A consequência imediata tem sido uma onda de apagões em todo o país. Em alguns bairros de Havana, moradores relatam cortes de energia de até 20 a 22 horas por dia .
Esses apagões estão entre os mais severos já registrados na capital em décadas . Com a geração muito abaixo da demanda, o governo tem sido obrigado a racionar eletricidade em grande escala.
Especialistas alertam que a rede elétrica se tornou cada vez mais instável, já que muitas usinas simplesmente não conseguem operar sem combustível suficiente .
Relatos descrevem moradores bloqueando ruas, batendo panelas e gritando slogans pedindo o retorno da eletricidade enquanto cresce a frustração com a crise econômica e energética .
Essas manifestações estão entre as demonstrações públicas mais visíveis relacionadas diretamente à escassez de energia no país.
Autoridades em Havana afirmam que a crise foi agravada por políticas dos Estados Unidos destinadas a limitar o fornecimento de combustível ao país.
Segundo o governo cubano, sanções e pressões sobre empresas de transporte marítimo teriam desestimulado ou impedido a entrega de petróleo de que a ilha depende .
Organizações internacionais também observaram que medidas adotadas por Washington para bloquear ou desencorajar embarques de petróleo podem ter contribuído para agravar a escassez — embora o impacto exato dessas políticas continue sendo debatido .
Como Cuba depende fortemente de petróleo importado para gerar eletricidade, qualquer redução nas entregas pode rapidamente causar déficits energéticos graves.
Os apagões afetam muito mais do que iluminação doméstica. Em várias regiões da ilha, a falta de eletricidade já compromete serviços essenciais, incluindo:
Agências humanitárias alertam que a crise energética está agravando escassez já existente de alimentos, combustível e medicamentos .
No início de 2026, a Organização das Nações Unidas chegou a advertir que Cuba poderia enfrentar um “colapso” humanitário caso o abastecimento de energia continuasse a se deteriorar .
Vários fatores parecem ter convergido ao mesmo tempo:
Como grande parte da geração elétrica depende diretamente de combustíveis fósseis, qualquer interrupção no fornecimento pode rapidamente resultar em apagões generalizados.
O governo cubano tenta estabilizar o sistema elétrico enquanto busca novos carregamentos de combustível e apoio internacional.
Ainda assim, analistas dizem que uma recuperação duradoura depende de restabelecer um fluxo confiável de petróleo e modernizar a infraestrutura energética da ilha.
Até que isso aconteça, a crise de energia deve continuar sendo um dos maiores desafios para a economia, o cotidiano da população e a estabilidade política de Cuba.