenha sido atingido — mas são mais comuns nas etapas finais de um bear market do que perto de picos especulativos.
Mesmo com o preço pressionado, a K33 argumenta que a estrutura desta correção pode diferir das quedas históricas de 2014, 2018 e 2022.
Nos ciclos anteriores, colapsos severos foram amplificados por alavancagem excessiva e liquidações em massa. Agora, muitos traders já estão posicionados de forma defensiva desde cedo.
Isso pode ter dois efeitos possíveis:
Em outras palavras, o pessimismo atual pode tanto prolongar um período de consolidação quanto preparar o terreno para uma recuperação mais brusca.
Analistas concordam que o próximo grande movimento do Bitcoin depende principalmente da recuperação de indicadores de tendência de longo prazo.
Os níveis mais observados incluem:
Se o Bitcoin continuar abaixo dessas linhas, o cenário mais provável pode ser meses de lateralização ou queda gradual.
Por outro lado, uma recuperação consistente acima dessas médias poderia forçar traders pessimistas a fechar posições defensivas rapidamente — o que, historicamente, às vezes desencadeia rallies fortes de recuperação.
O mercado atual do Bitcoin apresenta um quadro misto.
De um lado, a rejeição na média de 200 dias mantém a tendência técnica negativa, e alguns analistas acreditam que a fraqueza pode persistir ao longo de 2026. De outro, os dados de derivativos e sentimento mostram um nível incomum de cautela entre investidores.
Essa combinação — preço fraco, mas pessimismo extremo — pode definir o comportamento do mercado nos próximos meses, deixando o Bitcoin preso entre uma possível continuação da queda lenta ou a preparação para uma eventual reversão.