A corrida global para construir infraestrutura de inteligência artificial está criando um novo gargalo na indústria de semicondutores: memória. A DRAM (Dynamic Random Access Memory), usada como memória principal em servidores, computadores e muitos dispositivos eletrônicos, virou um recurso crítico à medida que empresas de tecnologia ampliam seus data centers para rodar modelos de IA.
Com essa demanda explosiva, os preços estão subindo rapidamente e o fornecimento global de chips de memória está cada vez mais pressionado.
Alguns relatórios apontam que os preços de exportação de DRAM da Coreia do Sul — um dos maiores polos de produção do mundo — aumentaram até 497% no último ano, refletindo a intensidade da procura por memória voltada à IA.
O principal motor dessa alta é o crescimento acelerado das cargas de trabalho de inteligência artificial. Treinar e executar modelos modernos de IA exige volumes gigantescos de dados sendo processados em tempo real — o que demanda muito mais capacidade e largura de banda de memória do que aplicações tradicionais.
Por isso, servidores de IA dependem cada vez mais de HBM (High‑Bandwidth Memory), um tipo avançado de DRAM projetado para trabalhar com GPUs e aceleradores de IA.
Para aproveitar esse mercado mais lucrativo, fabricantes de memória estão redirecionando linhas de produção para HBM e DRAM voltada para servidores. Como essas tecnologias usam parte da mesma capacidade industrial, aumentar a produção para IA significa reduzir a disponibilidade de DRAM convencional usada em PCs e smartphones.
Esse redirecionamento da produção tem apertado a oferta global e pressionado os preços para cima.
Outro fator é a escala do investimento em IA. As grandes empresas de tecnologia estão destinando centenas de bilhões de dólares à construção de novos data centers e clusters de computação, elevando rapidamente a demanda por memória.
As chamadas hyperscalers — gigantes da nuvem como Microsoft e Google — estão entre os maiores compradores de DRAM para servidores de IA.
Relatórios indicam que fornecedores como Samsung e SK hynix chegaram a aumentar os preços de DRAM para servidores em cerca de 60% a 70% em apenas um trimestre para grandes clientes, refletindo a forte demanda.
Ao mesmo tempo, fabricantes estão priorizando compradores ligados à infraestrutura de IA, porque esse segmento oferece margens maiores. Isso faz com que fabricantes de PCs, smartphones e outros eletrônicos disputem uma fatia menor da produção global de memória.
Existe também um limite tecnológico: produzir HBM é mais complexo. O processo envolve empilhamento de chips e técnicas avançadas de empacotamento, além de ciclos longos de validação. Isso dificulta expandir a produção rapidamente, mesmo quando há investimento em novas fábricas.
Diferente de outros segmentos de tecnologia, o mercado global de DRAM é extremamente concentrado. Apenas três empresas dominam praticamente toda a produção mundial:
Juntas, essas companhias controlam aproximadamente 95% do fornecimento global de DRAM.
Como essas mesmas empresas também lideram a produção de HBM — essencial para GPUs e aceleradores de IA — o boom da inteligência artificial ampliou ainda mais o poder de precificação dessas fabricantes.
A maioria das previsões do setor indica que o aperto na oferta não deve desaparecer tão cedo.
Diversos analistas esperam que a escassez de DRAM e os preços elevados continuem pelo menos até 2026, sustentados pela expansão constante de data centers de IA.
Alguns executivos da indústria são ainda mais cautelosos. A Samsung já afirmou que a falta global de memória pode persistir até 2027, com clientes chegando a fazer pedidos com anos de antecedência para garantir fornecimento.
Além disso, projeções sugerem que o preço médio da DRAM pode subir cerca de 33% em 2026, indicando que o desequilíbrio entre oferta e demanda ainda deve durar.
O atual salto nos preços da DRAM não parece ser apenas mais um ciclo típico da indústria de semicondutores. A ascensão da computação baseada em IA está mudando a forma como a memória é consumida globalmente.
Com data centers se tornando o principal motor da demanda — e tecnologias como HBM se tornando essenciais para GPUs de alto desempenho — a pressão sobre o fornecimento de memória pode continuar sendo um dos fatores centrais do mercado de chips nos próximos anos.
Para empresas e consumidores, isso provavelmente significa memória mais cara e oferta limitada até que a capacidade de produção global consiga acompanhar o ritmo da expansão da inteligência artificial.
Studio Global AI
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Relatórios indicam que os preços de exportação de DRAM da Coreia do Sul subiram até 497% em um ano, impulsionados pela forte demanda de infraestrutura de inteligência artificial.
Relatórios indicam que os preços de exportação de DRAM da Coreia do Sul subiram até 497% em um ano, impulsionados pela forte demanda de infraestrutura de inteligência artificial. Fabricantes estão redirecionando produção para memória de alta largura de banda (HBM), usada em servidores de IA, reduzindo a oferta de DRAM convencional.
Samsung Electronics, SK hynix e Micron controlam cerca de 95% da produção mundial de DRAM, o que lhes dá grande influência sobre preços e oferta.