Bangladesh enfrenta um dos piores surtos de sarampo em décadas, com rápida disseminação da doença desde meados de março de 2026. A epidemia já matou mais de 500 crianças e infectou dezenas de milhares de pessoas em todo o país, colocando o sistema de saúde sob forte pressão e forçando o governo a lançar uma campanha nacional de vacinação emergencial.
O surto começou por volta de meados de março de 2026 e rapidamente se espalhou por grande parte do país. Até 24 de maio, dados oficiais indicavam 63.813 casos suspeitos e 8.622 casos confirmados em laboratório.
O número de mortes também é alarmante: 512 crianças morreram desde o início do surto, incluindo 86 mortes confirmadas por sarampo, enquanto as demais foram classificadas como mortes com sintomas compatíveis com a doença.
Casos já foram registrados na maioria dos distritos do país, tornando este o surto mais mortal da doença em Bangladesh em décadas.
Hospitais — especialmente na capital Dhaka, uma das cidades mais densamente povoadas do mundo — estão lutando para lidar com o grande número de pacientes. Algumas unidades tiveram que criar alas exclusivas para sarampo, mas enfrentam escassez de leitos de terapia intensiva e de profissionais de saúde.
Vários fatores explicam a pressão sobre o sistema de saúde:
Essa combinação fez com que hospitais em diversas áreas enfrentassem uma onda repentina de hospitalizações.
A grande maioria dos casos envolve crianças menores de cinco anos. Estudos e relatórios internacionais indicam que entre cerca de 72% e mais de 80% das infecções ocorrem nessa faixa etária.
Os bebês com menos de nove meses estão entre os mais vulneráveis. Muitos ainda não atingiram a idade em que a vacinação de rotina contra sarampo normalmente começa, o que aumenta o risco de complicações graves, como pneumonia ou encefalite.
Para tentar conter a transmissão, o governo de Bangladesh iniciou uma campanha emergencial de vacinação contra sarampo e rubéola em 5 de abril de 2026, com apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS), do UNICEF e da aliança global de vacinas Gavi.
A campanha foi implementada em fases:
O programa tem como foco crianças entre 6 meses e 5 anos, incluindo aquelas que perderam doses do calendário de vacinação.
Até maio, a campanha já havia imunizado mais de 18 milhões de crianças em todo o país.
Nos campos de refugiados rohingya em Cox’s Bazar, uma das áreas mais densamente povoadas do mundo, mais de 166 mil crianças também receberam a vacina como parte da resposta emergencial.
Especialistas em saúde pública apontam que a crise está ligada a lacunas na cobertura de vacinação ao longo dos últimos anos.
Uma análise mostra que a cobertura da primeira dose da vacina contra sarampo e rubéola caiu de cerca de 88,6% em 2019 para aproximadamente 86% em 2024, enquanto a cobertura da segunda dose caiu para cerca de 80,7%.
Essa redução deixou milhões de crianças vulneráveis.
Investigações de casos também mostram que muitas das crianças infectadas estavam não vacinadas ou parcialmente vacinadas, frequentemente chamadas de “zero‑dose” — crianças que nunca receberam nenhuma vacina contra o sarampo.
Com uma doença altamente contagiosa como o sarampo, essas lacunas de imunização podem permitir que o vírus se espalhe rapidamente quando ocorre um surto.
O sarampo é um dos vírus mais contagiosos conhecidos. Quando há grupos grandes de pessoas sem imunidade, a transmissão pode se acelerar rapidamente.
Com dezenas de milhares de casos já registrados e transmissão em grande parte do país, autoridades de saúde alertam que o surto pode continuar se expandindo se a vacinação não aumentar rapidamente.
Ambientes com grande densidade populacional — como cidades superlotadas e campos de refugiados — aumentam o risco de surtos maiores e até de propagação para outros países, caso a doença não seja controlada.
Autoridades de saúde estão concentrando esforços em três frentes: vacinação em massa, vigilância epidemiológica mais intensa e reforço da capacidade hospitalar.
A campanha emergencial já alcançou dezenas de milhões de crianças, mas especialistas alertam que manter altas taxas de vacinação de rotina será essencial para evitar novas crises semelhantes no futuro.
O surto atual mostra como o sarampo pode ressurgir rapidamente quando a cobertura vacinal diminui — mesmo em países que já haviam avançado bastante no controle da doença.
Studio Global AI
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Desde meados de março de 2026, Bangladesh registrou cerca de 63.813 casos suspeitos de sarampo e 8.622 confirmações laboratoriais, com mais de 500 mortes de crianças.
Desde meados de março de 2026, Bangladesh registrou cerca de 63.813 casos suspeitos de sarampo e 8.622 confirmações laboratoriais, com mais de 500 mortes de crianças. Hospitais, especialmente em Dhaka, estão sobrecarregados enquanto a maioria das infecções ocorre em crianças menores de cinco anos.
Uma campanha emergencial de vacinação já imunizou mais de 18 milhões de crianças de 6 meses a 5 anos para tentar conter a propagação do vírus.