O conselho executivo e o conselho de supervisão do banco alemão recomendaram oficialmente que os acionistas não aceitem a oferta do UniCredit.
Segundo a análise apresentada pela instituição, a proposta apresenta vários problemas:
• Valor abaixo do mercado: a avaliação implícita do banco fica abaixo do preço atual de suas ações, o que significa que os investidores não receberiam um prêmio relevante pela venda.
• Sem prêmio de aquisição: em aquisições desse tipo, compradores geralmente oferecem um valor adicional para convencer acionistas a abrir mão do controle — algo que o Commerzbank diz não existir aqui.
• Sinergias superestimadas: executivos afirmam que o UniCredit exagera nos ganhos potenciais de integração e subestima perdas de receita e dificuldades operacionais.
• Cronograma irrealista: a instituição alemã argumenta que o plano apresentado presume uma integração rápida demais para operações bancárias complexas.
• Risco ao modelo de negócios: líderes do banco dizem que o plano poderia enfraquecer sua rede de atendimento a empresas na região DACH (Alemanha, Áustria e Suíça), um dos principais pilares do Commerzbank.
Para reforçar o argumento de que pode gerar mais valor sozinho, o Commerzbank apresentou um plano estratégico mais agressivo.
Entre as medidas está a redução de cerca de 3.000 empregos adicionais, combinada com metas mais altas de lucro e receita para os próximos anos.
O banco também projetou crescimento significativo até 2030, com receita prevista de cerca de €16,8 bilhões e lucro líquido potencial de €5,9 bilhões.
A liderança afirma que esse plano prova que o banco pode aumentar seu valor de mercado sem precisar de uma fusão com o UniCredit.
A tentativa de aquisição também gerou forte reação política e sindical.
Representantes dos trabalhadores temem que uma fusão internacional leve a cortes adicionais de empregos, fechamento de agências e transferência de decisões estratégicas para fora da Alemanha.
Há também preocupação com o papel do Commerzbank na economia alemã. O banco é um importante financiador de empresas, especialmente do Mittelstand — termo usado na Alemanha para pequenas e médias empresas que formam a espinha dorsal da economia do país.
O governo alemão também demonstrou resistência ao acordo.
Berlim ainda possui participação relevante no Commerzbank desde o resgate do banco durante a crise financeira global, o que lhe dá peso político na discussão.
Autoridades já criticaram a possibilidade de uma aquisição hostil de um banco considerado sistemicamente importante para o país.
A direção do Commerzbank divulgou um parecer formal aconselhando investidores a não entregar suas ações na oferta do UniCredit.
Até agora não há evidência pública de que a maioria dos acionistas independentes esteja disposta a aceitar os termos atuais. O desfecho dependerá principalmente de duas percepções dos investidores:
Se a oferta atual não receber apoio suficiente, alguns cenários são possíveis:
1. O UniCredit melhora a oferta
O banco italiano pode aumentar o valor da troca de ações ou adicionar um prêmio para convencer investidores.
2. A proposta fracassa
Caso poucos acionistas aceitem, o UniCredit pode permanecer apenas como grande acionista sem assumir controle.
3. Novas negociações no futuro
As conversas podem recomeçar se as condições de mercado mudarem ou se houver pressão dos investidores.
4. O Commerzbank fortalece sua independência
Se o plano estratégico gerar resultados e elevar o valor do banco, o argumento contra a aquisição pode se tornar ainda mais forte.
A batalha entre Commerzbank e UniCredit reflete um debate maior dentro da Europa: se o setor precisa de grandes fusões transfronteiriças para competir globalmente ou se bancos nacionais fortes devem continuar independentes.
Por enquanto, o Commerzbank aposta que provar sua capacidade de crescer sozinho será a melhor forma de convencer investidores a rejeitar a oferta italiana. O próximo passo depende principalmente de uma decisão do UniCredit: pagar mais — ou recuar.